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Cármen Lúcia denuncia machismo e alerta para violência contra mulheres

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A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia criticou a persistência do machismo, da desigualdade de gênero e da violência contra mulheres durante palestra na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, nesta terça-feira (13). A magistrada destacou que 40 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso em 2026, segundo dados do Instituto Caliandra, do Ministério Público estadual (MPMT), e afirmou que a igualdade prevista na Constituição ainda não se concretizou.

“Apesar de termos uma Constituição que garante direitos iguais, nós não vivemos num mundo em que a igualação já se fez”, afirmou. Cármen Lúcia também abordou o apagamento histórico das mulheres na ciência e na política, citando pesquisadoras como Marie Curie, Rosalind Franklin e Jocelyn Bell, cujas contribuições nem sempre receberam o devido reconhecimento. Para a ministra, a exclusão feminina também marcou a história brasileira, com mulheres que participaram de movimentos emancipatórios sendo deixadas à margem dos registros oficiais.

Ao tratar da violência de gênero, a magistrada relacionou os feminicídios à desigualdade e cobrou mudanças na sociedade. “Uma sociedade que mata uma mulher a cada menos de seis horas por ser mulher é uma sociedade de desiguais”, declarou. Ela também defendeu maior participação feminina nos espaços de poder e ressaltou que a democracia depende do respeito à pluralidade e da garantia de direitos políticos a todos os cidadãos.

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Os dados do Instituto Caliandra apontam que o número de vítimas em 2026 se aproxima das 57 mulheres assassinadas em Mato Grosso durante todo o ano passado. O cenário contrasta com discursos que questionam a relevância das leis de proteção às mulheres ou colocam em dúvida a existência histórica do feminicídio antes de sua tipificação legal. Ao encerrar a palestra, Cármen Lúcia reforçou a importância da educação, do reconhecimento das contribuições femininas e da participação democrática para enfrentar a desigualdade e a violência.

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