Uma declaração feita durante sessão ordinária na Câmara Municipal de Cuiabá acabou ultrapassando os limites do plenário e ganhou repercussão nacional nos últimos dias. O vereador Rafael Ranalli, do PL, virou alvo de críticas após chamar o colega Daniel Monteiro, do Republicanos, de “baitola” durante uma troca de provocações em sessão legislativa realizada na semana passada.
A fala provocou reação imediata do deputado estadual paulista Guilherme Cortez, do PSOL, que prometeu acionar o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Ranalli. Para o parlamentar, o vereador cuiabano pode ter cometido crime de homofobia e deve responder judicialmente pelas declarações feitas em plenário.
“Quando os representantes públicos agem dessa maneira, passam um recado para toda a sociedade. Homofobia é crime e a política não pode ser espaço livre para ela”, afirmou Guilherme Cortez ao comentar o episódio que rapidamente tomou conta das redes sociais e do debate político.
Com a repercussão negativa, Ranalli divulgou uma nota pública tentando conter a crise. O vereador alegou que a fala foi feita em tom de brincadeira com Daniel Monteiro, com quem afirma possuir intimidade, e negou qualquer intenção discriminatória ou ofensiva. Segundo ele, a troca de provocações começou após ser chamado de “Jean Wyllys da Câmara”, em referência ao ex-deputado federal e ativista LGBT Jean Wyllys.
Na nota, Ranalli também criticou duramente a postura do deputado paulista e afirmou que a tentativa de levar o caso ao TSE seria uma “exploração nacional” de um episódio local ocorrido em meio a provocações entre parlamentares. O vereador destacou ainda que, até o momento, não houve qualquer acionamento formal da defesa sobre o caso.
“O vereador destaca que sequer houve acionamento formal da defesa até o momento e avalia que a iniciativa não possui efeito jurídico prático, tratando-se de tentativa de exploração nacional de um episódio local ocorrido em meio a uma troca de provocações entre parlamentares”, diz trecho da manifestação divulgada pela assessoria.
Ranalli ainda elevou o tom contra Guilherme Cortez e afirmou que o deputado do PSOL deveria concentrar esforços em pautas relacionadas ao próprio estado de São Paulo, em vez de transformar a discussão ocorrida na Câmara de Cuiabá em um “espetáculo político nacional”. A polêmica segue repercutindo nos bastidores da política mato-grossense e deve continuar gerando desdobramentos nos próximos dias.












