A falta de gado e a alta do preço da carne nos Estados Unidos levaram o presidente Donald Trump a abrir, por 90 dias, uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina sem a tarifa aplicada aos volumes excedentes. A medida pode beneficiar o Brasil, segundo maior fornecedor externo do produto ao mercado americano, mas ainda não define quais países ocuparão a nova cota.
Os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, em negócios equivalentes a cerca de R$ 8,5 bilhões. No primeiro semestre de 2026, foram 205 mil toneladas, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Grande parte dos embarques é formada por cortes magros usados pela indústria americana na produção de carne moída e hambúrgueres.
A oferta americana foi afetada pela redução do rebanho, que chegou a 86,2 milhões de bovinos e bezerros no início de 2026, o menor nível em cerca de 75 anos. A escassez elevou o preço médio da carne moída para o equivalente a R$ 78,70 por quilo em julho, alta de 10% em um ano. A situação ganhou relevância política para Trump diante da pressão sobre o orçamento das famílias.
Para o Brasil, a abertura representa uma oportunidade de ampliar as exportações e aumentar a procura por cortes destinados ao processamento, mas o ganho dependerá da participação brasileira na cota, dos preços, da logística e das condições sanitárias. A regulamentação da medida deve ser assinada nas próximas duas semanas. A decisão é vista como uma resposta emergencial à inflação da carne e pode abrir espaço para novas negociações comerciais, mas não representa uma mudança definitiva na política de proteção do mercado americano.




















