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Bastidores do Poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Governo ameaçado

Lula afirmou a aliados que a “verdadeira guerra” começará quando ele vetar o projeto de redução de penas para condenados por crimes golpistas, mas declarou estar pronto para o confronto. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares do “centrão” e também de congressistas ligados ao Planalto, o presidente Lula acredita que uma investida semelhante ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff está sendo articulada contra o seu governo, a partir do controle do Orçamento pelo Congresso. A Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada na última sexta-feira, 19 de dezembro, destinou R$ 61 bilhões para emendas parlamentares em 2026, com crescimento recorde, e ampliou o Fundo Eleitoral para R$ 4,9 bilhões, aumentando o poder de barganha do Legislativo. Lula vê as recentes operações da Polícia Federal (PF) – como as buscas contra o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), e contra assessores de Arthur Lira (PP-AL) – como eventos que podem precipitar uma reação organizada da oposição juntamente com o “centrão”.

 

 

Sem orçamento secreto

Para o governo, a manobra revela a “criatividade legislativa” do Congresso para aumentar seu poder de barganha, especialmente em ano eleitoral, quando o Orçamento de 2026 já prevê R$ 61 bilhões para emendas parlamentares. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

O contra-ataque preventivo contra quaisquer articulações retaliatórias por parte de uma aliança entre o bolsonarismo com parte do “centrão” foi tomado no último domingo, 21, quando o ministro do STF, Flávio Dino, barrou uma manobra do Congresso que tentava restabelecer, por meio de um “pacote fiscal”, os restos a pagar de emendas do antigo orçamento secreto. A decisão liminar suspendeu trecho da lei que liberaria cerca de R$ 3 bilhões em emendas paralisadas desde 2019, sem rastreabilidade e transparência, um mecanismo já considerado inconstitucional pela própria Suprema Corte. A medida representa mais um capítulo no embate entre o Palácio do Planalto e o “centrão” pelo controle do Orçamento Geral da União (OGU). A tentativa ocorreu no mesmo projeto que aprovou cortes lineares de 10% em benefícios fiscais e que ampliou em R$ 2 bilhões a margem de gastos do Poder Executivo.

 

 

Acirramento entre os Poderes

O caso é visto no Planalto como uma “bomba-relógio”, capaz de unir o “centrão” ressentido com as recentes derrotas orçamentárias e a oposição bolsonarista, que há anos tenta desgastar o ministro. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

De acordo com informações de parlamentares ligados ao Planalto, a disputa em torno do controle do orçamento federal causa bastante preocupação às fontes palacianas, que veem que as ações de Dino podem sofrer represália no Congresso, sobretudo por parte do “centrão”. Em aliança com bolsonaristas, caso essa parceria se concretize, esta aliança pode tumultuar o país com uma escalada de confronto contra o ministro Alexandre de Moraes, agora no centro de um novo front após acusações de tráfico de influência na venda do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A revelação de um contrato de R$ 9 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Bacci, com o banco levou senadores a coletarem assinaturas para uma CPI e um novo pedido de impeachment. Moraes rebateu as ilações, afirmando que seu encontro com o presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Gabriel Galípolo, tratou da Lei Magnitsky. 

 

 

Risco institucional

Para fontes palacianas, o escândalo do Banco Master por envolver governadores bolsonaristas, líderes do “centrão” e até o Flamengo pode criar terreno para uma aliança perigosa que ameace as instituições do país. (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

A tensão coloca em risco a estabilidade institucional, já que Moraes foi fundamental para garantir a lisura das eleições de 2022 e comanda os processos que levaram à prisão militares e um ex-presidente por tentativa de golpe. A atuação de Dino, que também autorizou operações contra figuras ligadas à Sóstenes Cavalcante e a Arthur Lira, é vista no Planalto como um freio necessário, mas que pode acirrar ainda mais a tensão com a base aliada. Assim, o tamanho do escândalo do Banco Master, que envolve figuras como o governador Cláudio Castro (RJ), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, pode fazer com que a crise transborde para outras arenas, atingindo também o campo governista e o gramado, com o contrato mal explicado entre o Flamengo com o BRB.

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Sem acerto

O petista baiano reforçou que não consultou o presidente Lula sobre o tema e que a democracia garante que a formação da maioria é o que prevalece nas votações. (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), negou nesta última segunda-feira, 22, ter negociado o mérito do Projeto de Lei (PL) da dosimetria, que reduz as penas para os condenados aos atos relacionados a intentona bolsonarista de 8 de janeiro de 2023, aprovado na semana passada pelo Senado. O senador afirmou estar “muito à vontade” para rebater as críticas e ressaltou que sua posição contrária à proposta está oficialmente registrada. “Não vendi democracia nenhuma, o presidente Lula já disse que vai vetar e nós votamos contra”, declarou. Wagner explicou que a condução dele durante a votação do PL da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) teve como objetivo viabilizar a votação de outras matérias de interesse do Executivo, como o projeto que taxas as apostas esportivas (bets), mas sem qualquer barganha sobre o conteúdo da reforma penal.

 

 

Chapa “puro-sangue”

Para garantir a unidade da base governista e evitar rachaduras, Wagner afirma que o PSD pode ocupar a vaga de vice na chapa de Jerônimo, possivelmente com um dos filhos do senador Ângelo Coronel. (Foto: Carlos Moura / Agência Senado)

Jaques Wagner minimizou ainda o debate sobre a formação de uma chapa majoritária inteiramente petista – conhecida nos bastidores da política como “puro-sangue” – nas eleições baianas de 2026, defendendo que o peso político dos nomes é mais relevante que a filiação partidária. Ele destacou que a força da candidatura reside em reunir dois ex-governadores – ele mesmo e Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República – e o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição. “São dois ex-governadores e o atual, uma chapa forte”, afirmou Wagner, citando avaliação positiva entre os prefeitos baianos. O petista mantém diálogo com aliados de outros partidos, como o senador Otto Alencar (PSD-BA) e Ângelo Coronel (PSD-BA), que por conta desta chapa pode migrar para o campo oposicionista comandado pelo ex-prefeito soteropolitano, ACM Neto (União Brasil).

 

 

Absorção do bolsonarismo

O anúncio que aconteceu na presença do presidente nacional do PL, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, sinaliza a prioridade dada a essa base eleitoral e é vista como um cálculo eleitoral para ampliar sua coalizão apostando num embate nacionalizado. (Foto: Alan dos Santos / Secom-PR)

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, anunciou sua candidatura, em 2026, ao governo da Bahia em evento do PL do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, em Porto Seguro, consolidando publicamente o seu alinhamento com o campo bolsonarista, com objetivo de absorver os votos dos bolsonaristas para o seu projeto político, que remonta ao seu avô Antônio Carlos Magalhães (ACM) e também tentar pôr fim aos 20 anos de governos petistas no estado. A declaração ocorrida no partido do ex-presidente, preso na Superintendência da PF, em Brasília, após sua condenação em trânsito e julgado no processo movido contra ele por atentado ao Estado Demovrático de Direito marca uma guinada estratégica do ex-prefeito, que busca capitalizar o eleitorado de direita no estado. O movimento representa uma tentativa clara de unificar as oposições sob uma chapa competitiva contra o governador petista Jerônimo Rodrigues.

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Defecção bolsonarista na aliança de ACM Neto

O impasse ameaça fragmentar a oposição baiana e fortalecer o projeto de reeleição do grupo petista, liderado pelo atual governador e pelo senador Jaques Wagner e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

A tentativa de ACM Neto de se alinhar ao bolsonarismo baiano enfrenta resistência interna no próprio PL, partido no qual apoiou o lançamento da sua pré-candidatura ao governo baiano pela federação União Progressista. O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) afirmou que a legenda não deve apoiar o ex-prefeito em 2026 a menos que ele assuma um “compromisso claro com a direita” no estado. Alden defende que o PL lance novamente seu próprio candidato, como fez em 2022 com o ex-ministro de Bolsonaro, João Roma. A declaração expõe uma clara divisão no campo oposicionista e os desafios de ACM Neto para unificar a base conservadora no estado. Enquanto o ex-prefeito buscou no PL uma plataforma para nacionalizar a disputa contra o governador petista Jerônimo Rodrigues, petistas e bolsonaristas veem a aproximação de ACM Neto com o bolsonarismo como oportunista e pouco definida ideologicamente.

 

 

Sem pátria?

No Planalto, a avaliação é de que a estratégia de se vitimizar como “perseguido” para tentar obter asilo político tende a fracassar, deixando-o em um limbo jurídico-internacional. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares do “centrão” e ligados ao Planalto, a declaração do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre buscar um “passaporte de apátrida” é vista como um atestado de desorientação política e jurídica. A expressão, usada de forma equivocada, revelaria seu desconhecimento sobre o instituto legal – que se refere à perda compulsória de nacionalidade – e sua frágil situação após a cassação por excesso de faltas. As mesmas fontes avaliam que a fala pode acelerar pedidos formais para que o governo dos Estados Unidos (EUA) deporte o filho “zero três” do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que se encontra no país desde abril tentando articular sanções econômicas contra o país e contra autoridades brasileiras. A postura contrasta com a retórica patriótica que o bolsonarismo tentou resgatar nos últimos anos.

 

 

Bahia a todo vapor

Segundo o presidente da Embasa, Gildeone Almeida, as obras reforçam o compromisso com a universalização do saneamento, impactam diretamente na saúde e na qualidade de vida da população e garante fluidez no deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica durante o período festivo. (Foto: Rodrigo Mantoan / Embasa)

O governo da Bahia autorizou um conjunto de obras de saneamento da Empresa Baiana de Saneamento (Embasa) no valor de R$ 269,2 milhões, assinados pelo governador Jerônimo Rodrigues na última quinta-feira, 18 de dezembro. Os investimentos contemplam ampliação e implantação de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário em municípios das regiões metropolitana de Salvador, do recôncavo baiano e das regiões Sudoeste, Chapada Diamantina e Oeste. Paralelamente, a Internacional Travessias Salvador (ITS) prepara uma operação especial de fim de ano para o sistema Ferry-Boat, com funcionamento ininterrupto por 24 horas em dois dias (30/12 e 04/01) e oferta de 420 vagas extras. A expectativa é de um aumento de 5% no fluxo de passageiros e veículos em relação a 2024.

 

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