O conflito no Irã já começa a afetar o abastecimento mundial de alimentos ao provocar a interrupção de rotas marítimas e impactar diretamente o comércio de fertilizantes. Nesta terça-feira (24), a Rússia, um dos maiores produtores globais, anunciou a suspensão temporária das exportações por um mês, priorizando o mercado interno.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos, até 45 milhões de pessoas podem ser afetadas pela fome caso o preço do petróleo se mantenha acima de US$ 100 o barril até junho. A alta nos custos de frete e energia já pressiona cadeias globais de distribuição.
As rotas marítimas também estão sendo redirecionadas por questões de segurança, com embarcações evitando áreas de risco e aumentando significativamente o tempo de transporte. Em alguns casos, navios que saíam da Índia para o Sudão passaram a contornar a África até o Mediterrâneo, elevando custos e atrasos logísticos.
O impacto mais sensível está no mercado de fertilizantes. O preço da ureia, principal insumo nitrogenado da agricultura, já subiu cerca de 50%. A produção depende do gás natural, e a instabilidade no Oriente Médio, região com grandes reservas, levou à redução ou paralisação de fábricas no Golfo.
Especialistas alertam que o cenário pode afetar diretamente a produção agrícola mundial. “O fertilizante é o alimento das plantas e ele tem que ser aplicado no momento da safra”, afirmou o professor Marcos Jank, do Insper. Ele destacou ainda que o Brasil, embora ainda não sinta o impacto imediato, está exposto, já que cerca de 25% dos fertilizantes importados vêm da Rússia.

















