PSD em movimento

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, divulgou nota na última sexta-feira, 20 de fevereiro, em meio a rumores de rusgas com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o acordo para a vice na chapa à reeleição em 2026. Kassab elogiou os três pré-candidatos do partido à Presidência: Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior, e defendeu reformas como administrativa, voto distrital, fim da reeleição e idade mínima para tribunais superiores, sem mencionar diretamente a aliança estadual.
Desgaste e negociações
Nos bastidores, Tarcísio resiste a cumprir o acordo que daria a vice a Kassab, pressionado pelo bolsonarismo e por partidos como PL e MDB, que também cobiçam a vaga. O atual vice, Felício Ramuth (PSD), tenta se manter na chapa, mas enfrenta resistências. A nota de Kassab, ao exaltar o projeto nacional do PSD, sinaliza que o partido pode buscar alternativas caso seja preterido em São Paulo, inclusive com possível aproximação ao governo Lula.
Possível acordo nacional
A movimentação do PSD ocorre em meio a informações de bastidores sobre conversas entre Kassab e o Planalto para uma aliança nas eleições nacional e estadual. O partido, que possui três pré-candidatos competitivos, pode usar seu peso eleitoral como moeda de troca. Enquanto isso, Ramuth enfrenta investigação na Europa por suposta lavagem de dinheiro, o que fragiliza sua posição e aumenta a pressão sobre a chapa.
Ramuth na berlinda

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), é investigado por lavagem de dinheiro no principado de Andorra, na Europa. A justiça local bloqueou cerca de R$ 7,28 milhões em uma conta sua com a esposa, que teria recebido transferências internacionais de offshores entre 2009 e 2011, sem informação sobre a origem do dinheiro.
Defesa e omissões
Em nota, Ramuth negou irregularidades e afirmou ter esclarecido a origem lícita dos recursos em depoimentos e documentos entregues às autoridades de Andorra. Disse que o dinheiro é fruto de atividades privadas, sem especificar, anteriores à vida pública e foi declarado à Receita Federal. No entanto, o montante não consta na declaração de patrimônio entregue à justiça eleitoral para a eleição de 2022.
Impacto político
O caso fragiliza a posição de Ramuth na disputa pela vice na chapa de Tarcísio de Freitas em 2026. O bolsonarismo (PL) pressiona pela vaga, e partidos como o MDB também cobiça o posto. A investigação, ainda em fase preliminar, pode ser usada como argumento para substituí-lo, beneficiando as movimentações do PSD tanto de definir Kassab como novo vice, ou ser decisivo para um acordo nacional e estadual com o governo Lula.
Aliança Brasil-Índia

Durante a visita de Estado do presidente Lula à Índia, Brasil e Índia lançaram a Rede Aberta de Inteligência Planetária (OPIN), iniciativa que integra as agendas digital e climática para acelerar o desenvolvimento sustentável e a implementação do Acordo de Paris. A OPIN mobiliza a Infraestrutura Pública Digital (DPI) em benefício do Sul Global, dando continuidade aos marcos do G20 sob presidência indiana, em 2023, e brasileira, em 2024, e da 30ª Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30) de 2025.
Tecnologia a serviço do clima
Fundamentada em arquiteturas abertas, a OPIN apoiará a integração de informações climáticas em múltiplas escalas: monitoramento de emissões, sistemas de energia renovável, alertas precoces, créditos de carbono para produtores sustentáveis e mercados descentralizados de energia. A iniciativa busca transformar dados fragmentados em inteligência planetária orientada à ação, acelerando o financiamento e a tecnologia.
DPI como base
A Infraestrutura Pública Digital já demonstrou potencial transformador no Brasil (PIX) e na Índia (India Stack). Em escala global, a OPIN pretende criar uma camada compartilhada de inteligência para fortalecer a resiliência climática. Túlio Andrade, diretor da COP-30, afirmou que a iniciativa reflete a integração das transições digital e climática em uma agenda planetária, convidando parceiros do Sul Global a colaborar.
Acordo Mercosul-UE

Para o Movimento Brasil Competitivo (MBC), o acordo de parceria entre o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) com a União Europeia (UE), assinado em janeiro de 2026, representa um “avanço estratégico para o comércio bilateral após décadas de negociações”. Para o Brasil, o tratado “promove maior acesso ao mercado europeu, estabilidade jurídica para investimentos e reforça o compromisso com o multilateralismo”.
Números do comércio
A UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de R$ 520 bilhões em 2025, o que representa 16% do total. As exportações brasileiras somaram quase R$ 259 bilhões, lideradas por combustíveis e café, que representam 22% e 14,7%. As importações atingiram quase R$ 262 bilhões, com destaque para máquinas e produtos farmacêuticos, que representam 25,4% e 15,1%.
Tarifas e impactos
A negociação prevê abertura gradual: o Mercosul eliminará 91% de sua pauta em até 15 anos, enquanto a UE retirará 93% em até 10 anos, garantindo adaptação do mercado doméstico. Para o MBC, o acordo deve fomentar a modernização do parque industrial e ampliar a diversificação de parcerias.
Contribuição relevante

O senador Jorge Seif (PL-SC) indicou a professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, para a Comenda Nise Magalhães da Silveira em 2026. A honraria do Senado Federal reconhece contribuições relevantes para o avanço de técnicas e práticas de tratamento humanizado na saúde brasileira. O resultado da premiação será divulgado no final do mês. “É o reconhecimento da capacidade de transformar vidas com ética, compromisso e sensibilidade”, afirmou Seif.
Pesquisa inédita
A dra. Tatiana Sampaio dedicou quase três décadas à pesquisa da polilaminina, molécula desenvolvida no Brasil com resultados inéditos na regeneração neural e recuperação funcional de pessoas com lesões na medula espinhal. Em testes preliminares, a substância contribuiu para que seis pacientes tetraplégicos recuperassem movimentos, alguns voltaram a andar, algo considerado improvável até então.
Ciência brasileira
Professora e chefe de laboratório na UFRJ, Tatiana coordena pesquisas voltadas à recuperação de tecidos do sistema nervoso central, com foco na reconstrução de circuitos neurais interrompidos por trauma. Seif destacou que o trabalho da cientista coloca o Brasil na vanguarda de avanços que até pouco tempo se julgavam impossíveis, reacendendo esperança para milhares de famílias.
Parlasul aprova acordo

A representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou nesta terça-feira, 24 de fevereiro, de forma simbólica, o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A sessão foi conduzida pelo vice-presidente da Representação e presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que classificou o momento como “histórico” e defendeu a urgência da matéria diante do novo cenário internacional.
Pressão e setores sensíveis
Trad destacou que a aprovação representa resposta estratégica à escalada tarifária dos Estados Unidos e à necessidade de diversificação de mercados. No âmbito da CREDN, o senador criou um Grupo de Trabalho (GT) para analisar os mais de quatro mil itens do acordo e acompanhar a implementação, com atenção especial a setores sensíveis como o do leite. As demandas foram levadas ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e aos ministérios da Agricultura e Relações Exteriores.
Próximos passos
Com a aprovação no Parlasul, o texto segue para o plenário da Câmara dos Deputados, onde o presidente da Casa já indicou um relator, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), e sinalizou prioridade. Depois, a matéria será analisada pelo Senado. Trad demonstrou otimismo quanto à ratificação até março, lembrando que Argentina e Uruguai já avançaram na tramitação.
Avanço na segurança alimentar

O Censo Sisan 2025 revela avanço consistente na política de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nos municípios brasileiros. Em 2018, apenas 36,6% das cidades possuíam estrutura organizacional dedicada ao tema. Em 2024, o percentual saltou para 51%, atingindo 2.826 municípios. O crescimento é de cerca de 14 pontos percentuais, indicando a retomada da coordenação nacional e da indução federativa.
Conselhos e leis
As instâncias de participação social também se fortaleceram: os conselhos municipais de SAN passaram de 36,4%, em 2018, para 51,4%, em 2024, alcançando 2.851 municípios. As Câmaras Intersetoriais (Caisan) mais que dobraram, de 11,2% para 24,5%, e as leis municipais de SAN avançaram de 20,9% para 36,3% no mesmo período, consolidando a base legal da política.
20 anos do Sisan
O relatório, baseado no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, da Família e Combate a Fome (MDS), chega no ano que o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) completa 20 anos. Para a secretária Valéria Burity, os dados mostram a reconstrução das capacidades institucionais e a transformação concreta na vida das famílias brasileiras.
Agro debate acordo

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reuniu-se nesta terça-feira, 24 de fevereiro, com o deputado Marcos Pereira, relator do acordo Mercosul com a União Europeia na Câmara, para tratar dos impactos do tratado no setor produtivo. A FPA reconhece o potencial de abertura de mercados, mas defende mecanismos efetivos de defesa comercial para garantir equilíbrio e previsibilidade ao produtor.
Cautela com a UE
O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que o acordo “não pode tirar a capacidade do produtor brasileiro de dominar mercados”. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para salvaguardas com “régua muito baixa” que podem suspender benefícios tarifários e afetar cadeias relevantes. Ela sugeriu que o Congresso avalie o calendário de votação em conjunto com outros instrumentos, como o acordo Mercosul com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), assinado em setembro de 2025.
Relator promete ação
Marcos Pereira avaliou que o acordo é importante e tende a incrementar a economia, mas reconheceu a necessidade de proteger o setor produtivo. Comprometeu-se a trabalhar na construção de contramedidas e regras internas para resguardar os produtores. A expectativa é que a proposta avance para deliberação no plenário da Câmara ainda nesta semana, com o relator afirmando que cuidará para que o setor não seja prejudicado.
Pereira condiciona acordo

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), e o relator do acordo Mercosul com a União Europeia na Câmara, deputado Marcos Pereira, defenderam a aprovação do tratado, mas cobraram reciprocidade e regras que não prejudiquem a competitividade do agro brasileiro.
Salvaguarda de 5%
A principal preocupação é a salvaguarda europeia que pode limitar a 5% o crescimento das exportações agrícolas. Lupion alertou que o percentual fica abaixo do avanço já registrado por produtos como milho, carne bovina e açúcar, abrindo espaço para investigações e novas barreiras comerciais. O setor teme que mecanismos de defesa comercial acionados por gatilhos baixos prejudiquem cadeias produtivas relevantes.
Fala de Pereira
Marcos Pereira reforçou que o parlamento brasileiro pode ratificar ou não o acordo e que seguirá atuando para que as preocupações do setor produtivo sejam contempladas. O relator afirmou que trabalhará na construção de contramedidas e regras internas para resguardar os produtores, garantindo segurança ao processo.
Acordo com ressalvas

O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), autor do pedido de vista que suspendeu a votação do acordo Mercosul com a União Europeia na representação brasileira no Parlasul em 11 de fevereiro, votou favoravelmente ao tratado nesta terça-feira, 24, mas fez questão de registrar críticas.
Críticas registradas
Renildo defendeu a construção de uma verdadeira agenda brasileira para enfrentar o livre-comércio com planejamento, fortalecimento da indústria e foco no desenvolvimento nacional. Segundo ele, faltou no debate público ênfase sobre como o Brasil vai impedir que sua indústria perca ainda mais espaço diante da concorrência europeia.
Desafio estratégico
O voto favorável veio acompanhado do alerta de que é preciso transformar o acordo em oportunidade e dar um salto no desenvolvimento, destacando que mais do que um simples “sim” ou “não”, o país precisa de estratégias claras para proteger sua base industrial e garantir que os benefícios comerciais não se restrinjam ao setor agroexportador.




























