O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou 111 procedimentos relacionados a trabalho infantil em Mato Grosso ao longo de 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado registrou 45.711 crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024, 209 casos a mais que em 2023, o que representa 6,5% da população nessa faixa etária e a 5ª maior taxa do país.
Entre os casos, 17.576 estavam enquadrados na Lista TIP, que reúne as piores formas de trabalho infantil, consideradas prejudiciais à saúde, segurança e moralidade. No estado, foram identificadas 11 funções de risco, com destaque para atividades na agricultura (10 casos), manuseio de inflamáveis e trabalho em altura (5) e oficinas mecânicas (3). Cuiabá lidera os registros, com mais de 40 ocorrências, seguida por Barra do Garças, Rondonópolis, Sinop e Alta Floresta.
Segundo o psicólogo infantil Rodrigo Brito, as atividades incluídas na Lista TIP expõem crianças e adolescentes a riscos físicos e emocionais graves. “O trabalho infantil expõe a criança ou o adolescente em situação de vulnerabilidade extrema”, afirmou. Ele cita consequências como traumas, ansiedade, depressão, distúrbios do sono, acidentes e até risco de morte.
O especialista reforça que o trabalho precoce compromete o desenvolvimento e o direito à educação. “Precisamos lembrar que lugar da criança e do adolescente é na escola”, destacou, ao afirmar que o trabalho infantil é uma barreira para a formação integral e para a construção de vínculos sociais.

















