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Manutenção das negociações

Alckmin diz que negociação sobre tarifaço dos EUA começa mais forte agora

“A negociação não termina hoje, ela começa hoje”, disse Geraldo Alckmin. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

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Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento afirma que plano do governo para apoiar setores mais afetados vai priorizar a preservação de empregos e a produção.

 

Por Humberto Azevedo

 

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin, disse que o anúncio do tarifaço pelos Estados Unidos não encerra as negociações comerciais. Ao contrário, segundo ele, começarão mais fortes agora. Alckmin afirmou que o empenho do governo brasileiro será total e ninguém ficará desamparado em entrevista a um programa da TV Globo nesta quinta-feira, 31 de julho.

 

Os próximos passos, segundo ele, são negociar a redução das tarifas para os setores mais afetados, anunciar medidas para preservar a produção e os empregos no país e buscar novos mercados para produtos brasileiros. O vice explicou que 45% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos não será afetado pela tarifa de 50% imposta pelo decreto do presidente Donald Trump. Outros 20% dos produtos exportados não sofreram alteração em relação ao que já pagavam. Um total de 35,9% das exportações será efetivamente afetado pela tarifa de 50%.

 

Alckmin avaliou como “injustificado” o tarifaço imposto pelo governo Trump já que os Estados Unidos têm superávit nas trocas comercias com o Brasil. O plano para apoiar esses setores mais afetados pelas tarifas está em fase de finalização pelo Governo Federal, segundo Alckmin, e vai priorizar a preservação do emprego e da produção. Em relação às negociações com o governo norte-americano, o ministro afirmou que o presidente Lula está aberto ao diálogo.

 

“A negociação não termina hoje, ela começa hoje. Acho que tem caminho, tem espaço, é um perde-perde esse tarifaço. Os americanos vão pagar mais caro pelo café, fruta, carne, peixe, calçado. Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento e encarece os produtos para os americanos. Lula vai bater o martelo que isso tem impacto de natureza financeira, creditícia, tributária. Terá um plano e ninguém ficará desamparado. Aqueles 35,9% que foram efetivamente atingidos pela tarifa dos 50%, vamos lutar para diminuir. Não damos isso como assunto encerrado. A negociação começa mais forte agora. Segundo, é buscar alternativas de mercado. E terceiro, apoiar setores muito atingidos”, disse Alckmin.

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Alckmin ressaltou que ele e os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, têm mantido diálogo com integrantes do governo estadunidense.

 

“Dos dez produtos que os Estados Unidos mais exportam pra nós, em oito a tarifa é zero, não paga nada para entrar no Brasil. Por isso que é injusto. Conversa de presidentes da República tem que ser preparada. O presidente Lula está aberto ao diálogo, se depender dele, o diálogo é ontem. Nós não criamos o problema, mas estamos trabalhando para resolver”, disse.

 

RESPOSTA LULA

 

Em nota oficial, o presidente do Brasil Lula reiterou a autonomia do Poder Judiciário brasileiro e que prepara medidas de proteção de empregos, ao mesmo tempo em que defende ainda que as empresas big techs norte-americanas devem respeito à lei do país.

 

Lula atacou o que ele classificou de “políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”. Estas declarações foram publicadas na nota oficial que o governo federal emitiu na última quarta-feira, 30 de julho.

 

Apesar do recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, em isentar cerca de 43% das exportações brasileiras das tarifas adicionais, Lula critica a insistente tentativa do presidente estadunidense de interferir em assuntos internos do Brasil.

 

A nota foi divulgada após o ato executovo de Trump que ratifica às tarifas, agora de 40%. Dentre os produtos que não serão taxados se encontram aviões, alimentos in natura, frutas e demais produtos agrícolas, com exceção das carnes e do café, o que reduz significativamente o alcance das tarifas contra a economia brasileira.

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Leia a nota emitida pelo presidente Lula:

O Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes. Um país que defende o multilateralismo e a convivência harmoniosa entre as Nações, o que tem garantido a força da nossa economia e a autonomia da nossa política externa. É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira. O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses. Um dos fundamentos da democracia e do respeito aos direitos humanos no Brasil é a independência do Poder Judiciário e qualquer tentativa de enfraquecê-lo constitui ameaça ao próprio regime democrático. Justiça não se negocia. No Brasil, a lei é para todos os cidadãos e todas as empresas. Qualquer atividade que afete a vida da população e da democracia brasileira está sujeita a normas. Não é diferente para as plataformas digitais. A sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a democracia. O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras. O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos. A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países. O Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais. Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras”.

 

Com informações de assessoria.

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