A vitória do direitista Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia deu à direita a maioria dos governos da América do Sul. Com o resultado preliminar divulgado neste domingo (21), o campo conservador passou a controlar sete dos 12 países do continente, superando a esquerda pela primeira vez nos últimos anos.
Além da mudança de rumo político na Colômbia, a eleição reforça uma sequência de vitórias da direita na região, após as eleições de José Antonio Kast, no Chile, em 2025, e de Rodrigo Paz, na Bolívia, no mesmo ano. O Peru também caminha para manter um governo de direita, segundo a apuração em andamento.
Especialistas apontam que a América do Sul vive um período de forte polarização política. Para o cientista político Maurício Santoro, o continente está “bem dividido ideologicamente”, o que dificulta o diálogo e a cooperação entre governos de diferentes orientações.
O avanço da direita ocorre após décadas de alternância entre campos políticos. No início dos anos 2000, a chamada “onda rosa” levou diversos governos de esquerda ao poder, impulsionados pelo crescimento econômico gerado pela alta das commodities. Com o enfraquecimento desse ciclo, partidos conservadores voltaram a ganhar espaço.
Apesar da mudança no mapa político, pesquisadores alertam que os principais desafios da região continuam sendo a desigualdade, a fragilidade institucional e a crescente polarização. Segundo a professora Regiane Nitsch Bressan, a alternância frequente entre projetos opostos pode favorecer o surgimento de lideranças com tendências autoritárias e enfraquecer as democracias sul-americanas.



















