Um grupo de indígenas xavantes enterrou, na tarde de domingo (4), o corpo de uma onça-pintada atropelada na BR-070, em Primavera do Leste (239 km de Cuiabá). O animal, considerado sagrado pelo povo indígena, foi sepultado em área de floresta próxima à comunidade na Terra Indígena Sangradouro-Volta Grande.
Imagens do felino morto circularam nas redes sociais e levantaram especulações de que o animal seria utilizado para consumo ou retirada da pele, o que foi negado pela liderança indígena Hiparidi Top’Tiro. Segundo ele, a onça passou por um ritual fúnebre tradicional, com cantos e celebrações aos ancestrais.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso. O órgão destacou que é crime ambiental transportar animais silvestres sem autorização, vivos ou mortos, e orienta que, em casos de atropelamento, a população acione as autoridades ambientais.
Hiparidi explicou que o ritual durou cerca de duas horas e meia e tem relação com a lenda xavante da “dona do fogo”, que associa a onça-pintada à origem do fogo na cultura indígena. A liderança também defendeu a criação de um corredor ecológico e mais sinalização na rodovia para reduzir atropelamentos de animais silvestres.

















