Mesmo antes de o medicamento Mounjaro chegar legalmente às farmácias brasileiras — o que só deve ocorrer na segunda quinzena de maio — clínicas de estética no Maranhão e no Piauí já vendem, de forma irregular, a chamada “caneta emagrecedora”. A reportagem do g1 encontrou o produto sendo oferecido sem prescrição médica e de forma fracionada, o que contraria normas da Anvisa.
O remédio foi flagrado em duas clínicas que o anunciam nas redes sociais e vendem via WhatsApp. Em São Luís, a entrega é feita até por delivery. As consultas são realizadas por biomédicas ou pela própria dona da clínica, e não por médicos. A venda do Mounjaro fere regras como a exigência de receita médica, a proibição do fracionamento e a restrição da venda a farmácias e drogarias.
A responsável por uma das clínicas, em Teresina, afirmou usar o remédio em seus protocolos após experimentar em si mesma e perder 21 quilos. Já a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, alertou que o medicamento ainda não está à venda no Brasil e que produtos vendidos por vias paralelas podem ser falsificados ou perigosos.
Especialistas em endocrinologia alertam para os riscos do uso sem orientação médica. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia afirma que o remédio exige titulação adequada, seguindo critérios de segurança e tolerância. “Não é um produto para uso recreativo”, disse a médica Simone Van de Sande Lee.
A Anvisa informou que, a partir de julho, todas as receitas médicas do Mounjaro e de outras canetas emagrecedoras terão que ser retidas nas farmácias. A medida ocorre após o aumento do contrabando e o registro de 51 eventos adversos com a substância tirzepatida só neste ano.

















