Decisão sobre saída do governo

O partido União Brasil, que forma uma federação junto com o PP, decidiu que na próxima quarta-feira, 3 de setembro, fará uma reunião para decidir se a legenda, que possui 59 deputados e sete senadores, sairá oficialmente, ou não, do governo do presidente Lula. Oficialmente, a agremiação banca os atuais ministros das Comunicações, da Integração e Desenvolvimento Regional, e do Turismo. Os dois primeiros não têm vínculos com o partido, mas foram indicados para os cargos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Já o ministro do Turismo, deputado federal licenciado Celso Sabino (União Brasil-PA), está pressionado a deixar o governo por parte da bancada e também para trocar de partido, pressionado por aliados governistas, sobretudo em seu estado.
Sai, sai

A expectativa é de que o ministro Celso Sabino pedirá demissão do cargo até a próxima quarta-feira, 3 de setembro, ou pedirá para sair do partido. Para os dirigentes da federação partidária, o União Brasil espera que Sabino entregue o cargo até quarta, ou que ele decida então pedir para deixar a legenda. O mesmo vale para o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA). Caso a executiva do União Brasil decida que o parlamentar paraense tenha que entregar o cargo, ou deixar o partido, aliados de Sabino afirmam à coluna que vão exigir que o PP, que também compõe a federação, delibere pelo abandono de todos os cargos do partido no governo. Essa articulação tende ao menos garantir tempo para que Sabino consiga permanecer no cargo até a realização da COP-30, a fim de decidir se preferirá deixar o cargo, ou deixar o partido.
Eventuais perdas

Por outro lado, o presidente da direção-executiva tanto do União Brasil, quanto da federação União Progressista, o ex-prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, avalia como “normal” e “natural” que as duas legendas sofram perdas de deputados na próxima janela partidária, em março de 2026. Segundo ele, esse movimento é esperado em razão das composições estaduais, mas não compromete os planos da legenda. “É normal que na janela do próximo ano de março tenha deputados que saem e outros que entrem. No caso nosso, da União Brasil dos Progressistas, como a gente fez uma federação, a gente já conta que em alguns estados haverá perdas, para um lado ou para outro. É normal. Agora, eu acho que a gente vai ganhar mais do que vai perder, é a primeira coisa”, disse Neto.
Projeto nacional

ACM Neto defende que a prioridade da federação partidária, quanto do seu partido União Brasil, é garantir unidade em torno de um projeto nacional de oposição. “Não adianta você manter dentro do partido alguém que não está alinhado com o projeto. Aqui na Bahia, por exemplo, a gente não vai ter na federação ninguém que não esteja alinhado com o projeto das oposições. Não há chance, não há hipótese”, disparou. Ao comentar o cenário nacional, Neto avaliou que pesquisas de intenção de voto já colocam nomes da oposição em situação competitiva para 2026. “O fato de alguns candidatos de oposição, faltando tanto tempo para a eleição, já se mostrarem competitivos e até com possibilidade concreta de vitória contra o atual presidente, que está aí há não sei quantos anos, que já disputou tantas eleições, que está no seu terceiro mandato, é motivo para todo mundo celebrar”, declarou.
Propina do PCC

Caiu como uma bomba nos meios políticos a informação de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, teria recebido uma suposta propina de emissários do Primeiro Comando da Capital (PCC) junto a empresas que operam no mercado financeiro. A notícia que foi revelada na noite deste último domingo, 31 de agosto, fez com que eventos, que são tradicionalmente realizados nas terças e quartas-feiras, fossem adiados. Em resposta e na defensiva, o senador piauiense – ex-chefe da Casa Civil do governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro – informou que oficiou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para investigar o caso em que autoriza a quebra de seus sigilos bancário e telefônico. A suposta propina faz parte do depoimento de uma testemunha à operação da Polícia Federal (PF) deflagrada na última quinta-feira, 28 de agosto, intitulada de “carbono oculto”, que apura um suposto esquema bilionário que envolve uso de fundos de investimentos, fraudes fiscais no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro para o crime organizado.
Fake News e PCC

A Receita Federal e a PF decidiram expor que os acusados de estarem ligados ao PCC se beneficiaram de uma ação feita pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em janeiro deste ano, quando propagou uma informação falsa com objetivo de afirmar que o PIX seria taxado após a então decisão da Receita de monitorar transações de até R$ 5 mil realizadas por “fintechs” (empresas que prestam serviços bancários). Após a repercussão do parlamentar do PL mineiro, a Receita revogou a portaria, que passou a valer desde a última sexta-feira, 29 de agosto, um dia após a deflagração da operação “carbono oculto”. “As fake news foram tão fortes que nós não conseguimos seguir [a origem inicial dessas] mentiras, por conta da força de quem as impulsionava. E as operações de agora revelam quem, de fato, se beneficiou”, afirmou em coletiva de imprensa na última quinta-feira, 28 de agosto, o secretário da Receita Federal, Robson Barreirinhas.
Motta & Lula

A tentativa da oposição bolsonarista de parar os trabalhos da Câmara por Deputados no início do mês de agosto, acabou por aproximar o presidente da “Casa do Povo”, Hugo Motta (Republicanos-PB), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu governo, de acordo com fontes próximas tanto a Motta, quanto a Lula. Depois do motim dos bolsonaristas, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu reforçar sua autoridade no cargo, deixando claro que não pretende ceder à pressão da oposição e pautar projetos como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando militantes bolsonaristas invadiram e quebraram às sedes dos Três Poderes e nem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado.
Fake News e BB

Por falar em “fake news”, o Banco do Brasil decidiu iniciar uma campanha de informação junto aos seus correntistas para desmontar uma campanha de desinformação iniciada após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos EUA desde março, afirmou que a próxima sanção do governo daquele país será contra a instituição financeira, se ela não cumprir às sanções que o governo norte-americano impôs ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Para a direção do banco, esta desinformação levou a dúvidas sobre os negócios promovidos pelo BB, no qual afirma que a instituição é sólida, segura nas transmissões dos dados e dos investimentos de seus clientes, bem como o compromisso histórico com a conformidade regulatória nos 89 países onde atua.
Papuda Vip

Já é dado como certo, até mesmo pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), que ele será condenado por tentativa de golpe de Estado no julgamento que começa nesta terça-feira, 2 de setembro, no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas Bolsonaro cobra de seus advogados que ele fique em prisão domiciliar e que não siga para algum presídio. Mas, fontes ligadas aos advogados do caso veem a missão como quase “impossível”. O mais provável é que o ex-presidente cumprirá inicialmente a pena, que deve variar de 28 até 42 anos de cadeia, na “sala vip” do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, onde tem residência fixa paga pelo seu partido. Aliás, a penitenciária da Papuda está localizada cerca de 9 quilômetros de distância, em que é formada por quatro presídios com capacidade para 5,3 mil detentos.
Lira & Bolsonaro

Na véspera do julgamento pela primeira turma do STF, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados, a visitar o ex-presidente Bolsonaro. Lira foi aliado de Bolsonaro quando surgiu o chamado “orçamento secreto” e atualmente é o relator da proposta do governo Lula que concede isenção de R$ 5 mil do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, visto como fundamental a tentativa de reeleição do atual mandatário do Palácio do Planalto. O encontro aconteceu na tarde desta segunda-feira, 1º de setembro. Além da solidariedade levada pelo antigo aliado, o encontro também envolveu conversas sobre às eleições de 2026. Lira tenta construir um acordo, via presidente Lula, para lançar o atual prefeito de Maceió, JHC, que estaria migrando do PL para o PSB, ao governo de Alagoas, e assim, ele poderia se candidatar ao Senado.





























