O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, denunciou nesta quinta-feira (29), em entrevista a imprensa, uma suposta “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões na gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). A declaração foi feita durante depoimento na tribuna da Câmara Municipal.
Monge compareceu ao Legislativo após ser convidado para prestar esclarecimentos sobre a denúncia da prefeitura envolvendo um suposto superfaturamento de R$ 80 milhões na compra de livros didáticos. Durante a sessão, ele afirmou que o debate estaria desviando o foco de problemas financeiros na Educação.
Segundo o ex-secretário, a prefeitura teria contabilizado investimentos na Educação para cumprir o percentual mínimo constitucional de 25%, mas os recursos não teriam sido aplicados efetivamente na pasta.
“Não podemos deixar que esse assunto seja uma cortina de fumaça para o que aconteceu e está acontecendo na Educação. No ano passado, nós cumprimos os 25% constitucionais de aquisições na educação, só que o dinheiro não foi para lá. Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões”, afirmou.
Amauri Monge disse ainda que relatórios e documentos sobre o uso de verbas do Fundeb e de recursos federais já foram entregues à Comissão de Educação da Câmara Municipal. Conforme ele, a situação teria gerado dificuldades financeiras para empresas fornecedoras da prefeitura.
O ex-secretário também negou que sua saída da Secretaria de Educação tenha ocorrido por motivos eleitorais. Segundo ele, o desligamento foi motivado por um “colapso” administrativo e financeiro enfrentado pela gestão municipal.
As declarações devem ampliar a pressão sobre a Prefeitura de Cuiabá e podem motivar apurações por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e do Ministério Público Estadual (MPE). Até o momento, a gestão municipal não se pronunciou oficialmente sobre as acusações feitas pelo ex-secretário.































