Antônio Carlos Godoi dos Santos desapareceu em 2003, enquanto trabalhava em uma fazenda na divisa entre Mato Grosso e Pará. Mais de 20 anos depois, o caso voltou ao centro das atenções após o TRT-MT encaminhar informações ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Na época, Antônio Carlos tinha uma filha de apenas seis anos. A família passou décadas em busca de respostas e somente em 2021 a Justiça reconheceu oficialmente a morte presumida do trabalhador.
O processo aponta que ele trabalhava em uma região marcada por conflitos fundiários, exploração ilegal de madeira e violência. Segundo os relatos analisados pela Justiça, trabalhadores em situação de vulnerabilidade eram recrutados por intermediários conhecidos como “gatos”.
Um dos pontos mais delicados envolve uma acusação de furto contra Antônio Carlos. A cooperativa teria registrado ocorrência alegando que ele havia levado o trator que operava, enquanto não teriam sido tomadas medidas suficientes para localizar o trabalhador.
A investigação também ficou marcada pelo desaparecimento de documentos. Registros policiais produzidos na época foram destruídos em um incêndio considerado suspeito, e o inquérito relacionado ao caso posteriormente desapareceu da delegacia.
Em 2025, a Justiça do Trabalho condenou a cooperativa e o fazendeiro ao pagamento de R$ 150 mil por danos morais à filha de Antônio Carlos, além de pensão mensal. A decisão foi mantida pelo TRT-MT, mas os empregadores recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho.
Agora, o caso será analisado pelo MPT por possíveis violações de direitos humanos. O novo encaminhamento coloca novamente em evidência o desaparecimento de Antônio Carlos e a longa busca da família por respostas e Justiça.



































