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Safra maior pode reduzir receita do campo em R$ 66 bilhões

Somadas, as produções de grãos no Brasil entre 2023 e 2025 chegaram a 955,23 milhões de toneladas. A produção nacional de soja, milho, algodão, sorgo e café do tipo canephora quebrou recordes. (Foto: Divulgação / Secom-MAPA)

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O aumento da produção de grãos não deve se traduzir em maior faturamento para o produtor rural em 2026. Segundo projeção do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária deve cair de R$ 1,464 trilhão em 2025 para R$ 1,398 trilhão neste ano, redução de R$ 66 bilhões, ou 4,5%. A estimativa ocorre mesmo com a previsão de uma safra de 360,8 milhões de toneladas, 8,5 milhões a mais que no ciclo anterior.

A retração está ligada principalmente à queda dos preços agrícolas, enquanto os custos de produção permanecem elevados. O faturamento das lavouras deve recuar 6%, para R$ 893,3 bilhões, com perdas no milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Entre as maiores quedas estão cacau, com 57%, laranja, com 41,8%, e trigo, com 25,4%. A soja, principal cultura do país, deve manter receita próxima da registrada no ano anterior, em R$ 336 bilhões.

O cenário preocupa porque a menor renda reduz a capacidade do produtor de financiar o ciclo seguinte. “O número que interessa ao produtor não é apenas quanto saiu da lavoura, mas quanto permaneceu no caixa depois da comercialização. Produzir mais exige capital, tecnologia e risco. Quando esse esforço resulta em menor receita, a propriedade perde capacidade para iniciar o ciclo seguinte nas mesmas condições”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso.

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A pressão já aparece em algumas culturas, como o trigo, cuja área plantada deve cair 20,4% e a produção, 26,2%. Para o setor, o cenário reforça a necessidade de crédito, seguro rural, armazenagem, logística e melhores condições de comercialização. “Uma agricultura forte não pode ser medida somente pela quantidade que embarca ou entrega ao mercado. É necessário garantir condições para que o valor gerado permaneça na propriedade e seja reinvestido”, diz Rezende.

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