Com a chegada do período chuvoso, um velho e perigoso cenário volta a preocupar autoridades de saúde: o avanço silencioso de doenças respiratórias, especialmente entre crianças. Em Mato Grosso, o sinal de alerta já foi acionado após o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionado por vírus como o sincicial respiratório (VSR), principal responsável pela bronquiolite — uma infecção que pode evoluir rapidamente e levar à internação.
Dados recentes da Fiocruz colocam o estado entre os que estão em nível elevado de risco, com crescimento preocupante de registros, principalmente entre o público infantil. Em Cuiabá, a situação também chama atenção: a capital figura entre as cidades brasileiras em estado de alerta, com tendência de aumento contínuo dos casos nas últimas semanas.
Por trás desse avanço estão vírus altamente contagiosos, que encontram no clima úmido e em ambientes fechados o cenário ideal para se espalhar. O rinovírus, comum entre crianças e adolescentes, o VSR, que atinge principalmente menores de dois anos, e a influenza A, que afeta todas as faixas etárias, estão entre os principais responsáveis pelo aumento das internações.
Os números impressionam. Só em 2025, o Brasil registrou mais de 43 mil casos de SRAG ligados ao VSR, sendo que a grande maioria das hospitalizações ocorreu em crianças pequenas. No mundo, o impacto é ainda maior: milhões de internações e milhares de mortes todos os anos, evidenciando a gravidade do problema.
A bronquiolite, uma das doenças mais preocupantes nesse cenário, afeta diretamente as vias respiratórias dos pequenos, dificultando a passagem de ar e provocando sintomas que vão de febre e tosse persistente até falta de ar intensa. Em casos mais graves, pode levar a complicações sérias, exigindo atendimento hospitalar urgente.
Especialistas alertam que a transmissão acontece com facilidade, principalmente em ambientes com grande circulação de crianças, como creches e escolas. O contato com secreções, objetos compartilhados e a falta de cuidados básicos favorecem a disseminação dos vírus, tornando o controle ainda mais desafiador.
Diante desse cenário, a principal arma continua sendo a prevenção. A vacinação, aliada a cuidados simples como manter ambientes ventilados, incentivar a hidratação e observar sinais iniciais da doença, pode fazer a diferença entre um quadro leve e uma complicação grave. A recomendação é clara: atenção redobrada, especialmente com os mais vulneráveis.


















