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A pesquisa confirmou o alerta: Antídio embaralhou o Senado e Esperidião Amin continua sendo o mais afetado

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Quando Antídio Lunelli anunciou sua entrada na disputa pelo Senado, a primeira análise publicada pela Sobretudo apontou uma tese que, naquele momento, era tratada apenas como projeção política: o maior prejudicado não seria Carlos Bolsonaro, nem Caroline De Toni e muito menos Décio Lima. Seria Esperidião Amin.

Na ocasião, a explicação parecia contraintuitiva para muitos observadores. Afinal, Amin e Antídio estarão na mesma chapa. A lógica mais comum seria imaginar que um fortaleceria o outro. A política, porém, raramente segue o caminho mais óbvio.

Dias depois, a pesquisa do Instituto Neokemp praticamente confirmou aquela leitura.

O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SC-05232/2026, ouviu 1.008 eleitores em 93 municípios catarinenses, entre os dias 15 e 16 de junho, possui margem de erro de 3,1 pontos percentuais e 95% de nível de confiança. Mais importante do que os números absolutos, o estudo permitiu comparar o cenário antes e depois da entrada de Antídio Lunelli na disputa.

E foi justamente nessa comparação que apareceu o principal movimento político.

Esperidião Amin caiu de 31,5% para 22,3% na soma dos dois votos ao Senado. Caroline De Toni passou de 48% para 40%. Décio Lima recuou de 27,3% para 23,5%. Enquanto isso, Antídio estreou com 19,2% na soma das intenções de voto, alterando profundamente o equilíbrio da disputa.

Os números mostram que a candidatura do empresário emedebista não ocupa apenas um espaço novo. Ela reorganiza o comportamento do eleitor.

No caso de Esperidião Amin, a pesquisa praticamente confirma a hipótese levantada anteriormente pela Sobretudo. Durante meses, parte do eleitorado tradicional do MDB vinha utilizando um de seus votos para apoiar o senador do Progressistas. Com a entrada de um candidato competitivo do próprio MDB, esse movimento começou a ser revertido. Não significa necessariamente que Amin perdeu seu eleitor conservador. Significa, principalmente, que perdeu parte do eleitor emedebista que o enxergava como segunda opção.

É um detalhe técnico, mas politicamente decisivo.

Já Caroline De Toni sofre um fenômeno diferente. Antídio também dialoga com uma parcela do eleitor bolsonarista. Embora pertença ao MDB, construiu uma imagem pública identificada com pautas da direita e mantém bom trânsito nesse segmento. O resultado é que parte do eleitor que antes concentrava seus dois votos nos candidatos ligados ao PL passa a distribuir melhor essas escolhas.

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Décio Lima também registra perda, mas por razões distintas. O MDB catarinense sempre foi um partido de perfil muito heterogêneo, abrigando lideranças de centro, centro-direita e centro-esquerda. Antídio acaba recuperando parte desse eleitorado histórico da legenda, que em determinados cenários migrava para o candidato do PT. Isso explica por que sua candidatura afeta simultaneamente nomes de diferentes campos políticos.

Mas existe um aspecto da pesquisa que merece uma análise ainda mais profunda.

A maioria dos comentários concentrou-se em quem perdeu votos.

Talvez a pergunta mais importante seja outra.

O que acontece quando quatro candidatos competitivos passam a disputar praticamente o mesmo eleitorado?

Hoje, Carlos Bolsonaro, Caroline De Toni, Esperidião Amin e Antídio Lunelli disputam, em maior ou menor grau, o voto de centro-direita e do eleitor conservador. É evidente que cada um possui nichos próprios, mas também é evidente que existe uma zona de sobreposição entre eles.

Essa pulverização pode alterar completamente a dinâmica da eleição.

E é justamente aqui que a disputa começa a lembrar outro momento recente da política catarinense.

Em 2022, a grande quantidade de candidaturas no campo da direita fragmentou votos suficientes para permitir que Décio Lima chegasse ao segundo turno da eleição para governador. Evidentemente, as disputas são diferentes. A eleição para o Senado oferece dois votos ao eleitor e possui outra lógica. Ainda assim, permanece uma regra matemática difícil de ignorar: quando um mesmo campo político divide excessivamente seus votos entre vários candidatos, aumenta as possibilidades de que adversários com eleitorado mais consolidado encontrem espaço competitivo.

Isso significa que a entrada de Antídio fortalece Décio Lima?

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Não necessariamente.

A própria pesquisa mostra que Décio também perde votos com a chegada do emedebista. Portanto, não existe uma transferência direta de força para o PT.

O que Antídio produz é outra coisa.

Ele torna a eleição muito menos previsível.

A partir de agora, nenhum dos principais candidatos poderá fazer campanha olhando apenas para seu adversário ideológico. Todos passam a disputar votos dentro do próprio campo político.

Existe ainda um dado que chama atenção.

Antídio aparece com apenas 2,6% de rejeição, índice muito inferior ao de candidatos mais conhecidos, como Carlos Bolsonaro e Décio Lima. É verdade que baixa rejeição costuma caminhar ao lado de menor nível de conhecimento do eleitor. Ainda assim, esse indicador revela um potencial importante de crescimento durante a campanha, principalmente entre eleitores que procuram uma alternativa menos polarizada.

PONTO DE VISTA

A pesquisa Neokemp não definiu quem será eleito senador.

Mas confirmou algo que a Sobretudo já havia antecipado: a entrada de Antídio Lunelli mudou o eixo da disputa.

Esperidião Amin continua sendo, até aqui, o candidato mais afetado por esse novo cenário. Não porque perdeu protagonismo político, mas porque passou a disputar uma parcela do eleitorado que antes lhe chegava de forma quase automática.

Ao mesmo tempo, a pesquisa deixa um alerta para todo o campo da centro-direita.

Quanto maior a pulverização entre candidatos que conversam com o mesmo eleitor, maior será a dificuldade de construir uma vantagem consistente. E quanto mais fragmentado esse campo permanecer, mais imprevisível ficará uma eleição que, há poucas semanas, parecia caminhar para um desenho muito mais estável.

A política ensina que pesquisas não servem apenas para medir intenções de voto.

As melhores pesquisas revelam movimentos.

E, neste momento, o maior movimento não é quem está na frente.

É perceber que a entrada de um único candidato foi suficiente para obrigar praticamente todos os demais a recalcular suas estratégias.

Esse talvez seja o dado mais importante de todo o levantamento.

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