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Após ter pedido de cassação apresentado contra seu mandato, Glauber acusa relator de ter sido beneficiado pelo “orçamento secreto”

Glauber Braga confronta Paulo Magalhães após o parlamentar baiano pedir a sua cassação no Conselho de Ética. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

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Parlamentar do PSOL fluminense chamou o parecer de Paulo Magalhães de “vergonhoso” por ser feito após uma articulação para que seu processo possa ser votado em conjunto com o pedido de cassação do mandato de um dos acusados de mandar matar Marielle Franco. 

 

Por Humberto Azevedo

 

Após ter o pedido de cassação apresentado contra o seu mandato na manhã desta terça-feira, 2 de abril, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) acusou o relator do seu processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), de ter sido beneficiado pelo “orçamento secreto” definido e estabelecido pelo ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira.

 

O parlamentar do PSOL fluminense chamou o parecer de Paulo Magalhães de “vergonhoso” por ser feito, segundo ele, após uma articulação para que seu processo seja votado em conjunto com o pedido de cassação do mandato do deputado Chiquinho Brazão (Sem Partido-RJ), e um dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), em 2018. 

 

“O relator se orgulha em dizer, se orgulha, que é contra a cassação de colegas. E isso faz então com que ele justifique o voto abstenção em relação à cassação do sr. Chiquinho Brazão. Eu estou do lado do relator que disse que não gosta de cassar colegas e por isso se absteve em relação à cassação do Sr. Chiquinho Brazão. Eu aproveito para dizer que há bastante tempo também já falavam para mim de uma articulação para botar no mesmo período, no plenário da Câmara dos Deputados, a votação da cassação do sr. Chiquinho Brazão junto com a minha cassação para que isso gerasse algum tipo de desconforto em parlamentares ou na mobilização da esquerda”, afirmou Braga olhando para o parlamentar baiano, sobrinho do ex-senador e ex-governador Antonio Carlos Magalhães.

 

“Conosco não vai funcionar. A memória, a vida, e a luta de Marielle está acima de qualquer articulação que pudesse se preocupar mais com o nosso mandato do que com aquilo que ela deixou de esperança, de vida para que a gente possa superar essa realidade apodrecida da política brasileira. Agora é uma vergonha — isso eu tenho que dizer — que até este tipo de articulação se faça de uma maneira tão pequena, para dizer o mínimo”, continuou o parlamentar do PSOL.

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ORÇAMENTO SECRETO

 

“Chiquinho Brazão, casos de corrupção, deputado que deu um soco em um sindicalista em uma comissão, deputados envolvidos na tentativa de golpe [de Estado] do dia 8 [de janeiro de 2023], deputada que conclamou os generais a darem um golpe de Estado e correu atrás de uma pessoa com uma pistola na rua, que está sendo condenada [pelo Supremo Tribunal Federal (STF)] fora do espaço institucional do Congresso, mas que aqui” no Conselho de Ética não tiveram abertos processos disciplinares por quebra de decoro e “quem deve ser condenado é o parlamentar que denunciou o sr. Arthur Lira, o seu esquema do orçamento secreto e aquele que defendeu a honra da sua mãe contra um minibandido pago pelo MBL”, disparou Glauber Braga.

 

“Agora vamos ao caso do deputado: cruzamento de dados, lista suspensa pelo sr. ministro do STF, Flávio Dino, no final do ano passado, 4 bilhões de reais… Deputado Paulo Magalhães, o senhor sabe quem foi o deputado mais votado do município de Ituaçu? Foi o senhor. Do município de 11 mil habitantes, ele teve 5 mil votos na cidade. E, na lista suspensa por Flávio Dino, havia duas emendas de orçamento secreto de mais de R$ 2 milhões”, continuou Braga.

 

“Em Belo Campo foram mais de R$ 2 milhões na lista de orçamento secreto indicado pelo deputado; em Presidente Jânio Quadros, mais R$ 2,49 milhões de orçamento secreto indicado pelo relator; em Itaju do Colônia, mais R$ 1,29 milhão de orçamento secreto indicado pelo relator. Isso está numa lista só — em uma lista só! Em Anagé, há mais emenda de orçamento secreto indicado pelo Relator. Está aqui a lista”, completou.

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DESAFIO

 

Glauber Braga desafiou Paulo Magalhães a provar que as emendas do orçamento secreto apontadas como dele não são dele.

 

Eu não estou lutando contra o que é o relatório aqui feito pelo Deputado Paulo Magalhães. Eu estou lutando contra a compra de apoio político, que já estava pré-datada, pré-fixada a partir daquilo que ele indicou de orçamento secreto em articulação com o sr. presidente Arthur Lira nessas cidades. Eu desafio o relator a dizer que não foi ele quem fez a indicação desses recursos de orçamento secreto em pacto com o ex-presidente da Câmara”, afirmou provocativamente.

 

“Desde o primeiro momento, em todas as reuniões do Conselho de Ética, em absolutamente todas, havia a presença de gente dando apoio, de gente dizendo: ‘vai para cima! Não recua!’, desde o início. (…) E eu termino por minha mãe, porque há uma coisa que ela dizia muito e que minha avó dizia a ela sempre que a gente estava angustiado com alguma coisa que havia acontecido, mas tinha consciência de que estava sofrendo a consequência por ter agido corretamente. Ela dizia: ‘meu filho, ninguém perde por agir corretamente’”, emendou.

 

“Você pode ter uma perda imediata, algo que parece ser uma perda. Você pode ter a celebração ou a comemoração dos seus algozes. Eu termino esse processo com o coração tranquilo, com o espírito de luta, porque eu não vou parar por aqui. Não devo a nenhum daqueles que achavam que eu ia beijar a mão ou ser enquadrado em um único favor — e me orgulho disso”, finalizou.

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