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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Missão da JBS na Venezuela

O cenário belicoso entre os governos dos EUA e da Venezuela, com possibilidade de início de uma guerra para derrubar o governo venezuelano, vem causando preocupação e diversas especulações. (Foto: montagem sobre fotos de Antonio Cruz e Valter da Campanato da Agência Brasil)

De acordo com informações que chegaram até a reportagem desta coluna, fortes rumores nos bastidores políticos de Brasília sugerem que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pode ter deixado seu país. Os comentários especulam que um avião do grupo JBS teria sido utilizado para transportá-lo, possivelmente com destino à Turquia, país onde parte de seus recursos estariam depositados. A operação de Joesley Batista também levantou questões sobre o envolvimento de outros atores internacionais, incluindo os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Segundo as especulações, parte expressiva do patrimônio de figuras vinculadas ao regime bolivariano estaria abrigada no Banco do Vaticano, operado pelo Santander. Fontes mencionam que o voo da JBS, sob restrições impostas pelo governo Trump, apontam para uma possível negociação ou até fuga motivada por temores políticos – visto o risco de um conflito militar.

 

 

 

Diplomacia da carne

Além de atuar como mediador político entre Maduro e Trump, Joesley Batista sustenta seus interesses na Venezuela com um contrato bilionário em proteína animal e um novo acordo para explorar petróleo no Orinoco. (Foto: Divulgação / Fluxus)

Além de especulações, a recente viagem de Joesley Batista a Caracas revela os interesses que liga o grupo J&F à Venezuela. O objetivo de mediar a situação de pré-conflito entre EUA e o governo venezuelano se situa em negócios concretos, que vão desde um histórico acordo de R$ 11,42 bilhões (US$ 2,1 bi) para exportação de carne e os planos da Âmbar Energia para importar eletricidade venezuelana para Roraima. Essas operações mostram uma estratégia de longa data para capitalizar sobre as necessidades venezuelanas, enquanto a empresa consolida sua posição nos EUA – inclusive com doações à campanha de Trump tanto em 2016, 2020 e 2024 – que representa menos uma missão humanitária e mais um cálculo empresarial de quem busca proteger e expandir seus ativos em meio ao que pode vir se suceder num conflito internacional, utilizando seu acesso único a ambos os lados como moeda de negócio.

 

 

 

 

Pressões dos EUA na América Latina

Países latino-americanos na encruzilhada entre repensar suas posições internacionais para navegar em meio à escalada protecionista de um parceiro histórico como os EUA e preservar suas soberanias se alinhando aos novos imperativos da economia global. (Foto: Divulgação / Embaixada da China nos EUA)

Mas, de fato, o que há é a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos (EUA), que sinaliza um claro reposicionamento de poder sobre a América Latina, com documentos oficiais explicitando o objetivo de controle militar, econômico e tecnológico sobre toda a região. Essa postura, que visa afastar outras potências como China e Rússia, tem como objetivo monopolizar a influência norte-americana, elevando o risco de conflitos e tensionando ainda mais as relações diplomáticas dos países da região. Paralelamente, os dados comerciais refletem um realinhamento geopolítico em curso, com as exportações brasileiras e dos demais países da região caindo para os EUA, enquanto a China se consolida como principal parceiro comercial. Assim, a pressão norte-americana e a dependência comercial crescente em relação a Pequim, coloca o Brasil e os demais países latino-americanos em um cenário complexo.

 

 

Joesley protege seu petróleo

Assim, a atuação de Batista é um reflexo empresarial do jogo geopolítico, que busca estabilidade para os investimentos. (Foto: Reprodução / Sociedade Militar)

A recente mediação de Joesley Batista entre Maduro e Trump revela menos um diplomata altruísta e mais um pragmático defensor de interesses bilionários. Seus negócios na Venezuela são concretos: dos mais de R$ 10 bilhões em proteína animal, planos para importar energia elétrica e um memorando para explorar petróleo na faixa do Orinoco. Sua atuação surge para proteger esses ativos em meio a uma crise que, segundo analistas como o professor da escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) PUC-SP, Leonardo Trevisan, é essencialmente performática. Trevisan avalia que a escalada bélica de Trump serve mais para acenar a sua base eleitoral e a setores radicais do que como prelúdio de uma invasão. A autorização para a Chevron operar na Venezuela, concedida pouco antes do envio de navios de guerra, demonstra que o petróleo permanece no centro do cálculo.

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A escolha do pai

A movimentação ocorre após Michelle, sua esposa, consolidar poder ao desmanchar a aliança com Ciro Gomes no Ceará. (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

Da carceragem da Polícia Federal, onde está preso pela condenação de 27 anos por golpe de Estado, organização criminosa e destruição do patrimônio público, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) decidiu no final de semana articular o futuro político da família. Ele indicou a aliados que o senador Flávio Bolsonaro, seu filho “zero dois” é que deve ser o candidato do PL à Presidência em 2026, na primeira manifestação explícita desde sua prisão. A estratégia é apostar no perfil considerado mais moderado e “previsível” de Flávio para unificar o partido e atrair setores econômicos, utilizando governadores aliados como palanque. Enquanto isso, Michelle Bolsonaro deve concorrer ao Senado pelo DF, e um partido de centro seria responsável pelo vice na chapa. A movimentação revela um projeto de poder familiar que busca se reerguer e confrontar o governo Lula, mesmo com seu principal líder detido por crimes contra a democracia.

 

 

Sem apoio do “centrão”

De acordo com as mesmas fontes do “centrão”, o lançamento da candidatura de Flávio beneficia o presidente Lula, enquanto a estratégia bolsonarista parece confinar seu apoio a uma base mais radical, sem a ponte necessária para uma coalizão governista. (Foto: Divulgação / PL)

De acordo com fontes dos partidos que compõem o núcleo do “centrão”, a indicação de Flávio Bolsonaro como candidato presidencial do PL em 2026 não tem apoio do PP, do PSD e da União Brasil. A decisão, articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de dentro da carceragem, causou imediata rejeição entre os líderes dessas legendas, que se sentiram desconsiderados. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União-GO), além do presidente do PP, Ciro Nogueira, estão entre os nomes que se veem preteridos pelo movimento familiar. Publicamente, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, criticou a candidatura do “zero dois”, afirmando que “não será a polarização que construirá o futuro”. A resistência formaliza uma ruptura e indica que o campo de direita e centro-direita deve se fragmentar em várias candidaturas no primeiro turno.

 

 

Centrão resiste a Flávio

A dificuldade em consolidar até mesmo uma reunião de cúpula ilustra o abismo entre a estratégia bolsonarista, articulada de dentro da prisão, e a necessidade das demais siglas de centro-direita em construir uma alternativa mais ampla e menos radical para 2026. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

Conforme informações de parlamentares do centrão, a reunião convocada pelo PL na noite desta segunda-feira, 8 de dezembro, para discutir a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026 está sendo marcada por um vai-e-vem de confirmações que revela a frágil adesão ao projeto. Inicialmente, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, teriam confirmado presença, assim como o líder do Republicanos, Marcos Pereira (SP). No entanto, ao longo do dia, circularam cancelamentos de todos os nomes, exceto o do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sugerindo um total isolamento. O cenário de descoordenação só se reverteu parcialmente após consultas diretas, com Ciro Nogueira reafirmando sua presença no final da tarde. O episódio evidencia a resistência prática das legendas do “centrão”, que publicamente já haviam criticado a polarização representada por Flávio.

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Leitura do Lindbergh

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro enfrenta resistência do “centrão” e uma imagem de “pastelão”, conforme Lindbergh, o governo Lula aponta para um “crescimento histórico” do PIB, menor desemprego e redução recorde da desigualdade. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

“A escolha do Flávio Bolsonaro é um movimento mais do que previsível da família. Sabem que é praticamente impossível derrotar o Lula, mas querem manter o protagonismo da oposição para o futuro”, provocou o líder do PT na Câmara, o paraibano Lindbergh Farias eleito no Rio de Janeiro (RJ), ao analisar a candidatura articulada pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro da prisão. A declaração sintetiza a leitura petista de que a movimentação familiar é um jogo de preservação de poder e narrativa, não uma tentativa realista de vitória. A avaliação se sustenta no contraste entre a instabilidade da pré-campanha de Flávio – que em 48 horas admitiu desistir, sob a condição de um “preço” a ser negociado – e a solidez dos números econômicos e sociais que embasam a projeção de reeleição de Lula.

 

 

Sem greve

Entidade sindical dos caminhoneiros comemora adesão zero a greve da categoria proposta por setores alinhados ao bolsonarismo. (Foto: Divulgação / CNTTL)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) comemorou a não adesão de caminhoneiros às paralisações “motivadas por manipulação política”. Segundo a entidade, a busca firme em “defesa da verdade da categoria profissional e da responsabilidade pública”, rejeitou qualquer movimento de cunho político e desinformado. Para a CNTTL, isso é resultado direto do trabalho em um momento sensível, posicionando-a como uma voz responsável e apartidária na representação dos interesses legítimos dos trabalhadores do setor de transportes perante a opinião pública. A CNTLL afirma que toda luta que importe a categoria será abraçada, mas em nenhum momento quaisquer movimentos políticos farão uso da categoria e da entidade:

 

 

Ponte e processo

O BASA sustenta que a decisão condenatória contém vícios insanáveis, incluindo a aplicação indevida do CDC a uma grande incorporadora e a participação de desembargadores posteriormente afastados pelo CNJ por suspeição, além de alegar ainda que a manutenção da sentença coloca em risco políticas públicas de desenvolvimento regional financiadas pelo FNO, defendendo a suspensão da execução para preservar o interesse público. (Foto: Divulgação / BASA)

Em meio a uma disputa judicial milionária, o Banco da Amazônia (BASA) vê sua defesa esbarrar em um erro processual considerado “grosseiro” pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. Ao interpor embargos de declaração julgados incabíveis, a instituição perdeu o prazo para recorrer de uma condenação definitiva que a obriga a pagar a incorporadora Franere. O trânsito em julgado ocorreu em julho de 2022, esgotando o prazo para uma ação rescisória em 2024. Mesmo assim, o Basa protocolou um novo pedido fora do prazo em novembro, buscando reabrir um caso já decidido. A manobra, considerada frágil e tardia, amplia o prejuízo do banco, que além da dívida original arca com custos advocatícios elevados em uma causa considerada perdida. A situação expõe uma tentativa desesperada de rediscutir o que já foi firmado pela justiça, configurando o que muitos no meio jurídico chamam de mero “direito de espernear”.

 

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