Mundo em tensão

De acordo com informações apuradas junto a fontes do Itamaraty, a tensa reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre as ações militares dos Estados Unidos (EUA) – que matou civis e militares e resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, coloca o mundo a “dedos de uma terceira guerra mundial”. Em trocas de acusações, a diplomacia russa qualificou como “banditismo internacional” a ação norte-americana. A China, fugindo de sua regra habitual, foi efusiva nas críticas aos EUA. Fontes do MRE brasileiro afirmam que nem na guerra fria se viu um momento de tensão similar. Especialistas em geopolítica alertam que a ordem do pós-guerra deixou de existir, podendo caminhar para uma “anarquia internacional”, onde a força ditará as regras.
Mundo em tensão 2

Em um paralelo histórico sombrio, especialistas evocam os anos 1930, lembrando que a ascensão de Hitler só foi contida pela maior guerra da história – um conflito hoje que seria potencializado por armas nucleares. A condenação formal da ONU, que classificou a operação em Caracas como uma violação do direito internacional, amplia o isolamento diplomático dos EUA e aprofunda a crise. Esta intervenção direta, no entanto, é apenas a face mais visível de uma disputa estratégica mais profunda. As fontes do Itamaraty consultadas pela reportagem desta coluna apontam que a agressiva política externa de Trump visa garantir o controle de minerais críticos, visando isolar a China e reconfigurar cadeias de valor globais, moldando novos blocos de influência econômica e militar. Assim, o episódio venezuelano se insere nesta lógica de reconfiguração geopolítica forçada, onde a disputa por recursos e esferas de influência sobrepõe-se brutalmente ao sistema multilateral.
Sem contaminação

A crise gerada pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA deve ter impacto eleitoral neutro, ou quase zero, na disputa presidencial brasileira de 2026, segundo análise de consultoria repercutida pelo mercado financeiro. Especialistas avaliam que as reações inflamadas de esquerda e da direita no Brasil reforçam as bolhas ideológicas já consolidadas, em um “jogo de soma zero” que não converte votos significativamente. O debate, centrado no plano simbólico e geopolítico, mobiliza bases engajadas, mas falha em alcançar a maioria do eleitorado, decisivo para 2026, que é mais sensível a questões econômicas práticas do que a confrontos ideológicos internacionais. O aumento da polarização apenas afasta a maioria da população da “gritaria” promovida pelas bolhas nas redes.
Segurança Pública

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares ligados ao Planalto, a saída do ministro Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) deve acelerar uma reformulação na área de segurança. Lewandowski, que já comunicou ao presidente Lula seu desejo de deixar o cargo, citando cansaço e a sensação de missão cumprida, pode desencadear uma debandada de parte de sua equipe. No lugar da atual estrutura, o governo planeja recriar o Ministério da Segurança Pública de forma autônoma ainda em 2026. A medida é vista como uma resposta política direta à demanda popular por segurança e uma tentativa de reforçar a posição da esquerda nesse tema sensível. A eficácia da nova pasta, no entanto, dependerá do desenho institucional, orçamentário e do perfil de seu futuro titular, cuja escolha priorizará capacidade de articulação com Congresso Nacional e com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fim da escala 6×1

Em uma estratégia eleitoral clara para capitalizar o clamor popular, o governo Lula priorizará a votação do fim da escala 6×1 e da tarifa zero no transporte coletivo em 2026. Segundo o vice-líder do governo Lula na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), essas pautas sociais terão apoio até de parlamentares da oposição bolsonarista no momento da votação. A confiança baseia-se em uma reaproximação do governo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e na expectativa de que o “centrão” nordestino se vincule à campanha da reeleição. A avaliação interna é que o forte apelo popular das medidas, somado aos indicadores econômicos positivos como a queda do desemprego e o controle da inflação, criará um ambiente político favorável para sua aprovação, isolando a extrema direita. Paralelamente, o governo também buscará votar o PL antifacção e a PEC da Segurança.
Sem capacidade

A Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes) alerta que o país não possui capacidade operacional mínima para processar a reforma tributária aprovada. Segundo o diretor de relações governamentais da entidade, Marcelo Almeida, o prazo para implementação é excessivamente curto e a infraestrutura tecnológica municipal está defasada, com apenas 10% das prefeituras participando dos testes dos sistemas conduzidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Um dos maiores desafios técnicos citados é a transição para o CNPJ alfanumérico, que exigirá a reprogramação completa dos softwares comerciais para ler letras e números, uma mudança complexa e trabalhosa. A indefinição sobre procedimentos específicos da reforma gera insegurança entre os desenvolvedores, que permanecem “especulando regras” e perdendo tempo na programação.
FNE, recorde de orçamento

O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) terá um orçamento recorde de R$ 52,6 bilhões em 2026, um crescimento de 11,1% em relação ao ano anterior. Aprovado pelo conselho deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o plano destinará 62% dos recursos (R$ 32,6 bilhões) a pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte, a maior vereda já direcionada a esses setores prioritários. O fundo atinge um novo patamar de sustentabilidade, financiando-se principalmente com o retorno de operações passadas, reduzindo a dependência de novos aportes do Tesouro. A agricultura familiar, através do Programa Nacional de apoio à Agricultura familiar (Pronaf), receberá a maior linha de crédito, com R$ 11,69 bilhões.
Acordo

Após mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), os aeroviários estão em processo de votação da proposta para a nova convenção coletiva de trabalho, com assembleias sindicais que se estendem até esta quarta-feira, 7 de janeiro. Se aprovada pelas categorias, a formalização do acordo com as companhias aéreas está marcada para 12 de janeiro na sede do TST. A proposta, construída em sessões de conciliação em dezembro, prevê reajuste com base no Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), mais ganho real de 0,5%, manutenção das cláusulas sociais, além de aumentos de 8% no vale-alimentação e 5% no vale-refeição. Paralelamente, os aeronautas — que também estavam com indicativo de greve — já assinaram sua convenção, que inclui termos similares e a redução do limite de jornadas extras específicas a partir de julho de 2026.
Distribuição do FPE

Em decisão liminar, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, prorrogou até 1º de março de 2026 a validade das regras atuais para distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE). A medida, tomada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5069, visa evitar um vazio legal e financeiro, já que o Congresso Nacional não editou uma nova lei para substituir os critérios declarados inconstitucionais pelo plenário da Corte em 2023. Fachin destacou que a ausência de normas a partir de 1º de janeiro geraria grave insegurança jurídica para a União e os estados, com risco de danos às finanças e às políticas públicas estaduais. A decisão, que atendeu a pedidos do governo alagoano, da União e do colégio de procuradores-gerais, será submetida a referendo do plenário da Suprema Corte.
Reservas em ouro

O Banco Central do Brasil (BCB) retomou em 2025, após quatro anos sem aquisições, uma agressiva política de compras de ouro para suas reservas internacionais. Entre setembro e novembro, foram adquiridas 42,8 toneladas do metal, o que elevou o estoque físico em 33%, de 129,6 para 172,4 toneladas. Em valor, o montante quase dobrou no ano, saltando de R$ 62,95 bilhões para R$ 125,35 bilhões, influenciado pela valorização do ativo e pelos novos aportes. A estratégia visa diversificar as reservas e reduzir a dependência do dólar, seguindo um movimento e uma tendência global de busca por proteção em meio a cenários de incerteza geopolítica e tensões internacionais. Neste cenário, o ouro reassume, assim, um papel de destaque como ativo de segurança.































