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Democracia à beira do limite”: especialistas alertam para erosão institucional na América Latina

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A democracia latino-americana atravessa um ponto de inflexão. Durante o “Fórum de Buenos Aires”, evento que reuniu autoridades e acadêmicos de Brasil e Argentina entre 5 e 7 de novembro, o diagnóstico foi quase unânime: a sociedade perdeu a confiança em suas instituições e já aceita abrir mão de liberdades em troca de estabilidade. Como destacou Daniel Zovatto, diretor regional do IDEA, a população “chegou ao limite” com a ineficiência e a corrupção estatais, conforme apurado pelo Portal Metropóles.

Os exemplos se acumulam. Na Argentina, a inflação corrói a economia; no Brasil, 30 milhões vivem sem acesso à água. A descrença tem levado o eleitorado a “testar” alternativas a cada ciclo, de Jair Bolsonaro a Javier Milei, figuras que ascenderam prometendo resolver os problemas “não na lentidão da democracia”. Segundo especialistas, esse impulso antissistêmico não é exclusivo da direita, nem apenas da política: o Judiciário também tem se colocado como “salvador da democracia”, movimento que ameaça o equilíbrio entre os poderes.

Gilmar Mendes citou o sociólogo Manuel Castells para lembrar que dois terços da população mundial acreditam que políticos são corruptos e não os representam. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Crise e Reinvenção da Política no Brasil, advertiu que o desafio contemporâneo é reconstruir laços de confiança enquanto uma nova sociedade ainda busca um modelo institucional.

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O ex-presidente da Colômbia Iván Duque foi direto: “70% dos habitantes do planeta vivem em regimes autoritários ou híbridos”. Brasil e Argentina, segundo ele, integram o segundo grupo, marcado pela erosão democrática e pela politização do Judiciário, quando tribunais passam a interferir de modo permanente em funções do Executivo e do Legislativo, esvaziando o consenso político e abrindo caminho para o autoritarismo.

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