O PL chega à eleição de 2026 como a força política mais robusta de Santa Catarina. Tem o governador Jorginho Mello buscando a reeleição, duas candidaturas competitivas ao Senado, com Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, e uma nominata proporcional construída para ampliar a presença do partido na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Na convenção de 1º de agosto, realizada na Arena Opus, em São José, o partido homologou 17 candidatos a deputado federal e 41 candidatos a deputado estadual, exatamente o limite máximo permitido para as duas disputas em Santa Catarina.
Mas tamanho de nominata não significa automaticamente número de cadeiras. E esse é o primeiro ponto que a Sobretudo precisa colocar na mesa. O PL tem força eleitoral para eleger uma das maiores bancadas do Estado, mas também montou uma chapa em que muitos candidatos fortes disputarão os mesmos territórios, os mesmos segmentos ideológicos e, em alguns casos, praticamente o mesmo eleitor. A pergunta, portanto, não é apenas quantos votos o PL terá. É como esses votos serão distribuídos.
Na Câmara Federal, a mudança mais importante foi a saída de Caroline de Toni e Daniela Reinehr da disputa proporcional para o Senado. Ao mesmo tempo, o partido incorporou nomes que aumentam a densidade da nominata, entre eles o deputado estadual Sargento Lima e Jair Renan Bolsonaro, além de candidatos com atuação regional. A nominata parte, portanto, de uma combinação de parlamentares com mandato, ex-parlamentares, lideranças regionais e nomes que carregam forte identificação com o bolsonarismo. O partido chegou a trabalhar publicamente com a expectativa de conquistar entre seis e sete cadeiras federais, enquanto análises anteriores apontavam seis ou sete como uma possibilidade concreta.
FEDERAL: QUEM ESTÁ REALMENTE NO JOGO
Júlia Zanatta chega como um dos nomes de maior densidade eleitoral do PL. Tem mandato federal, forte presença no Sul e projeção nacional dentro do campo conservador. Seu desempenho anterior, sua exposição e a capacidade de mobilização fazem dela uma das candidaturas que a própria chapa precisa considerar como puxadora de votos. Potencial: muito alto.
Daniel Freitas é outro nome que parte de uma posição privilegiada. Tem mandato, forte inserção no Sul e histórico eleitoral expressivo. A disputa pela liderança regional, entretanto, será mais complicada porque o PL concentra na região candidatos de grande peso. Ainda assim, pela estrutura acumulada, permanece no grupo dos favoritos. Potencial: muito alto.
Sargento Lima talvez seja uma das candidaturas mais interessantes da nominata. Sua migração da disputa estadual para a Câmara muda o equilíbrio interno da chapa. Ele obteve cerca de 71 mil votos na eleição para deputado estadual de 2022 e possui forte identificação com Joinville e o Norte do Estado. A questão agora é saber quanto dessa votação pode ser ampliada em uma disputa estadualizada. Potencial: alto.
Zé Trovão possui uma vantagem que poucos candidatos têm: reconhecimento nacional. Seu eleitorado, porém, é menos concentrado territorialmente, o que pode ser vantagem ou problema. Se conseguir transformar notoriedade digital em estrutura municipal, permanece muito competitivo. Se depender apenas do eleitorado bolsonarista espontâneo, a disputa pode ser mais apertada. Potencial: alto.
Ricardo Guidi acrescenta ao PL uma base política construída no Sul e experiência eleitoral e parlamentar. Sua entrada no partido alterou a composição da direita na região e o coloca em uma disputa direta por espaço com nomes como Júlia Zanatta e Daniel Freitas. Não é um candidato que precise ser apresentado ao eleitor, mas precisará preservar seu território político. Potencial: alto.
Jair Renan Bolsonaro é o caso mais difícil de projetar. O sobrenome oferece reconhecimento imediato e capacidade de mobilização, mas esta será sua primeira disputa para deputado federal em Santa Catarina. Ele tem uma base política em Balneário Camboriú construída a partir do mandato de vereador, mas ainda precisa provar capacidade de transformar o sobrenome em votação estadual. É justamente por isso que sua candidatura não deve ser subestimada nem superestimada. Potencial: competitivo, com teto ainda difícil de medir.
Marcelo Reis representa outro tipo de aposta. Ex-presidente do CRM-SC e com trajetória na área da saúde, entra como candidato capaz de explorar um segmento profissional específico e uma agenda que pode alcançar diferentes regiões. É uma candidatura que dependerá muito mais da capacidade de expansão durante a campanha do que de uma base eleitoral pré-construída. Potencial: competitivo.
O ponto mais interessante da chapa federal é que o PL não depende de um único puxador. Júlia, Daniel, Lima, Zé Trovão e Guidi possuem, cada um à sua maneira, capacidade de produzir votação relevante. Isso é uma vantagem para o partido, mas cria um problema para os próprios candidatos: quanto mais forte a chapa, maior a competição interna.
ESTADUAL: A CHAPA QUE PODE PRODUZIR A MAIOR BANCADA
Na Assembleia, o PL parte de uma estrutura particularmente forte. Entre os nomes conhecidos e competitivos estão Ana Campagnolo, Jessé Lopes, Marcius Machado, Carlos Humberto, Ivan Naatz, Oscar Gutz, Estêner Soratto, Edilson Massocco, Ulisses Gabriel, Guilherme Colombo, Onir Mocellin e Dalvania Cardoso, entre outros nomes que compõem a nominata homologada. O quadro atual também precisa ser lido à luz das mudanças partidárias: Nilso Berlanda, por exemplo, deixou o PL e migrou para o PSD, razão pela qual não pode ser contado na nominata liberal de 2026.
Ana Campagnolo é um dos nomes mais fortes da chapa estadual. Tem mandato, enorme reconhecimento dentro do eleitorado conservador e uma presença digital que extrapola seu principal reduto. É uma das candidaturas com maior capacidade de produzir voto próprio. Potencial: muito alto.
Jessé Lopes também parte de uma posição privilegiada. Tem mandato, forte identificação ideológica e base consolidada no Sul. A questão para 2026 será ampliar a votação sem depender exclusivamente de Criciúma e região. Potencial: alto.
Marcius Machado possui uma característica diferente. Sua força está muito associada à Serra e a uma construção regional consistente. Em uma eleição proporcional, ter um território relativamente bem dominado pode ser tão importante quanto possuir grande exposição estadual. Potencial: alto.
Carlos Humberto entra na disputa com a vantagem de uma base construída no Litoral Norte e experiência parlamentar. A capacidade de transformar sua presença regional em votação suficiente para superar a concorrência interna será determinante. Potencial: alto.
Ivan Naatz é outro nome que merece atenção. Sua trajetória política, especialmente em Blumenau e no Vale do Itajaí, lhe dá uma base própria. O desafio é transformar reconhecimento regional em uma votação estadual capaz de acompanhá-lo até a linha de chegada. Potencial: competitivo/alto.
Edilson Massocco representa a força municipalista do Oeste. Sua atuação parlamentar e a rede construída na região podem ser decisivas em uma chapa que precisa distribuir votos territorialmente. Potencial: competitivo/alto.
Estêner Soratto tem no Sul seu principal ativo eleitoral e pode ocupar espaço importante na composição regional da chapa. Potencial: competitivo/alto.
Oscar Gutz é um nome que não deveria ser ignorado. A votação regional e a estrutura construída ao longo do mandato o colocam no grupo que pode disputar uma das últimas vagas. Potencial: competitivo.
Ulisses Gabriel, Guilherme Colombo, Dalvania Cardoso e Onir Mocellin entram em outra categoria: são candidaturas que podem surpreender dependendo da capacidade de mobilização regional e da distribuição dos votos da chapa. Não devem ser colocadas automaticamente entre os favoritos, mas também seria um erro tratá-las como meramente figurativas.
O PROBLEMA QUE A PESQUISA NÃO MOSTRA
O PL pode ser o partido mais forte de Santa Catarina e, ainda assim, produzir uma eleição extremamente dura dentro de suas próprias fileiras.
A razão é matemática.
O partido pode eleger muitos deputados, mas cada cadeira exige que a nominata produza uma determinada quantidade de votos. Os candidatos mais fortes puxam o quociente para cima, mas também comprimem o espaço dos demais. Por isso, a pergunta relevante não é “quem é mais famoso?”. É quem consegue transformar fama, estrutura e território em voto efetivo.
Essa diferença explica por que alguns candidatos conhecidos podem ficar de fora enquanto nomes menos comentados conseguem entrar.
E HÁ UM SEGUNDO PROBLEMA: O SENADO
A candidatura de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado alterou profundamente a dinâmica interna do PL. Caroline deixa de disputar uma vaga na Câmara e passa a ser uma das principais apostas do partido para uma das duas cadeiras. Carlos Bolsonaro, por sua vez, acrescenta uma dimensão nacional à eleição catarinense, mas sua candidatura também provocou resistência dentro da própria direita do Estado. A tensão ficou visível nos últimos dias: enquanto Caroline pediu união da direita em evento oficial do PL, Ana Campagnolo realizou uma agenda própria em Florianópolis, evidenciando que a unidade do partido ainda enfrenta dificuldades.
Isso interessa diretamente à nominata proporcional.
Uma campanha forte para o Senado pode puxar votos para a legenda e beneficiar candidatos proporcionais. Mas também pode concentrar a atenção, os recursos e a mobilização em poucos nomes. O equilíbrio entre as campanhas majoritária e proporcional será, portanto, decisivo.
NOSSA PROJEÇÃO
Com os dados disponíveis e considerando a força atual da legenda, a composição da chapa, o histórico eleitoral e a distribuição regional dos principais candidatos, a Sobretudo trabalha hoje com uma projeção de 6 a 7 deputados federais eleitos pelo PL, com possibilidade de chegar ao topo desse intervalo se a campanha de Jorginho Mello mantiver alta capacidade de mobilização e o partido conseguir transformar sua força majoritária em voto proporcional.
Na Assembleia Legislativa, nossa projeção preliminar é de 12 a 15 cadeiras para o PL, com o partido novamente em condições de formar a maior bancada da Casa. O próprio comando partidário já trabalha publicamente com a meta de chegar a 15 deputados estaduais.
Mas há uma ressalva importante: não consideramos essas projeções como previsão matemática do resultado. Elas são uma leitura eleitoral da fotografia atual. A campanha, o desempenho dos candidatos, a distribuição territorial dos recursos, o voto útil e principalmente a capacidade de transferência de força da chapa majoritária podem alterar substancialmente esses números.
QUEM ESTÁ DENTRO HOJE?
Na nossa leitura, na Câmara Federal, Júlia Zanatta e Daniel Freitas aparecem no grupo de maior segurança eleitoral. Sargento Lima, Zé Trovão e Ricardo Guidi formam um segundo bloco de alta competitividade. Jair Renan Bolsonaro e Marcelo Reis aparecem entre os nomes que podem alterar a fotografia durante a campanha.
Na Alesc, Ana Campagnolo, Jessé Lopes e Marcius Machado partem muito fortes, enquanto Carlos Humberto, Ivan Naatz, Edilson Massocco, Estêner Soratto e Oscar Gutz estão no grupo que pode disputar diretamente as vagas seguintes. A grande disputa estará justamente na fronteira entre esse segundo grupo e os candidatos que podem crescer durante a campanha.
O QUE PODE MUDAR ESSA PROJEÇÃO?
Três fatores.
Primeiro, o desempenho de Jorginho Mello. Quanto mais forte for sua candidatura ao governo, maior tende a ser a capacidade do PL de transformar o voto majoritário em voto proporcional.
Segundo, a disputa pelo Senado. Caroline de Toni tem forte capacidade de mobilização e pode funcionar como uma importante âncora eleitoral da legenda. Já a candidatura de Carlos Bolsonaro possui enorme capacidade de gerar atenção, mas também enfrenta resistência dentro do próprio campo político. O evento de lançamento da campanha deste domingo mostrou que o problema não está totalmente resolvido.
Terceiro, a guerra interna pelas regiões. O PL tem muitos candidatos fortes. Se eles conseguirem distribuir seus votos pelo Estado, o partido maximiza suas cadeiras. Se vários candidatos concentrarem força nos mesmos territórios, haverá desperdício relativo de votação e a disputa interna ficará ainda mais dura.
PONTO DE VISTA
O PL chega a 2026 com uma vantagem que nenhum outro partido pode ignorar: possui governo, estrutura, capilaridade e uma nominata proporcional muito competitiva. Mas essa mesma força cria seu maior desafio. O partido terá de administrar uma disputa interna entre candidatos que, em alguns casos, competem pelo mesmo eleitor.
A grande pergunta não é se o PL terá uma bancada forte. Tudo indica que terá.
A pergunta é até onde essa força poderá chegar sem ser consumida pela própria competição interna.
E existe uma ironia interessante nessa eleição: o PL pode conquistar mais cadeiras justamente se conseguir fazer com que seus candidatos entendam que, antes de serem adversários entre si, precisam funcionar como uma única máquina eleitoral.
A PERGUNTA QUE FICA
O PL pretende eleger a maior bancada possível. Mas, quando uma legenda reúne tantos candidatos competitivos, a força coletiva pode se transformar em uma guerra particular por território, voto e estrutura.
Será que o maior adversário de alguns candidatos do PL em 2026 estará fora da legenda ou sentado na mesma mesa de convenção?
Essa é a eleição que começa agora. E, dentro do PL, ela será tão disputada entre os próprios aliados quanto contra os adversários.
Amanhã, 18/08, seguimos com a radiografia do União Progressista (União Brasil + Progressistas).






















