Os consumidores brasileiros arcaram com mais de R$ 7 bilhões por ano em 2024 e 2025 para cobrir prejuízos causados por furtos e fraudes de energia elétrica, segundo dados apresentados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e por distribuidoras do setor em audiência na Câmara dos Deputados. Os valores são repassados às tarifas e impactam diretamente a conta de luz da população.
De acordo com a Aneel, as chamadas “perdas não técnicas” somaram 40 TWh em 2024, o equivalente a 6,6% de toda a energia distribuída no país. O prejuízo total chegou a R$ 10,3 bilhões, dos quais R$ 7,1 bilhões foram absorvidos pelos consumidores, R$ 3,3 bilhões pelas distribuidoras e R$ 1 bilhão pelo poder público devido à perda de arrecadação tributária.
O problema é mais grave nas regiões Norte e Sudeste. Segundo a agência reguladora, os clientes da Amazonas Energia e da Light, no Rio de Janeiro, estão entre os mais afetados. No Amazonas, a tarifa poderia ser cerca de 13% menor sem os furtos de energia, enquanto na área atendida pela Light a redução poderia chegar a 9,1%.
Representantes do setor também alertaram para o aumento do furto de cabos elétricos. Apenas em 2025 foram registradas cerca de 25 mil ocorrências, causando prejuízos estimados em R$ 97 milhões, além de interrupções no fornecimento e aumento do risco de acidentes.
Durante a audiência, especialistas apontaram que o repasse desses custos cria um ciclo de aumento das tarifas, conhecido como “espiral da morte”, no qual mais consumidores acabam arcando com os prejuízos provocados por fraudes e ligações clandestinas. Entre as soluções debatidas estão a revisão das metas de perdas das distribuidoras e a adoção de modelos de tarifas mais adequados às características de cada região.

















