Em um movimento que pode redefinir os rumos do setor elétrico em Mato Grosso pelas próximas décadas, deputados estaduais levaram diretamente ao coração do governo federal um relatório contundente que escancara falhas graves na distribuição de energia no estado. O documento foi entregue nesta sexta-feira (9), em Brasília, pelo deputado Wilson Santos (PSD) ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e reúne o resultado de oito audiências públicas marcadas por críticas, denúncias e relatos de prejuízos enfrentados pela população sob a concessão da Energisa.
O relatório, consolidado sob a relatoria do deputado Eduardo Botelho (União), traça um diagnóstico detalhado da insatisfação popular e dos entraves técnicos que, segundo os parlamentares, comprometem o desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Com base nesses dados, o material servirá como subsídio para que o Ministério avalie o cumprimento das cláusulas contratuais e decida se renova a concessão atual ou se abre uma nova licitação para os próximos 30 anos — alternativa defendida pela Comissão Especial da Assembleia Legislativa.
Wilson Santos destacou que a comissão foi criada justamente para acompanhar de perto a possível renovação do contrato firmado ainda em 1997, considerado ultrapassado diante do crescimento acelerado do estado. Ele lembrou que, desde a privatização, Mato Grosso passou por mudanças profundas e exige hoje uma estrutura energética mais robusta. “Somos favoráveis à iniciativa privada, mas não podemos aceitar a repetição de modelos antigos que já não acompanham a realidade de um estado que se transformou em potência econômica”, enfatizou.
As audiências públicas, realizadas no segundo semestre de 2025 em cidades estratégicas como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Tangará da Serra e Chapada dos Guimarães, deram voz a produtores rurais, empresários, consumidores urbanos e lideranças locais. Além do relatório principal, também foi anexado o estudo da Câmara Setorial Temática (CST), reforçando a conclusão de que nem todas as cláusulas contratuais foram cumpridas pela concessionária.
Entre as queixas mais recorrentes está a baixa implantação do sistema trifásico, presente em menos de um terço do território mato-grossense. Segundo os deputados, essa deficiência trava investimentos, afasta indústrias e impede a expansão de empresas já instaladas. “Há cidades prontas para crescer, mas que ficam no escuro do desenvolvimento por falta de capacidade energética”, alertou Wilson Santos.
O relatório também aponta a precarização do atendimento ao consumidor, com o fechamento de agências físicas no interior e a substituição por canais digitais considerados lentos e ineficientes. Idosos e moradores de regiões afastadas relataram dificuldades para resolver problemas básicos. Soma-se a isso a instabilidade no fornecimento de energia, marcada por quedas constantes, oscilações e alto custo.
Com a entrega do relatório e o reconhecimento, por parte do próprio Ministério de Minas e Energia, de que o contrato vigente é ultrapassado, o futuro da distribuição de energia em Mato Grosso entra oficialmente em uma fase decisiva. A decisão que será tomada nos próximos meses — entre renovar a concessão ou abrir uma nova licitação — poderá definir não apenas a qualidade do serviço, mas o ritmo de crescimento econômico, a atração de investimentos e a qualidade de vida da população pelas próximas três décadas, colocando o estado diante de uma escolha estratégica que vai muito além da manutenção do fornecimento elétrico.
Fonte: Da Assessoria













