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EUA não quer relações Brasil-Rússia

Após missão aos EUA, senador Nelsinho Trad alerta para risco de novas tarifas

Trad e Espiridião Amin em encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin. (Foto: Divulgação / Assessoria)

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Para tentar manter o “diálogo diplomático” entre os dois países, o Senado criou colegiado temporário que terá como relatora a ex-ministra da Agricultura na gestão Bolsonaro, a sul-mato-grossense Tereza Cristina.

 

Por Humberto Azevedo

 

Após liderar uma comitiva de senadores nos Estados Unidos da América (EUA), na semana que antecedeu a entrada em vigor das tarifas impostas por àquele governo contra as exportações brasileiras, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) – presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) do Senado, alertou nesta quinta-feira, 7 de agosto, para o risco de novas tarifas serem anunciadas pelo governo norte-americano.

 

Com objetivo de tentar barrar, frear ou suavizar eventuais novas taxações pelo governo estadunidense e tentar manter o “diálogo diplomático” entre os dois países, o Senado Federal criou também nesta quinta, a Comissão Temporária Externa de Relações Bilaterais Brasil-EUA, proposta pela CREDN, para reforçar o uso da diplomacia parlamentar na mitigação dos impactos da crise comercial com os EUA.

 

O colegiado temporário, que será presidido por Trad, terá como relatora a ex-ministra da Agricultura na gestão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A ideia é repetir o que fez a comitiva de senadores que foram à capital norte-americana, que se reuniu com oito senadores estadunidenses, uma deputada local, empresários e especialistas.

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Trad lembra que os congressistas, tanto democratas, quanto republicanos, alertaram para o risco da proximidade brasileira com a Rússia. Segundo apontado por estes congressistas norte-americanos, países que mantêm comércio de petróleo ou diesel com a Rússia podem ser alvo de novas sanções. O Brasil importa cerca de 60% do diesel que consome da Rússia.

 

“Falaram para nós: ‘tentem achar uma alternativa nisso aí, porque nós, congressistas, vamos aprovar uma lei no semestre que vem para sobretaxar o país que mantiver esse comércio’”, relembrou o dirigente da CREDN.

 

ENCONTRO COM ALCKMIN

 

De volta ao Brasil, a comitiva liderada por Trad apresentou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), o alerta dos congressistas norte-americanos sobre o risco de sobretaxas adicionais, reforçando que o tema está “no radar” da política estadunidense.

 

Na mesma semana, o senador Nelsinho Trad se reuniu com o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, para tratar exclusivamente do impacto econômico das tarifas e de temas da agenda comercial bilateral.

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A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham, na sigla em inglês) também se reuniu com o senador e pediu a continuidade do trabalho da comissão como forma de apoio aos empresários. “Esse jogo ainda perdura muito tempo”, afirmou o presidente da entidade, Abrão Neto.

 

As sobretaxas de 50% as exportações brasileiras, com início nesta última quarta-feira, 6 de agosto, poupou cerca de 40% dos produtos exportados aos EUA, como celulose e o ferro-gusa. O cálculo é do MDICS, que aponta ainda setores como carnes, café e pescados entre os mais afetados.

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