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Problemas logísticos

Deputada catarinense cobra manutenção da malha ferroviária em Santa Catarina em audiência

Para Daniela Reinehr é preciso encontrar a melhor solução para transformar o sonho das ferrovias em realidade, promovendo o desenvolvimento do estado e do país. (Foto: Divulgação / Frenlogi)

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Santa Catarina, que é responsável por mais de 5% do PIB industrial brasileiro, possui um dos maiores índices de exportação per capita do país, com forte atuação nos setores agropecuário, madeireiro, cerâmico, metalmecânico e têxtil. 

 

Por Humberto Azevedo

 

A deputada Daniela Reinehr (PL-SC), que presidiu nesta terça-feira, 1º de julho, uma audiência pública da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (CINDRA) da Câmara dos Deputados, foi incisiva durante a sua fala em defender da infraestrutura de transporte no estado e alertou para os riscos da desativação do trecho ferroviário da linha férrea Tronco Sul, em Lages (SC).

 

Presidente da câmara temática de portos e hidrovias da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), Reinehr destacou que Santa Catarina é responsável por mais de 5% do PIB industrial brasileiro e possui um dos maiores índices de exportação per capita do país, com forte atuação nos setores agropecuário, madeireiro, cerâmico, metalmecânico e têxtil.

 

Além disso, como lembrou a parlamentar, no primeiro quadrimestre de 2025 (janeiro, fevereiro, março e abril), os portos catarinenses registraram o maior crescimento na movimentação de cargas da região Sul, com alta de 7,93% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apurados pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias do governo catarinense.

 

Apesar desses avanços, Daniel Reinehr chamou a atenção para os sérios problemas logísticos enfrentados por Santa Catarina, especialmente em decorrência das fortes chuvas. Atualmente, mais de 70% do transporte de cargas é feito por rodovias, que, conforme ela pontuou, “são mais caras, poluentes e sobrecarregadas”.

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Nesse contexto, a Ferrovia Tronco Sul é considerada uma infraestrutura estratégica, conectando o interior do estado ao litoral e à malha ferroviária do Rio Grande do Sul (RS). No entanto, a empresa Rumo Logística, responsável pela concessão do trecho anunciou a desativação das operações no município de Lages, o que implica o encerramento do transporte ferroviário na região.

 

“A decisão unilateral de uma concessionária não pode sobrepor-se aos interesses estratégicos do país e ao direito ao desenvolvimento das regiões do interior”, criticou Reinehr. A parlamentar defendeu a continuidade das operações e cobrou a participação ativa dos entes federativos e da iniciativa privada na busca por soluções.

 

CONEXÃO

 

Ao final da audiência, a deputada Daniela Reinehr propôs acionar o Fórum Parlamentar Catarinense para buscar maior conectividade e uma melhor estrutura para Santa Catarina, especialmente no que diz respeito à malha ferroviária. Ela ressaltou o principal objetivo do debate: as concessões têm uma finalidade pública, que é garantir a continuidade dos serviços.

 

Segundo a parlamentar, é preciso encontrar a melhor solução para transformar o sonho das ferrovias em realidade, promovendo o desenvolvimento do estado e do país. A deputada ainda comentou que encaminhará os questionamentos às agências reguladoras.

 

“Queremos ter uma conexão ferroviária dentro do estado. Somos um estado produtivo”, afirmou.

 

ESTRATÉGIAS

 

Atualmente, mais de 70% do transporte, em Santa Catarina, de cargas é feito por rodovias, que, conforme ela pontuou, “são mais caras, poluentes e sobrecarregadas”. (Foto: Divulgação / Frenlogi)

Para o secretário nacional de transporte ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Cezar Ribeiro, que apresentou as estratégias do governo federal para o setor, como o Plano Nacional de Ferrovias, o uso de investimentos cruzados (Parceria-Público-Privada) com concessionárias e a criação de um banco de projetos para atrair o setor privado deve ser a solução.

 

Ribeiro informou que o Ministério dos Transportes está discutindo um novo contrato com a Rumo Logística e destacou que haverá uma reunião com prefeitos da região para tratar da situação da Tronco Sul.

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Representando o setor regulatório, o gerente de fiscalização infraestrutura e serviços da ANTT, Daniel de Oliveira Santos, apresentou o panorama operacional da ferrovia e destacou que, mesmo com os danos causados pelas chuvas, o trecho é tecnicamente viável e estratégico para a região. Ele informou que o contrato com a concessionária prevê a manutenção da linha até o fim da concessão, em fevereiro de 2027, e que a agência segue monitorando a situação.

 

Também participaram do debate representantes da iniciativa privada e do setor produtivo, como Yuri Pontual, diretor jurídico da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), lembrou que 98% dos investimentos no setor ferroviário têm sido feitos pela iniciativa privada e sugeriu o uso do Fundo Clima do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como alternativa para viabilizar o financiamento da recuperação do trecho.

 

Presente na audiência, a prefeita de Lages e ex-deputada federal, Carmen Zanotto (PP), fez um apelo pela manutenção da ferrovia, destacando sua importância histórica e logística. Ela pediu um cronograma de conservação, a participação da prefeitura no grupo de trabalho do Ministério dos Transportes e reforçou que as rodovias estão sobrecarregadas, inseguras e pouco sustentáveis.

 

Já o vereador de Lages, Jonata Mendes (PL), criticou a precariedade da malha rodoviária no estado e cobrou um plano de ação imediato para resolver o problema. Mendes também comentou que os combustíveis podem ficar mais caros para a população devido a interrupção do serviço ferroviário.

 

Com informações de assessoria.

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