O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), alertou sobre a crescente presença das facções criminosas no estado, destacando que esses grupos se tornaram uma “franquia” do crime organizado no Brasil. Em entrevista após a apresentação do balanço do Programa Tolerância Zero, Mendes enfatizou que o modelo de negócios dessas facções se espalhou por diversas regiões, incluindo o território mato-grossense, tornando o combate ainda mais complexo.
De acordo com o estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, 65% dos municípios de Mato Grosso têm a presença de ao menos uma facção criminosa. Isso representa 92 das 142 cidades do estado. O governador afirmou que o governo tem adotado ações sistemáticas contra o crime, mas reconheceu as dificuldades impostas pelo modelo de atuação das facções, que operam de maneira descentralizada e se infiltram em diversas atividades.
Mendes também provocou polêmica ao afirmar, na quarta-feira (26), que “não é crime pertencer a uma facção”, mas, no dia seguinte, explicou que a situação em Mato Grosso é diferente de outros estados, onde as facções dominam bairros inteiros. Em Mato Grosso, segundo ele, os criminosos realizam atividades “cinzas”, como a venda de gás e internet, que não são, por si só, ilegais.
O governador ainda comentou sobre os desafios enfrentados pela polícia no estado, citando a proximidade com a Bolívia como um fator que favorece o tráfico de drogas e fortalece as facções criminosas. Ele apontou que a legislação atual muitas vezes permite que criminosos sejam soltos rapidamente após prisões, dificultando a contenção da violência. Além disso, Mendes criticou a interpretação de índices de violência e destacou que, na média, os indicadores de segurança no estado melhoraram.


































