Ministro afirma que STF não age como “tirano” e reforça que crimes contra a democracia não podem ser perdoados
Sem citar diretamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ministro Gilmar Mendes afirmou neste domingo (7) que os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) não se comportam como “tiranos” e que a Corte tem cumprido seu papel constitucional.
A manifestação do decano ocorreu horas depois de Tarcísio, durante discurso na avenida Paulista, acusar o ministro Alexandre de Moraes de agir de forma autoritária. O governador associou Moraes a uma suposta “tirania” por ser relator de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Por que vocês estão gritando isso [‘Fora, Moraes’]? Talvez porque ninguém aguente mais. Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo nesse país”, disse Tarcísio.
Em resposta, Gilmar destacou que o verdadeiro problema para o país são as “sucessivas tentativas de golpe” que ameaçam a democracia. Segundo ele, o STF atua como guardião da Constituição e do Estado de Direito.
“O que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo. É fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão! Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam”, escreveu o ministro nas redes sociais.
Mais cedo, milhares de apoiadores de Bolsonaro foram às ruas em várias cidades em defesa da anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes. Além da pauta do perdão, os manifestantes também fizeram críticas à atuação dos ministros do Supremo.
Íntegra da manifestação
Leia a seguir a íntegra da manifestação de Gilmar Mendes nas redes sociais:
“No Dia da Independência, é oportuno reiterar que a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento. Não há no Brasil “ditadura da toga”, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando as garantias fundamentais.
Se quisermos falar sobre os perigos do autoritarismo, basta recordar o passado recente de nosso país: milhares de mortos em uma pandemia, vacinas deliberadamente negligenciadas por autoridades, ameaças ao sistema eleitoral e à separação de Poderes, acampamentos diante de quartéis pedindo intervenção militar, tentativa de golpe de Estado com violência e destruição do patrimônio público, além de planos de assassinato contra autoridades da República.

















