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ROSANA LEITE

Os domingos delas

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A violência doméstica e familiar não tem mais onde causar espanto. Pesquisa realizada pelo Fórum Nacional de Segurança Pública apontou que é o domingo o dia em que as mulheres mais são agredidas dentro de casa por seus companheiros.

A palavra domingo é originária do latim, ‘dies Dominicus’, que segundo o cristianismo significa ‘dia do Senhor’. Já os pagãos, em reverência aos deuses, dedicavam o dia de domingo ao astro Sol, ‘Dia do Sol’. Sem dúvida, como primeiro dia da semana, o domingo deveria vir carregado de esperança, com o recomeço. Todavia, não tem sido de grande felicidade para as mulheres.

O Fórum Nacional de Segurança Pública, entre os anos de 2015 a 2019, apontou que esse é o dia da semana onde mais são registrados casos de violência doméstica e familiar. Ao todo, pelo estudo, 22% dos eventos acontecem na respectiva data. As variadas alegações surgiram para tentar explicar o inexplicável.

Nada, por óbvio, nada pode justificar. O agressor em algum momento mostraria o desrespeito à mulher. Os fatores externos nunca conseguirão surtir explicações suficientes para a violência, qualquer delas
Por que acontece mais neste dia? Seria o dia de maior convivência entre a vítima e agressor? Sem contar que a pesquisa aconteceu antes do período pandêmico.

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O uso de álcool e substâncias entorpecentes estaria a contribuir para a estatística? Ou o costumeiro jogo de futebol?

Nada, por óbvio, nada pode justificar. O agressor em algum momento mostraria o desrespeito à mulher. Os fatores externos nunca conseguirão surtir explicações suficientes para a violência, qualquer delas. Cabeça quente? Nervosos, por serem do sexo masculino? O futebol, por carregar uma carga maior de masculinidade, estaria a contribuir, já que as partidas se concentram na data? O estresse pelo trabalho, pois no outro dia, segunda-feira, representa a volta ao labor?

Em segundo lugar ficou o sábado com 17% das ocorrências, e, em terceiro a segunda-feira com 14%. De terça à sexta os números diminuem para 12%. O estudo ainda apontou, sem especificar o dia da semana, ser à noite o período onde essas violências na maioria das vezes são registradas, cerca de 40%.

Posse? Objetificação do corpo da mulher? Obrigação da submissão feminina ao homem? A realidade é que a cada dois minutos uma mulher tem sido agredida dentro de casa no país, com aproximadamente 266 mil casos anuais.

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As análises não param de acontecer, na tentativa de explicar ou prevenir esses absurdos episódios. Porque alguém se uniria a outrem com o intuito de promover agressões, ao invés de amor? Qual o motivo de não cindir um relacionamento a tempo de evitar as temíveis violências?

O texto vem carregado de muitas perguntas. As respostas ficam em nossas mentes. A certeza, a verdadeira certeza, é a de que a ninguém é dado o direito de agredir a outrem.

E se outrora, homens e mulheres, toleravam algum tipo de violência às mulheres, os tempos são outros… Agora? É inaceitável, ou melhor, é crime!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual

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