Tarcísio, em SP

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares bolsonaristas e do “centrão”, a carta do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) lida pelo seu filho – o senador Flávio (PL-RJ) – no dia de Natal, endossando a sua candidatura foi interpretada como um movimento irreversível, que força o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a recuar de sua pretensão presidencial. Os líderes partidários entendem que Tarcísio não deseja enfrentar uma disputa desgastante pelo mesmo eleitorado no primeiro turno, optando pelo caminho mais cômodo e quase garantido da reeleição no Palácio dos Bandeirantes. Com a saída do principal nome bolsonarista “moderado”, o cenário à direita se fragmenta, com as possíveis candidaturas dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); do Paraná, Ratinho Junior (PSD); e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Com isso, a elite financeira passa a depositar suas fichas em Ratinho Jr.
A estratégia da Iurd

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares do “centrão” e de fontes ligadas ao Planalto, as gravações obtidas pelo site “Intercept Brasil” revelam uma estratégia eleitoral orquestrada pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para mobilizar fiéis como cabos eleitorais. Em áudios de abril de 2024, bispos como Sérgio Corrêa e o deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA) orientam pastores e obreiros na Bahia a atuarem na campanha de candidatos da igreja, majoritariamente do Republicanos. O método inclui a criação de listas de transmissão pelo “WhatsApp” para divulgação massiva de conteúdo, a verificação da regularidade dos títulos de eleitor dos fiéis e a abordagem personalizada a familiares e vizinhos, apresentando os candidatos como “amigos”. Especialistas apontam que a campanha pode configurar abuso de poder econômico e coação eleitoral.
Grande aposta

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares ligados ao Planalto, a execução acelerada do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com R$ 944,8 bilhões aplicados nos últimos três anos – o que representa 70,8% da meta estabelecida para 2023 a 2026 – é a grande aposta do governo para rachar os partidos do “centrão”. A estratégia visa atrair deputados e senadores de siglas críticas, como PP, União Brasil, PL, Cidadania e PSDB, ao demonstrar a capilaridade dos investimentos, que já beneficiaram 99% dos municípios programados com 34,8 mil empreendimentos. A distribuição de obras em infraestrutura, saúde, educação e saneamento em todo o território nacional é encarada como uma poderosa moeda de barganha política. O objetivo do governo é forçar claramente uma adesão ou, no mínimo, garantir a neutralidade de partidos como Republicanos, PSD e MDB em relação ao apoio à reeleição do presidente Lula.
Grande aposta 2

As mesmas fontes ligadas ao Planalto apontam que as obras emblemáticas do “Novo PAC”, como a ponte sobre o Rio Araguaia, são peças-chave na estratégia de persuasão política. A inauguração dessa ligação entre Tocantins e Pará, após décadas de espera, simboliza a capacidade do governo de entregar integração regional e desenvolvimento concreto. Obras como esta, espalhadas por todos os estados, serão exibidas como “prova tangível” de geração de emprego, renda e melhoria na qualidade de vida. Paralelamente, a meta superada do programa “Minha Casa, Minha Vida”, com dois milhões de moradias contratadas, atinge diretamente as bases nos municípios. O cálculo político é que os prefeitos e deputados, pressionados por eleitores beneficiados, serão conduzidos a apoiar o governo ou, no mínimo, a abster-se de uma oposição ferrenha, fragilizando blocos partidários críticos.
Grande aposta 3

As fontes ligadas ao Palácio do Planalto apontam ainda a criação do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), com R$ 39 bilhões em novos editais, como a “isca final” para seduzir prefeitos, governadores e sua base parlamentar. O mecanismo permite o financiamento a juros baixos para obras de saúde e educação não contempladas no orçamento regular, atendendo a uma demanda histórica dos gestores municipais. Ao autorizar a construção de hospitais, Unidades Prontas de Atendimento (UPAs), creches, a compra de ambulâncias e ônibus escolares conforme a solicitação local, o governo fedral cria um “vínculo de dependência política direta”. A avaliação, nos bastidores, é que esse instrumento, somado à retomada de editais de saneamento básico após anos de paralisia, é decisivo para minar a resistência de legendas oposicionistas, convertendo o apoio tácito ao “novo PAC” como sustentação para a campanha de reeleição presidencial.
Transnordestina

No esteio da grande aposta governista com o “novo PAC”, e de acordo com informações apuradas junto a parlamentares ligados ao Planalto, a “hora da realidade” – que contrasta um governo que entrega com as gestões passadas de Temer e Bolsonaro – está chegando. O símbolo desta virada é a ferrovia Transnordestina, que acaba de realizar seu primeiro teste de carga, transportando mil toneladas de milho do Piauí para o Ceará. Com investimentos totais que superam R$ 5,3 bilhões, reforçados por uma nova liberação de R$ 700 milhões, a obra de 1,2 mil quilômetros avança com 100% da execução contratada. A recente assinatura dos trechos mais complexos, que a ligarão ao Porto de Pecém (CE), e a obtenção da licença de operação pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) marcam sua transição de promessa para realidade operacional.
Transposição

No esteio da grande aposta governista com o “novo PAC” e de acordo com informações de fontes do Planalto, as entregas em infraestrutura hídrica para 2026 prometem ser o carro-chefe da campanha à reeleição de Lula. O principal trunfo é a consolidação da Transposição do Rio São Francisco, que em 2025 recebeu R$ 2 bilhões em investimentos e já beneficia 12 milhões de pessoas no Nordeste. Obras complementares, como o ramal do Apodi e a Barragem Oiticica, ampliam o alcance do projeto. Paralelamente, o programa Água Doce instalou 140 novos sistemas de dessalinização no Semiárido, levando água potável a comunidades rurais. Para a estratégia política, a materialização do “Caminho das Águas” simboliza o Estado realizador, em contraste direto com a seca histórica e a inércia de gestões passadas.
Copa do Mundo 2027

O governo federal criou a Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027. A nova estrutura, vinculada ao Ministério do Esporte, do ministro André Fufuca – deputado federal pelo PP do Maranhão e que perdeu o comando maranhense da sigla ao permanecer na Esplanada mesmo com a decisão da federação União Progressista, funcionará até 31 de dezembro de 2027 e será responsável pela coordenação nacional, logística e integração entre órgãos para a realização do megaevento. O Brasil será o primeiro país sul-americano a sediar a competição, que acontecerá entre 24 de junho e 25 de julho daquele ano, com 32 seleções. As cidades-sede serão Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP), todas com experiência anterior na Copa masculina de 2014.
Não aos cortes nas universidades

Em meio aos cortes aprovados pelo Congresso na Lei Orçamentária de 2026, o ex-presidente do CNPq e deputado federal Ricardo Galvão (Rede-SP) alerta para o estrangulamento do financiamento à ciência. Ele destaca que, enquanto R$ 61 bilhões serão direcionados a emendas parlamentares, o orçamento do CNPq sofreu redução de R$ 92,4 milhões e o da CAPES, de R$ 359,3 milhões, em relação à proposta do Executivo. Segundo o físico, renomado pesquisador em fusão nuclear e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, a medida sacrifica bolsas de pesquisa, interrompe estudos estratégicos e ameaça a formação de novos cientistas. Galvão, que à frente do CNPq conseguiu um reajuste histórico de 40% nas bolsas, classifica a opção do Legislativo como “uma escolha política inaceitável”, que prioriza interesses eleitorais em detrimento do futuro científico e tecnológico do país.
Nova sede do TRT

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) comemorou a aprovação pelo Senado e a sanção pelo presidente Lula da lei que amplia a estrutura do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 23ª Região de Mato Grosso (MT). A iniciativa foi relatada por ele no Senado aumentando o número de cargos para enfrentar uma alta de aproximadamente 30% no volume de novos processos na última década, que chegou a ter 12 mil e 709 casos. O senador argumentou que a expansão acompanha o crescimento econômico e populacional do estado, cuja renda per capita saltou de R$ 7 mil para mais de R$ 65 mil nas últimas duas décadas. A reestruturação foi elaborada para não gerar impacto fiscal, utilizando-se de recursos já existentes no orçamento do próprio TRT.




























