Enquanto a disputa pelo Governo do Estado domina os palanques, é a corrida ao Senado que está redesenhando alianças, movimentando lideranças e concentrando as negociações mais delicadas da política catarinense.
Encerradas as convenções partidárias, Santa Catarina entra oficialmente em uma nova fase da campanha eleitoral. Mas quem acompanha apenas a corrida ao Governo do Estado enxerga apenas parte do tabuleiro. A disputa que mais mobilizou lideranças nos últimos meses, e que continuará influenciando cada movimento até outubro, acontece em torno das duas vagas ao Senado.
Nunca uma eleição para senador teve tanto peso nas decisões partidárias catarinenses.
A razão é simples. O governador administra Santa Catarina por quatro anos. O senador participa das principais decisões nacionais durante oito. É no Senado que passam indicações ao Supremo Tribunal Federal, às cortes superiores, autoridades federais, reformas estruturantes e temas que moldam a relação entre União e estados.
Essa importância fez com que o Senado deixasse de ser um complemento de chapa para se tornar o centro das negociações.
No campo governista, o PL apostou em uma estratégia ousada ao lançar uma chapa pura para o Senado, formada por Carol De Toni e Carlos Bolsonaro. A decisão atende diretamente ao projeto nacional do partido e busca potencializar o eleitorado conservador catarinense, embora também imponha o desafio de administrar dois nomes disputando o mesmo espaço político. (Gazeta do Povo)
Na oposição, a construção seguiu caminho diferente. A aliança liderada por João Rodrigues reuniu Esperidião Amin e Antídio Lunelli, apostando na experiência política do senador e na força administrativa e empresarial do ex-prefeito de Jaraguá do Sul. Mais do que uma composição eleitoral, a chapa representa uma tentativa de ampliar o alcance regional da candidatura ao Governo e consolidar um palanque competitivo em todas as regiões do Estado. (Jornal Metas)
Já o campo da centro-esquerda também demonstrou que compreendeu a importância estratégica da disputa. A chapa formada por Décio Lima e Afrânio Boppré busca concentrar o eleitorado progressista e garantir presença competitiva na eleição majoritária. (Jornal Metas)
Mas os bastidores revelam um cálculo ainda mais sofisticado.
Em uma eleição com dois votos para o Senado, as campanhas deixaram de disputar apenas a preferência do eleitor. Passaram a disputar o segundo voto. É justamente aí que está uma das maiores incógnitas desta eleição.
Pesquisas divulgadas antes do encerramento das convenções mostravam Carol De Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin formando o bloco mais competitivo da disputa, enquanto Décio Lima buscava crescer e Antídio Lunelli tentava ampliar sua presença no eleitorado estadual. Os levantamentos também indicavam um percentual elevado de eleitores ainda indecisos em relação ao segundo voto, mantendo a disputa completamente aberta. (Santa Catarina em Pauta)
Essa é a principal preocupação das coordenações políticas.
O primeiro voto costuma refletir a preferência consolidada do eleitor. O segundo é muito mais sensível ao desempenho da campanha, aos debates, ao horário eleitoral e aos movimentos das últimas semanas. É nesse espaço que alianças regionais, apoios de prefeitos, vereadores e lideranças locais podem fazer a diferença entre conquistar ou perder uma cadeira no Senado.
Outro aspecto chama atenção.
Embora as convenções tenham encerrado oficialmente o período de escolha dos candidatos, as negociações políticas estão longe do fim. O prazo para registro das candidaturas ainda permite ajustes finais, e os partidos continuam trabalhando para ampliar seus palanques regionais, atrair novas lideranças e fortalecer suas nominatas proporcionais. (Jornal Metas)
Nos bastidores, dirigentes admitem que a campanha ao Senado será, em muitos municípios, ainda mais intensa do que a disputa ao Governo. Isso porque cada voto conquistado pode alterar completamente a ordem dos dois eleitos. Diferentemente da eleição para governador, em que apenas um nome vence, o Senado cria uma dinâmica própria, estimulando alianças cruzadas, pedidos de voto compartilhados e estratégias específicas para conquistar o segundo voto do eleitor.
É justamente por isso que prefeitos, deputados estaduais, federais e lideranças regionais passaram a ser disputados com tanta intensidade. Um apoio municipal deixou de representar apenas alguns milhares de votos para governador. Agora pode significar a diferença entre ocupar uma cadeira em Brasília ou ficar pelo caminho.
A campanha começa oficialmente nos próximos dias, mas uma conclusão já pode ser tirada.
A eleição para o Governo seguirá sendo o grande espetáculo político de 2026.
Mas será a guerra silenciosa pelas duas vagas ao Senado que poderá definir quem realmente sairá fortalecido de Santa Catarina para influenciar os rumos do Brasil nos próximos oito anos.



























