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Governo lamenta adoção pelos EUA de tarifa de 10% a produtos brasileiros exportados para aquele país

O governo brasileiro avalia utilizar os dispositivos da reciprocidade econômica aprovada pelo Congresso nesta semana para assegurar a “reciprocidade no comércio bilateral” entre os dois países. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

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“A imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil não reflete a realidade”, afirma nota conjunta do MDIC e MRE; nos 15 anos, EUA alcançou superávit de R$ 2,3 trilhões com as relações junto ao país

 

Por Humberto Azevedo

 

O governo federal lamentou a adoção pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) de tarifar em 10% a todos produtos brasileiros exportados para aquele país. De acordo com nota conjunta emitida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), nos últimos 15 anos o superávit comercial obtido pelo país do hemisfério Norte junto ao país foi de R$ 2,3 trilhões.

 

“Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando R$ 2,30 trilhões (US$ 410 bilhões), a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade”, afirma a nota.

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Para tentar reverter os prejuízos que a tarifa de 10% ao país acarretará aos “trabalhadores e empresas brasileiros”, o governo federal “buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos. (…) avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC), em defesa dos legítimos interesses nacionais”.

 

“O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, destaca a nota conjunta do MDIC e MRE.

 

“Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de R$ 39,2 bilhões (US$ 7 bilhões), somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a R$ 160,16 bilhões (US$ 28,6 bilhões) no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo. (…) Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos”, complementa a nota dos dois ministérios.

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