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Bastidores do Poder

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Chance remota de revisão de Bolsonaro

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram remotas as chances de a revisão criminal de Jair Bolsonaro (PL) que possibilite o relaxamento de sua prisão prosperar, enquanto aliados do ex-presidente tentam sustentar a expectativa de uma reviravolta jurídica antes da convenção nacional do PL, marcada para o dia 25. A avaliação de integrantes da Corte contrasta com o discurso de dirigentes e parlamentares do partido, que voltaram a apostar publicamente em uma mudança no cenário jurídico de Bolsonaro. O grupo aguarda uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques, relator do pedido.

Despacho individual

Ministros afirmam que dificilmente o STF admitiria rever uma condenação construída ao longo de meses de instrução, com produção de provas, interrogatórios, participação da defesa e análise dos recursos apresentados pelos advogados do ex-presidente. Mesmo se Kassio Nunes Marques tomar uma decisão favorável, integrantes do Supremo avaliam que o alcance de um despacho individual seria limitado. O mérito da revisão criminal cabe ao plenário da Corte, e não às turmas.

Bolsonaro no centro eleitoral

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que “muita coisa vai acontecer nos próximos 20 dias”. Aliados interpretaram a frase como sinal de que a revisão criminal voltou ao centro da estratégia política do partido. No entorno de Bolsonaro, aliados avaliam que a manifestação da Procuradoria-Geral da República, apresentada há cerca de três semanas, levou o processo à reta final. A expectativa desse grupo é que Kassio decida o pedido antes da convenção da legenda, enquanto o PL tenta consolidar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Comparação com Lula

Valdemar comparou a situação ao caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que voltou a disputar eleições após decisões do Supremo. “Quando o Lula estava preso 580 dias, você imaginava que ele fosse ser candidato à Presidência da República? Tudo pode acontecer. E quem deu esse direito para o Lula? O ministro Fachin, que é homem de bem, que é homem de respeito”, afirmou.

Flávio espera “tempo” de Michelle

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que está “sempre aberto” a conversar com Michelle Bolsonaro após a crise pública que expôs divergências na família e no PL. “Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente pra ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, disse Flávio.

Acusações públicas

A fala veio um dia depois de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, afirmar que Michelle e Flávio não se falam desde as acusações públicas. O dirigente defendeu uma reconciliação antes da convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho, e disse que a legenda não pode “sair brigando dentro de casa”.

‘Imparáveis MB’

A equipe de comunicação de Michelle Bolsonaro criou um perfil no Instagram chamado “Imparáveis MB” após a saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher. A iniciativa foi anunciada em uma nota publicada no perfil do grupo partidário e assinada pela “Equipe de Comunicação MB (ex-PL Mulher)”.

Equipe de comunicação

O perfil foi feito pela equipe de comunicação estratégica de Michelle, demitida com a saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher. A proposta, de acordo com uma pessoa ligada ao projeto, é formar uma rede para incentivar e divulgar ações de mulheres. Michelle segue a conta.

‘Metralhadora de mentiras’

As primeiras publicações usam cenas do filme “Mulher-Maravilha”. Em uma delas, a personagem aparece sendo treinada por outras mulheres. Em outra, enfrenta um exército de homens armados em um vídeo acompanhado das expressões “metralhadora de mentiras” e “a tropa do bem vencendo as mentiras”.

Militares dos EUA no Brasil

Militares dos Estados Unidos visitaram áreas estratégicas do Brasil em junho, em meio ao debate em Brasília sobre os riscos criados pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo Donald Trump. Apesar da tensão diplomática, o Exército afirma que a cooperação militar entre os dois países não sofreu alteração.
Guerra na Selva

Em 15 de junho, militares da United States Naval Academy estiveram no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus, para conhecer a atuação brasileira em ambiente amazônico e fortalecer a cooperação internacional. Uma semana antes, em 8 de junho, militares da United States Military Academy West Point acompanharam atividades ligadas à atuação do Exército brasileiro em faixas de fronteira.

Fiasco do PT em Minas

O senador Camilo Santana (PT-CE), novo líder do PT no Senado e integrante da coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que o partido não lance candidato próprio ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Ele afirmou que a estratégia mais eficaz para fortalecer o palanque de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país é apoiar um nome de um partido aliado, em razão das dificuldades eleitorais enfrentadas pela legenda no estado. Em verdade, o PT vive um fiasco em Minas, onde não consegue construir palanque próprio para Lula.

Minas é prioridade

Camilo afirmou que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, está dialogando com diversas lideranças políticas para construir uma candidatura competitiva, ressaltando que o diretório estadual também deve participar da definição.

União-PP avalia ficar neutra

A federação União Progressista avalia adotar neutralidade na eleição nacional, em uma movimentação que pode representar um revés político ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Palácio do Planalto. Alguns fatores alimentam essa movimentação, segundo parlamentares de União Brasil e PP. O mais recente foi o desgaste provocado pela operação da Polícia Federal que prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), candidato do União Brasil ao Senado com o apoio de Flávio.

Leia Também:  Júlio Campos defende CPI para investigar 'Mulher da SES'
Composição nos estados

Lideranças da federação também defendem que a neutralidade nacional facilitaria a composição nos estados e dá independência a quem busca uma vaga no Congresso. No último dia 7, por exemplo, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), lançou sua pré-candidatura ao governo sem citar o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL).

Atividade cívica

A Prefeitura de Cassilândia sancionou uma lei que obriga a execução dos hinos de Mato Grosso do Sul ou do município em solenidades, cerimônias e demais atos oficiais. A obrigação também chegou às escolas municipais, que deverão promover, ao menos uma vez por mês, uma atividade cívica com a execução dos hinos. A medida remete às práticas da Educação Moral e Cívica, disciplina tornada obrigatória nos governos militares  e retirada da legislação apenas em 1993, com a Lei 8.663.

Valorizar a história

A prefeitura afirma que a iniciativa busca valorizar a história, a cultura, os símbolos oficiais e o sentimento de pertencimento. A retomada de rituais cívicos obrigatórios, porém, inevitavelmente evoca um modelo educacional associado ao período em que o Estado utilizava as escolas para difundir uma determinada ideia de patriotismo.

Patriotismo admite terceirização

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou ver com “bons olhos” uma eventual intervenção dos Estados Unidos na fronteira de Mato Grosso do Sul para combater o crime organizado. A posição chama atenção por partir de um parlamentar ligado a uma corrente política que costuma defender a soberania nacional e o fortalecimento das instituições brasileiras.

Potência estrangeira

Em vez de cobrar maior capacidade de atuação do Estado brasileiro, Nogueira admite a presença de uma potência estrangeira em território nacional. No novo patriotismo, a bandeira é brasileira, mas o serviço pode ser terceirizado.

Protocolo da censura

O Diário de Ceilândia acusou a governadora Celina Leão e o Progressistas, partido ao qual ela é filiada, de promoverem uma escalada contra a cobertura crítica do veículo. Segundo o jornal, a ofensiva teria começado com contatos atribuídos a servidores do gabinete, avançado para ataques nas redes sociais e chegado à Justiça Eleitoral, com ações que tentam enquadrar reportagens como propaganda eleitoral antecipada.

Outros casos

O episódio não é isolado no ambiente político do Distrito Federal. Nesta semana, o TRE-DF rejeitou um pedido para retirar das redes sociais um vídeo com críticas a Celina Leão. O tribunal entendeu que a publicação estava protegida pela liberdade de expressão e fazia parte do debate político.

Propaganda eleitoral

A decisão reforça que crítica política não se confunde automaticamente com propaganda eleitoral. Em período pré-eleitoral, porém, o caminho até o Judiciário parece estar se tornando o protocolo preferido de quem gostaria de controlar o alcance das críticas.

FRASE DO DIA

“No Brasil, nós temos hoje cem magistrados que estão colocados em atividades sob risco, e 79 deles com medidas protetivas no âmbito desse campo de atuação. Isso requer uma especial atenção, quer pela ameaça e violência direta. E os exemplos trágicos estão aí, não precisam ser rememorados.”

Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

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