Missão da JBS na Venezuela

De acordo com informações que chegaram até a reportagem desta coluna, fortes rumores nos bastidores políticos de Brasília sugerem que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pode ter deixado seu país. Os comentários especulam que um avião do grupo JBS teria sido utilizado para transportá-lo, possivelmente com destino à Turquia, país onde parte de seus recursos estariam depositados. A operação de Joesley Batista também levantou questões sobre o envolvimento de outros atores internacionais, incluindo os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Segundo as especulações, parte expressiva do patrimônio de figuras vinculadas ao regime bolivariano estaria abrigada no Banco do Vaticano, operado pelo Santander. Fontes mencionam que o voo da JBS, sob restrições impostas pelo governo Trump, apontam para uma possível negociação ou até fuga motivada por temores políticos – visto o risco de um conflito militar.
Diplomacia da carne

Além de especulações, a recente viagem de Joesley Batista a Caracas revela os interesses que liga o grupo J&F à Venezuela. O objetivo de mediar a situação de pré-conflito entre EUA e o governo venezuelano se situa em negócios concretos, que vão desde um histórico acordo de R$ 11,42 bilhões (US$ 2,1 bi) para exportação de carne e os planos da Âmbar Energia para importar eletricidade venezuelana para Roraima. Essas operações mostram uma estratégia de longa data para capitalizar sobre as necessidades venezuelanas, enquanto a empresa consolida sua posição nos EUA – inclusive com doações à campanha de Trump tanto em 2016, 2020 e 2024 – que representa menos uma missão humanitária e mais um cálculo empresarial de quem busca proteger e expandir seus ativos em meio ao que pode vir se suceder num conflito internacional, utilizando seu acesso único a ambos os lados como moeda de negócio.
Pressões dos EUA na América Latina

Mas, de fato, o que há é a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos (EUA), que sinaliza um claro reposicionamento de poder sobre a América Latina, com documentos oficiais explicitando o objetivo de controle militar, econômico e tecnológico sobre toda a região. Essa postura, que visa afastar outras potências como China e Rússia, tem como objetivo monopolizar a influência norte-americana, elevando o risco de conflitos e tensionando ainda mais as relações diplomáticas dos países da região. Paralelamente, os dados comerciais refletem um realinhamento geopolítico em curso, com as exportações brasileiras e dos demais países da região caindo para os EUA, enquanto a China se consolida como principal parceiro comercial. Assim, a pressão norte-americana e a dependência comercial crescente em relação a Pequim, coloca o Brasil e os demais países latino-americanos em um cenário complexo.
Joesley protege seu petróleo

A recente mediação de Joesley Batista entre Maduro e Trump revela menos um diplomata altruísta e mais um pragmático defensor de interesses bilionários. Seus negócios na Venezuela são concretos: dos mais de R$ 10 bilhões em proteína animal, planos para importar energia elétrica e um memorando para explorar petróleo na faixa do Orinoco. Sua atuação surge para proteger esses ativos em meio a uma crise que, segundo analistas como o professor da escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) PUC-SP, Leonardo Trevisan, é essencialmente performática. Trevisan avalia que a escalada bélica de Trump serve mais para acenar a sua base eleitoral e a setores radicais do que como prelúdio de uma invasão. A autorização para a Chevron operar na Venezuela, concedida pouco antes do envio de navios de guerra, demonstra que o petróleo permanece no centro do cálculo.
A escolha do pai

Da carceragem da Polícia Federal, onde está preso pela condenação de 27 anos por golpe de Estado, organização criminosa e destruição do patrimônio público, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) decidiu no final de semana articular o futuro político da família. Ele indicou a aliados que o senador Flávio Bolsonaro, seu filho “zero dois” é que deve ser o candidato do PL à Presidência em 2026, na primeira manifestação explícita desde sua prisão. A estratégia é apostar no perfil considerado mais moderado e “previsível” de Flávio para unificar o partido e atrair setores econômicos, utilizando governadores aliados como palanque. Enquanto isso, Michelle Bolsonaro deve concorrer ao Senado pelo DF, e um partido de centro seria responsável pelo vice na chapa. A movimentação revela um projeto de poder familiar que busca se reerguer e confrontar o governo Lula, mesmo com seu principal líder detido por crimes contra a democracia.
Sem apoio do “centrão”

De acordo com fontes dos partidos que compõem o núcleo do “centrão”, a indicação de Flávio Bolsonaro como candidato presidencial do PL em 2026 não tem apoio do PP, do PSD e da União Brasil. A decisão, articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de dentro da carceragem, causou imediata rejeição entre os líderes dessas legendas, que se sentiram desconsiderados. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União-GO), além do presidente do PP, Ciro Nogueira, estão entre os nomes que se veem preteridos pelo movimento familiar. Publicamente, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, criticou a candidatura do “zero dois”, afirmando que “não será a polarização que construirá o futuro”. A resistência formaliza uma ruptura e indica que o campo de direita e centro-direita deve se fragmentar em várias candidaturas no primeiro turno.
Centrão resiste a Flávio

Conforme informações de parlamentares do centrão, a reunião convocada pelo PL na noite desta segunda-feira, 8 de dezembro, para discutir a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026 está sendo marcada por um vai-e-vem de confirmações que revela a frágil adesão ao projeto. Inicialmente, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, teriam confirmado presença, assim como o líder do Republicanos, Marcos Pereira (SP). No entanto, ao longo do dia, circularam cancelamentos de todos os nomes, exceto o do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sugerindo um total isolamento. O cenário de descoordenação só se reverteu parcialmente após consultas diretas, com Ciro Nogueira reafirmando sua presença no final da tarde. O episódio evidencia a resistência prática das legendas do “centrão”, que publicamente já haviam criticado a polarização representada por Flávio.
Leitura do Lindbergh

“A escolha do Flávio Bolsonaro é um movimento mais do que previsível da família. Sabem que é praticamente impossível derrotar o Lula, mas querem manter o protagonismo da oposição para o futuro”, provocou o líder do PT na Câmara, o paraibano Lindbergh Farias eleito no Rio de Janeiro (RJ), ao analisar a candidatura articulada pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro da prisão. A declaração sintetiza a leitura petista de que a movimentação familiar é um jogo de preservação de poder e narrativa, não uma tentativa realista de vitória. A avaliação se sustenta no contraste entre a instabilidade da pré-campanha de Flávio – que em 48 horas admitiu desistir, sob a condição de um “preço” a ser negociado – e a solidez dos números econômicos e sociais que embasam a projeção de reeleição de Lula.
Sem greve

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) comemorou a não adesão de caminhoneiros às paralisações “motivadas por manipulação política”. Segundo a entidade, a busca firme em “defesa da verdade da categoria profissional e da responsabilidade pública”, rejeitou qualquer movimento de cunho político e desinformado. Para a CNTTL, isso é resultado direto do trabalho em um momento sensível, posicionando-a como uma voz responsável e apartidária na representação dos interesses legítimos dos trabalhadores do setor de transportes perante a opinião pública. A CNTLL afirma que toda luta que importe a categoria será abraçada, mas em nenhum momento quaisquer movimentos políticos farão uso da categoria e da entidade:
Ponte e processo

Em meio a uma disputa judicial milionária, o Banco da Amazônia (BASA) vê sua defesa esbarrar em um erro processual considerado “grosseiro” pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. Ao interpor embargos de declaração julgados incabíveis, a instituição perdeu o prazo para recorrer de uma condenação definitiva que a obriga a pagar a incorporadora Franere. O trânsito em julgado ocorreu em julho de 2022, esgotando o prazo para uma ação rescisória em 2024. Mesmo assim, o Basa protocolou um novo pedido fora do prazo em novembro, buscando reabrir um caso já decidido. A manobra, considerada frágil e tardia, amplia o prejuízo do banco, que além da dívida original arca com custos advocatícios elevados em uma causa considerada perdida. A situação expõe uma tentativa desesperada de rediscutir o que já foi firmado pela justiça, configurando o que muitos no meio jurídico chamam de mero “direito de espernear”.




























