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O perigo invisível das canetinhas falsificadas: uma ameaça silenciosa à saúde

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Por Dr. Victor Rosset — Cirurgião Bariátrico e referência em Tecnologias de Emagrecimento

Nos últimos meses, o Brasil tem vivido uma onda crescente de falsificação e contrabando de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como o Ozempic®️ e, mais recentemente, o Mounjaro®️ (tirzepatida). Esses medicamentos, originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente utilizados sob supervisão médica para controle de peso, tornaram-se alvo de falsificadores e redes ilegais que exploram a busca acelerada por resultados estéticos e a dificuldade de acesso ao tratamento de referência.

O alto custo dessas medicações, aliado à exigência de prescrição médica e acompanhamento especializado, tem levado muitas pessoas a recorrerem a fontes não confiáveis — sites, redes sociais e marketplaces — que prometem “canetinhas” originais a preços muito abaixo do mercado. O problema é que, por trás desses valores atrativos, pode estar um risco grave e invisível à saúde.

Falsificação e contrabando: o risco é real

As versões falsificadas ou contrabandeadas dessas medicações frequentemente não contêm o princípio ativo original ou apresentam dosagens incorretas, impurezas químicas e substâncias tóxicas. Em muitos casos, o que chega ao consumidor é uma solução injetável genérica, sem controle de esterilidade e sem qualquer registro sanitário.
Além de não promover o emagrecimento esperado, pode causar reações inflamatórias, infecções, alergias severas e até risco de morte.

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Outro fator pouco discutido é que mesmo medicamentos verdadeiros, quando adquiridos no exterior e trazidos de forma irregular, perdem sua eficácia se não forem mantidos sob refrigeração adequada. Produtos como Ozempic®️ e Mounjaro®️ devem permanecer entre 2°C e 8°C durante todo o transporte — qualquer variação pode degradar o princípio ativo, tornando o medicamento ineficaz ou instável.

Medicamentos sensíveis exigem controle rigoroso

Esses fármacos são biotecnológicos, ou seja, compostos por proteínas e hormônios sintéticos extremamente sensíveis ao calor e à luz.
Ao contrário de comprimidos comuns, que suportam temperatura ambiente, as canetinhas de GLP-1 e GIP/GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida) dependem de transporte refrigerado contínuo (cold chain) — um processo de logística farmacêutica que envolve monitoramento constante de temperatura até o momento da aplicação no paciente.

Por isso, mesmo uma caneta “original”, se tiver sido mal transportada, perde completamente sua função terapêutica, tornando-se uma simples injeção sem efeito clínico.

O que o paciente deve fazer

A orientação é clara: só compre medicamentos com prescrição médica e procedência garantida.
Certifique-se de que a farmácia possui autorização da Anvisa e cadeia de refrigeração certificada.
Desconfie de ofertas on-line, especialmente quando o preço parecer bom demais para ser verdade.

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O tratamento com esses medicamentos deve ser individualizado, monitorado por médico habilitado e acompanhado de orientação nutricional e comportamental. O uso sem acompanhamento pode levar a hipoglicemia, náuseas graves, desidratação e perda de massa muscular, anulando os benefícios esperados.

Um alerta à população

Como médico cirurgião bariátrico e especialista em tecnologias do emagrecimento, vejo com preocupação esse aumento de casos de pacientes que chegam ao consultório após terem usado produtos falsificados.
Em alguns, observamos efeitos mínimos ou nulos; em outros, reações adversas significativas que poderiam ter sido evitadas com orientação profissional.

O emagrecimento seguro é fruto de tratamento, não de improviso.
A tecnologia, quando usada corretamente, é uma aliada poderosa; quando falsificada, transforma-se em uma armadilha perigosa.

Dr. Victor Rosset
Cirurgião Bariátrico e referência em tecnologias do emagrecimento – CRM-SC 18.108 | RQE 26.106
@drvictorrosset
www.drvictorrosset.com.br

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