Nos bastidores, vários líderes apontam que ao invés da cassação, parlamentar do PSOL fluminense deve sofrer uma punição entre advertência e suspensão.
Por Humberto Azevedo
Após um acordo costurado pelo líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), com o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que garante 60 dias para que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) possa se defender junto aos colegas parlamentares, o parlamentar do PSOL fluminense encerrou a sua greve de fome, que durou quase nove dias (205 horas).
O acordo foi também realizado com a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber. Nos bastidores, vários líderes – em depoimento à boca pequena – apontam que ao invés da cassação aprovada no Conselho de Ética no último dia 9 de abril, o deputado carioca deverá sofrer uma punição que pode variar desde uma advertência por escrito até a suspensão do mandato por um determinado período de dias. A punição a ser adotada ainda não está definida e vai depender da capacidade de mobilização popular que o parlamentar conseguir reunir.
Oficialmente, o relatório do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) que pede a cassação do mandato elenca que o motivo seria a agressão que o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) sofreu de Glauber nas dependências da Casa. Mas, em “off”, vários parlamentares afirmam que o processo disciplinar só avançou em virtude das críticas fortes e recorrentes feitas contra o ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e o “orçamento secreto”.
Inclusive, no dia em que Magalhães – que já agrediu um jornalista dentro da Câmara em 2001 – Glauber acusou o pessedista baiano de proferir o seu parecer a mando de Lira e depois que suas emendas ao Orçamento Geral da União (OGU) foram liberadas na sua base em decorrência das “negociações” em torno do “orçamento secreto”, então, controlado pelo ex-presidente da Câmara.
“Em diálogo com a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), avançamos para o fim da greve de fome do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Garanto que, após a deliberação da CCJ, qualquer que seja ela, não submeteremos o caso do deputado ao plenário da Câmara antes de 60 dias [17 de junho] para que ele possa exercer a defesa de seu mandato parlamentar. Após esse período, as deputadas e os deputados poderão soberanamente decidir sobre o processo”, informou Hugo Motta em suas redes digitais.
“Quero te agradecer pelo espírito de conciliação e capacidade de negociação, presidente Hugo Motta! Um gesto importante nessa quinta-feira santa! Graças a Deus! Parabéns Glauber e Sâmia pela resiliência e força. Uma boa Páscoa em família!”, emendou o líder petista Lindbergh Farias.
O acordo construído por Lindbergh e Sâmia juntamente com Motta foi “aceito” por Glauber Braga após ouvir que deveria acatar os termos acordados pela unanimidade dos 30 apoiadores que apoiam e participam de seu mandato, e que faziam permaneciam em vígilia desde a votação e aprovação do relatório no Conselho de Ética. De acordo pelo entendimento de Glauber, que perdeu mais de cinco quilos, a sua ação de quebra de decoro parlamentar não será analisada neste primeiro semestre.
Por recomendações médicas, Glauber, que ingeriu apenas água, soro e isotônico nos últimos nove dias, terá que adotar um protocolo de transição que põe fim ao jejum para a alimentação normal. Emocionados, Glauber e Sâmia agradeceram o apoio de todos os apoiadores durante os dias de mobilização.
“Depois de dialogar com os movimentos, de conversar muito numa reunião que durou bastante tempo, vem depois de um compromisso que foi assumido pelo presidente da Câmara numa articulação que envolveu diversos parlamentares, mas principalmente, Sâmia, e o deputado Lindbergh, dá a sinalização, faz uma publicação, na prática suspendendo a deliberação no plenário neste semestre”, disse Glauber.
“Eu estou aqui suspendendo a greve de fome, mas não estamos suspendendo a luta contra o orçamento secreto, nós não estamos suspendendo a luta contra o poder oligárquico, nós estamos suspendendo a luta por justiça contra os assassinos de Marielle, dos golpistas de plantão, e não estamos suspendendo o conjunto das nossas lutas”, acrescentou o pessolista carioca.


























