A denúncia de assédio moral e sexual que levou à queda do ex-secretário municipal de Desenvolvimento e Trabalho, William Leite de Campos, provocou reação imediata na Câmara Municipal de Cuiabá. Em meio à repercussão do caso, os vereadores aprovaram a criação de uma comissão especial para acompanhar as investigações, que será presidida pela vereadora Dra. Mara (Podemos).
A proposta foi aprovada por ampla maioria de 22 votos favoráveis e apenas uma abstenção. Durante a sessão, o clima foi de cobrança por respostas e por uma atuação mais firme do Legislativo diante da gravidade das acusações.
“Esta Casa não pode se omitir”, afirmou Dra. Mara ao defender a comissão. “Estamos diante de uma denúncia grave, que exige posicionamento claro e compromisso real no enfrentamento ao assédio sexual.”
Autora do requerimento, a vereadora assumirá a presidência do colegiado. Os demais integrantes ainda serão definidos pelo Colégio de Líderes. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos), que havia defendido a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pediu para integrar o grupo responsável por acompanhar o caso.
A denúncia que levou à exoneração
William Leite pediu exoneração na tarde da última sexta-feira, poucas horas depois de uma ex-servidora municipal registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. No documento, ela acusa o então secretário de assédio moral e sexual.
Segundo o registro policial, os episódios teriam ocorrido ao longo de 2025, dentro das dependências da Prefeitura de Cuiabá, em um contexto de subordinação hierárquica. A denunciante relatou que deixou o cargo meses após os fatos, mas só agora decidiu procurar as autoridades.
O silêncio, segundo ela, foi motivado pelo medo.
“Não formalizei a denúncia à época por receio de exposição e de prejudicar um familiar nomeado em outra secretaria”, declarou. “Somente agora, após tomar conhecimento de denúncias anteriores, senti-me segura para registrar a ocorrência.”
Casos anteriores e nova apuração
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, confirmou que denúncias anteriores envolvendo o ex-secretário chegaram a ser encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Civil, mas acabaram arquivadas por falta de provas. Com o novo boletim de ocorrência, no entanto, o caso ganha novo fôlego e deve ser novamente investigado.
Enquanto a Polícia Civil analisa os fatos, a comissão especial da Câmara promete acompanhar cada passo do processo, em um caso que expõe não apenas uma denúncia individual, mas também o debate sobre assédio, poder e silêncio dentro da administração pública municipal.




























