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“A Câmara de Vereadores de Rondonópolis é a caixa de ressonância da sociedade”

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Por Denilson Paredes

Vereador de primeiro mandato, o advogado Ângelo Bernardino de Mendonça Júnior, popularmente conhecido apenas como Júnior Mendonça, eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), é uma das revelações da política rondonopolitana recente. Ele surgiu na política local em 2016, quando disputou pela primeira vez a vereança ainda pelo Solidariedade, quando ficou na primeira suplência, se elegendo na eleição seguinte, de 2020, já pelo PT.

Nascido em Rondonópolis e hoje com 43 anos, Mendonça logo que assumiu o mandato parlamentar municipal já mostrou se tratar de um político articulado e formou um grupo com outros vereadores, que ficou conhecido como G14, grupo que como a sigla já denuncia, aglutinava 14 dos 21 vereadores rondonopolitanos e tinha a intenção de antecipar a eleição da Mesa Diretora e conduzir o petista à presidência do Legislativo, o que depois de algumas idas e vindas, acabou de fato acontecendo.

Uma voz progressista na política predominantemente conservadora da cidade mais importante do interior do estado de Mato Grosso e um dos nomes que começam a ganhar força para a eleição municipal de 2024 e no cenário estadual, Júnior Mendonça recebeu nossa equipe de reportagem em seu gabinete para uma entrevista em que traça um panorama da política local e fala dos trabalhos do Legislativo.

Confira:

Como o senhor analisa o trabalho do Parlamento Municipal de Rondonópolis? Qual a sua marca?

A Câmara de Vereadores de Rondonópolis, que é a caixa de ressonância da sociedade, tem como marca primordial ouvir a demanda do munícipe e enfrentar com galhardia e coragem as demandas da sociedade rondonopolitana. E, com certeza absoluta, temos conseguido cumprir com esse papel. A gente não tem se furtado ao debate no campo das ideias e com certeza temos entregado ao cidadão rondonopolitano aquilo que ele necessita e merece.

Como o senhor se situa diante da grande polarização política e ideológica do Brasil, de Mato Grosso e de Rondonópolis?

Essa polarização existe, mas eu acho que o debate tem que ser no campo das ideias. A gente não pode ficar aí arrastando um terceiro turno, que nunca existiu no Estado Democrático de Direito. Eu me situo como dentro do espectro político da esquerda, mas sendo um político que quer e precisa ouvir todas as partes da sociedade para conseguir corretamente o Legislativo.

Percebe-se uma ascensão de uma extrema direita na cidade nos últimos anos. Isso de alguma forma interfere ou interferiu nos trabalhos da Câmara?

De forma nenhuma. A gente tem uma relação muito exitosa com toda a classe política, ouvimos todas as ideias, acatamos as que estiverem em consonância com os anseios populares e da sociedade. E temos tocado o Legislativo com independência, com firmeza e bastante primor pelo Estado Democrático de Direito. Temos o orgulho de podermos dizer que conduzimos um Legislativo plural e participativo.

Qual a sua avaliação desse início de governo Lula?

É um governo que vem com um ponto de vista diametralmente oposto em relação ao antigo governo e sempre que há essa inversão de ponto de vista, a gente precisa dar tempo. As políticas públicas importantes já foram implementadas, mas mais certamente ainda serão implementadas e a gente acredita que no frigir dos ovos, no decorrer do processo de gestão desse mandato, o presidente Lula vai conseguir entregar aos trabalhadores e trabalhadores aquelas pautas que eles tanto precisam, que eles necessitam e merecem. Ele (Lula) inclusive já esteve este ano em Rondonópolis. Recebemos ele na entrega do Celina Bezerra (conjunto habitacional com apartamentos voltados para famílias de baixa renda), conversei com o presidente Lula, tirei fotografia com ele. E a preocupação dele é de fato melhorar as condições de moradia, de emprego, renda, comida para o trabalhador.

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E qual a sua avaliação do governo Mauro Mendes?

O governo Mauro Mendes tem avançado com bastante propostas, tem feito algumas políticas públicas interessantes, sobretudo para o setor do agronegócio. Todavia, no que diz respeito às políticas públicas voltadas ao trabalhador e à trabalhadora, voltadas às necessidades dos menos abastados, tem deixado a desejar. Mas a gente acredita que todos nós da política mato-grossense estaremos reunindo esforços para que seja superado isso e o trabalhador e a trabalhadora recebam a valorização que necessita e merece.

E com relação ao prefeito José Carlos do Pátio, como o senhor avalia sua gestão?

O prefeito Zé do Pátio é um trabalhador, ele é um homem público extremamente habilidoso, que conta com dez mandatos políticos seguidos e ele é muito trabalhador, trabalha muito. Ele tem uma sensibilidade para o clamor popular muito forte e trabalha muito pelo social. Mas muito mesmo. E a administração dele tem conseguido colocar esses princípios em prática. Com certeza ele é aliado dos mais pobres, dos trabalhadores e trabalhadoras.

Rondonópolis é um município que sempre esteve na vanguarda em muitos aspectos políticos e administrativos. Qual a análise que o senhor faz do papel que exerce a Câmara Municipal e sua relação com o governo municipal?

Hoje nós estamos no segundo biênio da atual legislatura e a Mesa (Diretora da Câmara), sobretudo a partir dessa presidência, é independente. Ela é formada pluripartidariamente, a várias mãos e com vários perfis políticos diferentes. E a gente preserva pelas condições que são estipuladas pela Constituição Federal, que define que os poderes trabalham em harmonia, todavia, com independência. E é o que vem acontecendo. Então, do ponto de vista institucional, a gente tem garantido a independência dos colegas vereadores e vereadoras. E não nenhuma crise, de forma nenhuma.

Como grande polo estadual e econômico, Rondonópolis possui ainda muitas demandas nas áreas de infraestrutura e logística de transporte. Há, como se convencionou a chamar, alguns gargalos. Qual o papel da Câmara em relação à essa realidade?

O nosso papel primordial é ouvir a sociedade, debater com os demais poderes constituídos e, mais do que isso, propor as soluções para os problemas. O que a Câmara tem feito, diga-se de passagem. E essas soluções apontadas têm sido implementadas aí no dia a dia pelo prefeito. Já fizemos aqui recentemente um enfrentamento muito robusto na questão da mobilidade urbana, sobre o nosso modal rodoviário, a questão do Porto Seco da Rumo (empresa que administra os trilhos da ferrovia), que hoje está aqui, mas vai seguir parte dele para o Norte do estado e vai gerar um passivo. E mais: estamos debatendo o Plano Diretor do município aqui na Casa de Leis e esse arcabouço legal, que contém uma lei central e nove leis em anexo, com certeza será a grande discussão que da década do Poder Legislativo rondonopolitano, que entregará para a sociedade local uma cidade fluida, moderna, preparada para os próximos vinte a trinta anos de crescimento.

Os vereadores têm dialogado com a bancada federal do estado?

Com certeza! Tanto os colegas vereadores no seu individual, quanto a Câmara no seu coletivo sempre conversa com todos os políticos, para que juntos a gente possa, todos juntos, entregar uma Rondonópolis melhor para o trabalhador e a trabalhadora e para toda a Rondonópolis. Não fazemos nisso nenhuma distinção ideológica, de forma nenhuma.

E como é a relação com a Assembleia Legislativa?

É muito exitosa. Contamos com quatro deputados estaduais daqui de Rondonópolis e temos a grata satisfação de termos deputados oriundos da nossa Câmara de Vereadores, como o colega Roni Magnani, que esteve presidente dessa Casa e do qual tive a honra de ser o vice-presidente. Agora ele está deputado estadual e temos um relacionamento extremamente proveitoso para a cidade. É um relacionamento fluido e estreito com ele. E isso é muito bem, no meu ponto de vista.

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O senhor considera satisfatório o trabalho do senador Wellington Fagundes e outros parlamentares federais que têm base eleitoral em Rondonópolis?

Com certeza. A gente verifica que ele vem desenvolvendo trabalhos de políticas públicas, sinalizando demandas. E mais: enviando emendas dele aqui para a cidade. A questão ideológica tem que ficar no campo do debate de ideias, sobretudo no modelo de discussão do processo eleitoral. Depois que passa isso, eu acredito que todos nós temos que ter um só partido e o nosso partido tem que ser Rondonópolis. E nós temos que focar no interesse público e buscar o bem de Rondonópolis. E isso tem que se sobrepor a qualquer vaidade ou picuinha que ficou do processo político partidário e eleitoral.

E com relação aos deputados estaduais que são da cidade e região. O senhor avalia que há um trabalho satisfatório destes em benefício da cidade?

Com certeza os nossos deputados estaduais, assim como os vereadores, estão aí para enfrentar com vigor e galhardia as demandas do Executivo, fiscalizar. E tenho certeza absoluta de que a Assembleia Legislativa está muito bem municiada de parlamentares, que estão preparados para representar as cidades mato-grossenses.

Quais são os projetos mais importantes já aprovados pelo Legislativo desde que o senhor é presidente? E quais são os projetos importantes para a cidade que tramitam pela Câmara?

Entre os projetos mais importantes aprovados pelo Legislativo podemos elencar a votação dos recursos financeiros para a UTI Pediátrica e para a Santa Casa de Misericórdia, o enfrentamento em defesa de direitos dos servidores públicos. E ainda as questões da saúde como um todo. A Câmara de Vereadores não se queda inerte. Ela enfrenta esses debates e entrega à sociedade rondonopolitana aquilo que ela merece. Já entre os que tramitam atualmente, eu posso citar aqui que o mais importante desses projetos é o Plano Diretor Municipal, que com suas minutas vai preparar Rondonópolis para os próximos trinta anos.

O senhor pretende ser candidato a prefeito em 2024? O seu partido pretende ter candidatura própria?

Eu sou um homem público e tenho muita fé e muita coragem. Eu estou pronto, nasci pronto para qualquer coisa e jamais me furtaria a qualquer tipo de embate. Todavia, uma candidatura a prefeito tem que ser uma candidatura de um grupo. E uma candidatura fomentada por várias lideranças. Se as lideranças de Rondonópolis entenderem que a nossa candidatura tem que fluir nesse sentido, nós vamos sim abrir a discussão e ir para o debate. Superado a questão pessoal minha, que não tenho nenhum tipo de vaidade no sentido de ser candidato, há uma deliberação nacional que diz que o Partido dos Trabalhadores deve ocupar os espaços das prefeituras das maiores cidades do país.

Nesse caso de uma possível candidatura sua a prefeito, o senhor buscaria o apoio do prefeito José Carlos do Pátio? Essa possível candidatura dependeria do apoio dele?

Olha, eu acredito que o Zé do Pátio é o maior cabo eleitoral de Rondonópolis hoje. É um prefeito gigante, maiúsculo, à frente do seu tempo, está constantemente em contato com a população dos bairros da cidade, trabalha demais. Ele trabalha todos os dias até as 3 horas da manhã e entrega o resultado. É um cabo eleitoral que todos gostariam de ter. Todos. Ele já provou nas eleições passadas, de 2022, nas proporcionais para deputados, que ele tem o público dele. Então, ele é um cabo eleitoral que todos gostariam de ter, inclusive eu. Mas uma possível candidatura minha ou do meu partido não dependeria do seu apoio, de forma nenhuma.

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