MATO GROSSO

SOB SUSPEITA

Prefeito de Primavera vira alvo de pedido de cassação após abrir PSF para atender assessor do Trio Parada Dura

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Suplente de vereador acusa Sérgio Machnic de desvio de finalidade e uso privilegiado da saúde pública após atendimento odontológico extraordinário a integrante da equipe da banda durante festa de aniversário da cidade.

 

O prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic (PL), passou a enfrentar uma forte crise política após o suplente de vereador Thiago Piruzinho (PSB) protocolar um pedido de cassação do mandato do gestor municipal. A denúncia aponta suposto desvio de finalidade no uso da estrutura pública de saúde após a reabertura de um Posto de Saúde da Família (PSF), fora do horário regular de funcionamento, para atender um assessor do grupo musical Trio Parada Dura.

O caso aconteceu durante a programação da Semana do Cavalo e das festividades dos 40 anos de Primavera do Leste, realizadas no último dia 16 de maio. Segundo a denúncia apresentada à Câmara Municipal, o próprio prefeito teria confirmado nas redes sociais que determinou a abertura do PSF para realização de um procedimento dentário em um integrante da equipe da banda sertaneja, que havia se apresentado no município. A publicação rapidamente repercutiu nas redes sociais e passou a gerar críticas de moradores e lideranças políticas da cidade, localizada a cerca de 234 quilômetros de Cuiabá.

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Na representação protocolada, Thiago Piruzinho sustenta que o episódio representa privilégio indevido e afronta ao princípio da isonomia no serviço público. O suplente afirma que moradores comuns não possuem acesso ao mesmo tipo de atendimento extraordinário, mesmo em situações de dor intensa ou urgência odontológica. “Tal conduta não se trata de imprecisão administrativa, de escolha discricionária legítima ou de interpretação questionável da norma. Trata-se de desvio de finalidade do serviço público, de violação ao princípio da isonomia e de procedimento incompatível com a dignidade e o decoro”, argumentou na denúncia.

O documento também sustenta possível violação aos princípios da moralidade administrativa e da probidade pública. Segundo o denunciante, a mobilização de servidores da saúde fora da jornada regular para atender interesse particular configuraria uso indevido da máquina pública. “O desvio da finalidade do serviço público de saúde para atender interesse particular — sem qualquer critério técnico, regulamentar ou de interesse coletivo — configura, em sua essência, violação ao dever de probidade”, destacou Piruzinho ao pedir abertura de Comissão Processante contra o prefeito.

Nos bastidores políticos de Primavera do Leste, o episódio passou a ser tratado como uma das maiores crises enfrentadas pela gestão Sérgio Machnic desde o início do mandato. A repercussão ganhou força principalmente porque o caso envolve um tema extremamente sensível à população: o acesso à saúde pública. Em grupos de mensagens e redes sociais, moradores passaram a questionar a rapidez do atendimento prestado ao integrante da equipe artística em comparação à demora enfrentada por pacientes da rede municipal em consultas, exames e atendimentos odontológicos.

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O requerimento para abertura da Comissão Processante deverá ser lido na sessão da Câmara Municipal marcada para esta segunda-feira (25). Para que a investigação avance, será necessário voto favorável da maioria simples dos vereadores presentes, desde que haja quórum mínimo da maioria absoluta dos parlamentares. Atualmente, a Câmara de Primavera do Leste possui 15 vereadores, e a movimentação nos bastidores já começou com articulações tanto da base governista quanto da oposição.

Até o momento, o prefeito Sérgio Machnic não sinalizou recuo e aliados defendem que a medida adotada teve caráter humanitário diante da situação enfrentada pelo assessor da banda. Mesmo assim, opositores avaliam que o episódio poderá deixar desgaste político duradouro para o gestor, especialmente por envolver possível privilégio no acesso a um serviço público essencial. A depender da repercussão da sessão desta segunda-feira, o caso pode abrir uma nova frente de instabilidade política dentro do município.

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