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Brasil lidera ranking de supersalários no funcionalismo público, com impacto de R$ 20 bilhões

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Um estudo do Movimento Pessoas à Frente e da República.org, divulgado nesta quarta-feira (26), revela que o Brasil está no topo do ranking de supersalários entre 10 países com características sociais e culturais semelhantes. A pesquisa identificou 53.488 funcionários públicos brasileiros recebendo acima do teto constitucional de R$ 46.366,19. Esses “supersalários” consumiram cerca de R$ 20 bilhões entre agosto de 2024 e julho de 2025, com a maior concentração de rendimentos elevados entre os juízes brasileiros, com 79,9% dos magistrados ultrapassando o teto.

A Argentina ocupa o segundo lugar no ranking, com cerca de 27 mil servidores públicos recebendo salários acima do teto. Os Estados Unidos ficam em terceiro, com 4.081 casos. A pesquisa, que analisou cerca de 4 milhões de salários, adota uma métrica baseada na comparação dos rendimentos do funcionalismo com o salário do presidente da República ou do primeiro-ministro de cada país. O estudo aponta que juízes no Brasil, por exemplo, ganham mais do que a maioria de seus pares em outros países, com quase 11 mil magistrados recebendo mais de US$ 400 mil (ajustados pela paridade do poder de compra) entre 2024 e 2025.

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Para Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, os supersalários têm um “efeito desmoralizante” sobre a legitimidade do Estado, ao aumentar a desigualdade dentro do serviço público e desviar recursos de áreas essenciais. Ela alerta para a “corrida para receber salários além do teto”, o que afeta a capacidade do governo de realizar investimentos necessários em setores como saúde e educação.

O movimento sugere uma série de medidas para combater os supersalários, como a criação de um novo projeto de lei para classificar adequadamente as verbas remuneratórias e indenizatórias, e estabelecer mecanismos de transparência e governança. Além disso, a proposta inclui mudanças na tributação e a aplicação de penalidades a quem autorizar pagamentos fora do teto, considerando a improbidade administrativa. O estudo evidencia ainda que o Judiciário é um dos setores mais preocupantes, com juízes recebendo, em 2024, remunerações mensais superiores a R$ 100 mil em 63.816 ocasiões.

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