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DIRETAS JÁ – 40 anos de início da campanha que desabrochou a mobilização popular para acabar com a ditadura militar

Comício reuniu 50 mil pessoas na Boca Maldita, em Curitiba, no dia 12 de janeiro de 1984
Comício pró Diretas Já no Largo da Prefeitura de Porto Alegre

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Março de 1983 marcou o início da luta pelas eleições diretas para presidente
da República, na verdade um movimento contra os governos militar

Por Iasmim Souza

Os anos de 1980 foram importantíssimos para a redemocratização do Brasil, pois foram resultado da abertura política feita por Ernesto Geisel durante seu governo (1974-1979). De forma “lenta, gradual e segura”, Geisel planejava que aos poucos os órgãos autoritários de repressão da Ditadura fossem extintos, como de fato aconteceu com a extinção em 1978 do Ato Institucional N°5, responsável por institucionalizar a tortura e perseguição aos opositores políticos do regime.

No entanto, o fim do governo militar se deu apenas no mandato de João
Figueiredo, que aprovou a Lei da Anistia (1979) e o pluripartidarismo. Essas
vitórias motivaram o povo brasileiro a se manifestar ainda mais a favor da
redemocratização, através da campanha pelas “Diretas Já”.
Em 1983, a maioria da população brasileira estava insatisfeita com a ditadura
civil-militar instaurada desde abril de 1964 e ansiava a campanha por eleições
diretas para a Presidência do Brasil. Esse desejo ecoou ainda mais com a
apresentação do projeto de emenda constitucional (PEC) que previa eleições
diretas para a presidência, de autoria do deputado federal por Mato Grosso,
Dante de Oliveira, então filiado ao PMDB.
Já em 1983, a campanha pelas “Diretas Já” começou nas ruas e reuniu cerca de
1 milhão de pessoas na cidade de São Paulo – Vale do Anhangabaú – e 1,7
milhão no Rio de Janeiro. Entre os manifestantes estavam cantores, poetas,
políticos, professores, operários e todos que desejavam o fim da ditadura.
Alguns nomes reconhecidos até hoje estavam presentes nas manifestações,
como: Fafá de Belém, Luís Inácio Lula da Silva, Chico Buarque, Gilberto Gil,
Fernanda Montenegro, Sócrates, José Serra, Mário Covas e Eduardo Suplicy.
Apesar do grande movimento popular em defesa da redemocratização, o povo
recebeu um duro golpe ao saber que a PEC, proposta por Dante de Oliveira, foi
rejeitada na Câmara Federal em 25 de abril de 1984, com 22 votos a menos
para a sua aprovação.
No entanto, a mobilização popular foi crucial para que um acordo político fosse
feito entre a Frente Liberal e o Partido Movimento Democrático Brasileiro
(PMDB), para que o então senador José Sarney fosse vice na chapa de
Tancredo Neves (PMDB) à Presidência da República. Esse acordo, conhecido
também como Aliança Democrática, foi importantíssimo para que o então
Partido Democrático Social (PDS) fosse derrotado nas eleições do Colégio
Eleitoral.
Dessa forma, Tancredo Neves foi eleito presidente da República de forma
indireta, mas não pôde assumir por ter sido hospitalizado e levado à óbito logo
em seguida. José Sarney, então, assumiu o cargo e cumpriu seu mandato até
15 de março de 1990.
Posse do presidente José Sarney e seu substituto legal Uliysses Guimarães em 15.03.1985. Foto: Arquivo Senado.

Os comícios das Diretas e a mobilização popular

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Os comícios pelas “Diretas Já” se iniciaram em 1983 e Goiânia foi a primeira
capital a sediar um dos atos em prol das eleições diretas para a presidência. A
princípio, as movimentações não tinham muita expressão por medo da
retaliação por parte dos militares que não queriam a volta da democracia,
também conhecidos como “linha-dura”. Um desses eventos que marcou o
imaginário da população foi o episódio do atentado ao Riocentro, na noite de
30 de abril de 1981, quando acontecia uma festividade pelo Dia do
Trabalhador.
No entanto, com as eleições para governadores ocorridas em 1982, vários
opositores ao regime militar conseguiram se eleger para os governos dos
estados, como Leonel Brizola, eleito governador do Rio de Janeiro e Franco
Montoro para governador do Estado de São Paulo. Ambos opositores à
Ditadura e que fortaleceram o movimento em seus respectivos estados. Franco
Montoro é reconhecido até hoje por suas falas nos atos realizados em São
Paulo.
Os comícios foram realizados pelo país afora em muitas capitais e além das
eleições diretas para a presidência, também reivindicavam o fim do arrocho
salarial, diminuição da inflação e mais empregos para a população. Esse
movimento foi o primeiro depois de 1968, quando foi instaurado o AI-5 em
1968.
Em 27 de novembro de 1983, Comício organizado pelo PT e entidades civis reúne 10 mil pessoas na Praça Charles Muller, em São Paulo

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