A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá ainda está longe de ser uma disputa totalmente definida. Em entrevista, o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) afirmou que houve um entendimento entre os grupos para que a votação ocorra na primeira sessão após o primeiro turno das eleições, em outubro, seguindo o entendimento estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o parlamentar, o acordo busca colocar fim ao impasse entre os grupos que defendiam a antecipação da eleição para outubro e aqueles que preferiam deixar a votação para novembro. “Nós consensuamos que precisaríamos atender ao que o Supremo Tribunal Federal tem liberado, que é a eleição sempre no mês de outubro para frente do ano imediatamente anterior à posse”, explicou.
Monteiro também evitou cravar o futuro da atual presidente da Câmara, Paula Calil, na disputa. Para ele, apesar das movimentações políticas e dos registros feitos entre vereadores, o cenário ainda pode mudar.
“Quando vocês me perguntaram se a eleição tinha acabado, porque o vereador Guilherme e a vereadora Baixinha tiraram foto com os dois e ficaram 14, eu disse que aquilo era um retrato do momento. A vida é um filme”, afirmou.
O vereador ressaltou que Paula Calil continua sendo uma força política que não pode ser ignorada, principalmente por comandar atualmente o Legislativo cuiabano e integrar o partido do prefeito Abilio Brunini. Ainda assim, Daniel declarou acreditar que ela terá dificuldades para viabilizar uma candidatura.
“Se você perguntar o que eu acredito, eu não acredito que ela conseguirá viabilizar a candidatura dela, seja pela esfera judicial ou seja pela alteração do regimento interno com 18 votos. Mas espero que a gente consiga ser vitorioso com o vereador Hilde. Não vou escolher adversários. Se for contra a Paula, se for contra qualquer um deles, eu acho que a gente tem muita chance de ser vitorioso e mudar o caráter da gestão aqui da Casa”, declarou.
PROJETO EM URGÊNCIA
Outro ponto que provocou reação do vereador foi o projeto que pretende retirar taxas de veículos apreendidos que estão parados nos pátios e serão levados a leilão. Integrante da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, Daniel afirmou que recebeu a proposta poucos minutos antes da discussão e que não teria tempo suficiente para fazer uma análise jurídica responsável.
“Eu recebi um projeto faz 12 minutos. É uma matéria importante, mas existe um juízo de constitucionalidade que a gente precisa fazer. Matéria de trânsito tem outras questões que precisam ser vistas. Eu preciso fazer toda uma análise jurídica para o projeto funcionar. Espero que seja um bom projeto, porque ele soa bem, mas seria leviano da minha parte falar sobre uma coisa que chegou há poucos minutos e que eu não tive nem cinco minutos para analisar”, afirmou.
Para Monteiro, o problema vai além de um projeto específico e expõe uma prática recorrente na Câmara: a chegada de matérias em regime de urgência, com pouco tempo para os vereadores estudarem o conteúdo antes da votação.
“Eu recomendo mais uma vez que esses projetos parem de vir em regime de urgência. Não é possível um vereador que é membro da Comissão de Constituição e Redação, que vai ter que emitir um parecer sobre a constitucionalidade de um projeto que depois vai reger a vida da população cuiabana, ter menos de 10 minutos para analisar uma matéria recebida às 10 horas da manhã”, criticou.
O vereador reconheceu que a insatisfação é compartilhada por outros parlamentares, mas ponderou que a atual composição da Câmara dificulta qualquer reação. Segundo ele, a base do prefeito Abilio Brunini é hoje majoritária e, apesar das reclamações nos bastidores, os parlamentares aliados acabam votando os projetos encaminhados pelo Executivo.
“Embora nós tenhamos vários insatisfeitos, entre os quais eu me coloco, nós não somos hoje a maior força aqui dentro da Câmara Municipal. Portanto, não temos força suficiente para impedir que esses projetos venham com esse caráter”, afirmou.
Ao final, Daniel reforçou que a pressa na apreciação de propostas pode comprometer a qualidade das decisões tomadas pelo Legislativo. “População cuiabana, não é ideal que nós apreciemos projetos que vão tratar da vida de vocês, da nossa vida, em 10, 15 minutos de antecedência. Isso é muito pouco, é muito superficial. A gente precisa ter mais tempo para analisar as questões que lidam com a vida do cuiabano”, concluiu.

































