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Barreiras de China e Europa ameaçam exportações de carne bovina do Brasil

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A carne bovina brasileira enfrenta um novo cenário de pressão no mercado externo, com restrições impostas por dois dos principais destinos do produto. A Noruega anunciou que seguirá a União Europeia e suspenderá as importações a partir de 3 de setembro, enquanto a China limita os embarques por meio de uma cota e aplica sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. As medidas podem reduzir os abates nos frigoríficos e pressionar o preço pago ao pecuarista.

A restrição europeia está ligada às novas exigências sobre o uso de antimicrobianos e à necessidade de rastrear o animal desde o nascimento até o abate. No primeiro semestre, a UE importou 51,2 mil toneladas de carne brasileira por R$ 2,31 bilhões, com preço médio próximo de R$ 45 mil por tonelada, acima da média de R$ 29,5 mil dos demais mercados. A Noruega, embora tenha comprado apenas 279 toneladas em 2025, amplia a preocupação sobre possíveis novos bloqueios.

Na China, o impacto potencial é maior. O país estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas com tarifa regular de 12%; acima desse limite, a cobrança total chega a 67%. Os chineses já haviam comprado 794,7 mil toneladas no primeiro semestre, equivalentes a 72% da cota, enquanto os Estados Unidos, outro grande mercado, também estão sujeitos a uma cota própria. Com menos espaço nos principais destinos, cerca de 600 mil toneladas podem precisar ser direcionadas a outros compradores.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, o governo precisa acelerar as negociações e adequações exigidas pelos compradores. “O Brasil precisa apresentar rapidamente as garantias exigidas pela União Europeia, negociar uma cota maior com a China e preservar o espaço conquistado nos Estados Unidos. Não podemos esperar as barreiras atingirem a fazenda para começar a agir”. Ele defende ainda a abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul e alerta que, sem reação rápida, a redução das compras externas poderá ser repassada ao produtor por meio da queda no preço da arroba.

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