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ENTREVISTA DA SEMANA

Amor, maturidade e os novos caminhos dos relacionamentos

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Em um cenário em que os casamentos estão mudando, os divórcios ganhando novos significados e a maturidade emocional se tornando essencial para relações saudáveis, a advogada e professora de Direito Luciana Zamproni Branco, do escritório Zamproni & Silva Advogados, analisa como a pandemia, o envelhecimento e o autoconhecimento estão redesenhando o amor. Na entrevista a seguir, ela fala sobre separações, crises conjugais, hormônios, autoestima e o papel da mulher nesse novo tempo.

 

Confira:

RDM Online — A maioria dos divórcios ainda parte das mulheres?

Luciana: Nem sempre. Muita gente acredita nisso, mas hoje vemos decisões mais equilibradas. O que existe, principalmente no pós-pandemia, é uma mudança de consciência. As pessoas passaram a refletir mais sobre o que querem e sobre o que não estão mais dispostas a aceitar dentro de uma relação.

 

RDM Online — A pandemia abalou os casamentos?

Luciana: Abalou bastante. Houve uma crise importante naquele período, porque as pessoas foram obrigadas a conviver mais, olhar para dentro da relação e encarar conflitos que antes eram ignorados. Mas, curiosamente, depois disso vemos mais casamentos e, proporcionalmente, menos divórcios. As relações ficaram mais conscientes.

 

RDM Online — As pessoas estão se casando mais tarde?

Luciana: Sim. Hoje é comum alguém se casar com 25, 30 ou até mais. Isso traz mais maturidade emocional. Mesmo assim, não existe idade certa: o que importa é o preparo psicológico para dividir a vida com alguém.

 

RDM Online — Existe um “perfil” de quem se divorcia?

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Luciana: Há dois extremos. Casais que se separam depois de muitos anos, quando o desgaste se acumula, e aqueles que se divorciam logo no início, geralmente por expectativas irreais ou falta de maturidade emocional.

 

RDM Online — As mudanças hormonais influenciam os relacionamentos?

Luciana: Muito. Muitas mulheres chegam fragilizadas, inseguras, sem se reconhecer. Isso impacta diretamente o casamento. Quando se cuida da saúde hormonal, inclusive com reposição quando indicada, a autoestima melhora, o humor muda e a relação também se transforma.

 

RDM Online — O que ajuda a mulher a atravessar melhor essa fase?

Luciana: Movimento e autocuidado. Atividade física muda tudo. Caminhada, sol, alimentação, sono. Eu mesma, aos 48 anos, comecei a praticar beach tênis com meu marido, e isso fortaleceu não só minha saúde, mas também nossa conexão.

 

RDM Online — As redes sociais atrapalham os relacionamentos?

Luciana: Muito. As pessoas se comparam com vidas irreais, com casais perfeitos que não existem de verdade. Isso gera frustração, ansiedade e a sensação de que a própria vida é insuficiente. É preciso aprender a filtrar o que se consome, principalmente à noite, para proteger a saúde mental e emocional.

 

RDM Online — Qual é o maior conselho para quem vive uma crise no casamento?

Luciana: Procure ajuda. Médica, psicológica, emocional. Antes de tentar consertar o outro ou a relação, é preciso se cuidar. Quando você se fortalece, tudo ao redor muda. Às vezes, a relação melhora. Em outras, você entende que precisa seguir outro caminho — e tudo bem.

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RDM Online — O que mudou no jeito de viver depois da pandemia?

Luciana: As pessoas passaram a valorizar mais o simples. Estar em casa, jantar juntos, conversar, ouvir música. Antes tudo girava em torno de sair, gastar, aparecer. Hoje muita gente percebe que paz, presença e conexão valem muito mais.

 

RDM Online — Como você define um relacionamento saudável?

Luciana: É aquele em que duas pessoas crescem juntas, mas também aprendem a ser felizes sozinhas. Não é sobre dependência, é sobre parceria.

 

RDM Online — O amor, hoje, é diferente do que era no passado?

Luciana: Sim, e isso é positivo. Hoje as pessoas querem mais verdade, mais respeito e menos tolerância ao que machuca. O amor deixou de ser apenas obrigação e passou a ser escolha diária. Amar, hoje, é dividir a vida sem se anular.

 

RDM Online — Que mensagem você deixa para quem está passando por um momento difícil na vida afetiva?

Luciana: Que ninguém está atrasado para ser feliz. Seja aos 20, 40 ou 60 anos, sempre é tempo de recomeçar, de se cuidar, de se valorizar. Quando a gente se coloca em primeiro lugar, a vida — e o amor — acabam encontrando um jeito de florescer de novo.

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