Alexandre de Moraes aponta São Paulo como potência do setor, e Gilmar Mendes reage destacando a força produtiva de Mato Grosso durante julgamento sobre isenções a agrotóxicos
Um momento de descontração marcou a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento que discute a constitucionalidade das isenções fiscais concedidas aos agrotóxicos. Em meio ao debate técnico, os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes trocaram provocações bem-humoradas ao divergirem sobre qual estado lidera o agronegócio brasileiro, expondo uma rivalidade regional entre São Paulo e Mato Grosso.
Ao se dirigir a Gilmar Mendes, natural de Diamantino (MT) e único representante mato-grossense na Suprema Corte, Alexandre de Moraes afirmou que São Paulo seria a principal potência do agronegócio nacional, superando inclusive Mato Grosso em relevância econômica no setor. Em tom irônico, o ministro comentou:
“Ministro Gilmar Mendes, que é de uma área do agronegócio de Mato Grosso… não chega a ser o agronegócio do interior de São Paulo, mas está em evolução.”
Na sequência, Moraes acrescentou que a manutenção das isenções tributárias aos agrotóxicos poderia acelerar ainda mais o crescimento da produção agrícola mato-grossense.
“Com a isenção dos agrotóxicos, talvez chegue lá”, completou, arrancando risos no plenário.
Resposta em defesa de Mato Grosso
A provocação foi respondida prontamente por Gilmar Mendes, que fez questão de recorrer a números para sustentar sua posição. Segundo o ministro, Mato Grosso consolidou-se como o maior produtor agrícola do país, tendo ultrapassado a marca de 100 milhões de toneladas na safra de 2024.
“Mato Grosso lidera o ranking nacional de produção, seguido pelo Paraná”, afirmou.
Gilmar Mendes também ponderou que, embora São Paulo tenha papel de destaque na industrialização, no processamento e na exportação de produtos do agronegócio, o cenário se altera quando o critério analisado é exclusivamente a produção agrícola. Nesse recorte, destacou, Mato Grosso ocupa a primeira colocação nacional, enquanto São Paulo aparece apenas na sétima posição.
Tema sério por trás do tom leve
Apesar do clima descontraído, o diálogo ocorreu em meio a uma discussão de grande impacto econômico, ambiental e social. O STF analisa a validade das isenções fiscais aos agrotóxicos, política que influencia diretamente os custos de produção no campo, a competitividade do agronegócio e os debates relacionados à saúde pública e ao meio ambiente.
O episódio evidenciou não apenas diferentes leituras sobre os dados econômicos do setor, mas também a relevância estratégica do agronegócio mato-grossense para a segurança alimentar e a balança comercial do país, ao mesmo tempo em que reafirmou o papel histórico de São Paulo como centro industrial e exportador.
Entre números, provocações e argumentos, o debate no STF reforçou que, independentemente da disputa regional, o agronegócio permanece como um dos pilares fundamentais da economia brasileira.
Da redação com informações do site INFO VERUS

















