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Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Crise dos Poderes

Fontes do “centrão” e do Planalto veem decisão de Gilmar Mendes como iniciativa para enfraquecer a indicação de Messias. Tanto Alcolumbre (União Brasil-AP) e o ministro decano preferiam o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga de Barroso. (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Fontes do “centrão” e do Planalto concordam que a decisão do ministro decano da Suprema Corte, Gilmar Mendes, que restringe o impeachment de magistrados, acirrou ainda mais a tensão entre STF, Planalto e Congresso em meio a proximidade da campanha eleitoral de 2026. Ao exigir maioria qualificada no Senado e limitar denúncias pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a medida é vista como uma “proteção do Judiciário” contra investidas políticas, sobretudo de bolsonaristas. Indicado pelo presidente Lula ao STF para a vaga de Luís Roberto Barroso, o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, tentou reverter a decisão, mas em vão, no qual ainda foi rebatido por Gilmar. O movimento coincide com o enfraquecimento do bolsonarismo desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e se vê dividido entre que caminho seguir.

 

 

Orçamento eleitoral

Congresso aprova LDO de 2026 com meta de superávit de R$ 34,3 bi e que obriga governo a liberar 65% das emendas até junho. Valor do salário mínimo passará a ser de R$ 1.627,00. (Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado)

O Congresso aprovou na tarde desta última quinta-feira, 4, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que impõe ao governo um prazo rígido para liberar recursos das emendas parlamentares até junho, às vésperas da campanha eleitoral. A medida garante que 65% dos valores de execução obrigatória sejam pagos até 30 de junho, o que assegura os recursos das obras entregues pelos parlamentares antes das urnas. A regra, inserida pelo relator da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), evita que as emendas individuais, coletivas e de transferência especial (Pix) sejam contingenciadas próximo ao pleito. O texto também estabelece uma meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, autoriza o uso do piso fiscal e fixa o salário mínimo em R$ 1.627,00.

 

 

Fim das decisões monocráticas

Presidente do Congresso afirma que votação da LDO foi “muito boa” e sinaliza que sabatina de Messias ao STF deve ocorrer apenas em 2026. (Foto: Vinicius Loures / Agência Câmara)

Em rápida coletiva à imprensa nesta quinta, 4, o presidente do Congresso, o senador Alcolumbre comentou efusivamente sobre a negativa do ministro Gilmar Mendes ao recurso da AGU que pedia uma reconsideração à decisão que tornou a lei do impeachment de 1950 inconstitucional, e preferiu focar nos avanços da pauta orçamentária. Segundo ele, a aprovação da LDO 2026 foi positiva. “Foi uma rede colaborativa com todos os atores”, disse, referindo-se ao trabalho da Comissão Mista do Orçamento (CMO). Alcolumbre ressaltou a complexidade do processo orçamentário, que envolve a convergência de diversas opiniões, mas avaliou que o encaminhamento para a votação do Orçamento Geral de 2026 está bem resolvido. Sobre a PEC que trata das decisões monocráticas do STF, o senador admitiu que a proposta “está travada na Câmara” e que vai conversar com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para destravar a tramitação, uma vez que a matéria já passou pelo Senado há mais de um ano.

 

 

Possível veto

Líder do governo no Congresso destaca trabalho “à altura do Brasil” do deputado Gervásio Maia e confirma que sabatina de Jorge Messias só ocorrerá no próximo ano. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta quinta-feira, 4, elogiou o trabalho do relator da LDO, deputado Gervásio Maia, chamando-o de “a estrela do dia” e classificou o relatório como “um trabalho à altura do Brasil”. Sobre o aumento de recursos para o fundo partidário aprovado no texto, ele sinalizou que o governo avalia se vetará tal dispositivo. O líder confirmou que o prazo legislativo de 2025 será dedicado à votação do Orçamento (LOA), a vetos e ao Projeto de Lei (PL) antifacção, que recebeu esta semana o parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e evitou comentar, em nome do governo, a possível votação da PEC das decisões monocráticas. Demais debates sensíveis deverão ser adiados para 2026, como a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.

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PL antifacção

Um dos destaques do parecer apresentado por Vieira é a proposta de criação da CIDE-Bets, um imposto sobre apostas esportivas que pode gerar até R$ 30 bilhões anuais para financiar o combate ao crime organizado. (Foto: Reprodução / FreeP!K)

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta quarta-feira, 3, seu relatório final ao projeto de lei conhecido como “PL antifacção”, que cria um marco legal de combate ao crime organizado no Brasil. O texto, que será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mescla propostas do governo federal com o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em um substitutivo com 13 alterações principais. Entre as mudanças, Vieira cria o tipo penal de “facção criminosa”, que equipara milícias privadas a organizações criminosas, aumentando penas para diversos crimes e mantendo o tribunal do júri com mecanismos de proteção aos jurados. O texto também prevê medidas que asseguram mais rigorosas e moderniza ferramentas de investigação, como o monitoramento remoto.

 

 

PL antifacção 2

Alessandro Vieira propõe que novo marco legal da segurança combata facções e milícias, com imposto a ser cobrado nas empresas de bets, que deve gerar cerca de R$ 30 bilhões. (Foto: Andressa Anholete / Agência Senado)

O texto do senador gaúcho, eleito pelo Sergipe, também estabelece um prazo de 180 dias para o governo federal reestruturar fundos de segurança pública existentes, como o Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). Vieira elogiou tanto o projeto original enviado pelo ministro de Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, quanto às contribuições incluídas na Câmara pelo relator da matéria naquela Casa, deputado Guilherme Derrite (PP-SP) – secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo. Vieira afirmou ainda que seu substitutivo busca “combater ferozmente a criminalidade” com maior segurança jurídica. O texto agora segue para análise e votação na CCJ, presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), antes de ir ao plenário do Senado. Se aprovado, o projeto voltará a ser debatido pelos deputados.

 

 

Viagens em alta

Empresas interestaduais de ônibus preveem aumento de até 43% nas viagens em dezembro e ampliam oferta de horários. (Foto: Divulgação / Abrati)

As empresas de ônibus interestaduais se preparam para um aumento significativo no movimento durante as festas de fim de ano e o verão. Dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) indicam crescimento superior ao registrado nas férias de julho, que foi de 18%. A procura por passagens deve superar o aumento de 43% observado em dezembro de 2024. Rotas como Salvador (BA) a Juazeiro (PE) e Porto Alegre (RS) a Florianópolis (SC) foram as que mais cresceram na última temporada. Para atender a demanda, as companhias aumentaram a oferta de horários: 42% a mais em novembro e previsão de 35% a mais em dezembro. A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) recomenda que as passagens sejam compradas apenas em sites oficiais ou rodoviárias.

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Superávit em Retração

Em novembro de 2025, as exportações cresceram 2,4% e as importações 7,4% frente a novembro de 2024. O saldo comercial foi de R$ 31,0 bi. (Foto: Divulgação / Secex-MDIC)

A balança comercial brasileira manteve superávit em novembro de 2025, mas com sinal de desaceleração. As exportações somaram R$ 151,3 bilhões (US$ 28,5 bi), alta de 2,4% frente a novembro de 2024. O desempenho foi puxado pelo agronegócio, com saltos nas vendas de soja (64,6%) e carne bovina (57,9%). No entanto, as importações cresceram em ritmo mais que o triplo (7,4%), atingindo R$ 120,5 bilhões (US$ 22,7 bi), pressionadas por bens de capital e insumos industriais. Como resultado, o saldo positivo do mês foi de R$ 31,0 bilhões (US$ 5,84 bi), uma redução de 13,4% comparado ao mesmo mês do ano anterior. O cenário reflete uma recuperação da demanda interna, que aumenta as compras externas, enquanto as vendas ao exterior crescem em ritmo moderado.

 

 

EUA taxam, China avança

As exportações para os EUA em novembro de 2025 caíram 28,1% enquanto para China subiram 41%, o que reflete a realocação das exportações brasileiras. (Foto: Divulgação / Secex-MDIC)

A balança comercial brasileira registrou superávit de R$ 31,0 bilhões em novembro de 2025, mesmo com o forte impacto das taxações impostas pelos EUA. As exportações para o mercado norte-americano despencaram 28,1% na comparação com novembro de 2024, recuando para aproximadamente R$ 14,1 bilhões (US$ 2,66 bi), refletindo as barreiras comerciais. Esta queda contribuiu para o estreitamento do saldo comercial, que recuou 13,4%. Contudo, o desempenho total foi sustentado pelo agronegócio e por uma reconfiguração geográfica. As vendas para a China, principal parceiro comercial, cresceram expressivos 41%, atingindo cerca de R$ 44,0 bilhões (US$ 8,27 bi). O resultado evidencia uma mudança estratégica nos fluxos, com o Brasil contornando as restrições estadunidenses ao fortalecer parcerias alternativas, especialmente na Ásia, mantendo assim seu superávit comercial.

 

 

Aumento das importações

O reaquecimento interno em 2026 deve acelerar as importações (6,2%) acima das exportações (2,0%), pressionando o saldo comercial. As compras externas podem superar R$ 328 bilhões, puxadas por bens de capital, insumos e consumo. (Foto: Divulgação / Secex-MDIC)

As projeções para a balança comercial em 2026 apontam para um cenário de superávit reduzido e maiores desafios. A tendência de estreitamento do saldo deve persistir, com as importações—especialmente de bens de capital e insumos industriais—continuando a crescer em ritmo superior ao das exportações. A dependência do agronegócio como principal âncora exportadora permanece, tornando o resultado vulnerável à volatilidade dos preços internacionais de commodities. O relacionamento comercial com os EUA, ainda sob tensão tarifária, exigirá diversificação de mercados, com a China se consolidando como parceiro estratégico indispensável. A expectativa é que a retomada de investimentos, evidenciada pela alta importação de máquinas, eleve gradualmente a competitividade industrial.

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