Agro na COP-30

O ex-ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, enviado especial para a COP-30, Roberto Rodrigues, apresentou nesta terça-feira, 28 de outubro, um documento que posiciona a agricultura tropical sustentável como peça-chave para enfrentar os desafios globais de segurança alimentar, transição energética e mudanças climáticas. O texto, elaborado em colaboração com mais de 40 entidades do agronegócio, será a base da atuação brasileira durante a conferência do clima, que acontecerá em Belém (PA) no próximo mês, entre os dias 10 e 21 de novembro. Em reunião na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Rodrigues afirmou que o Brasil deve “deixar de ser pautado e passar a pautar” a discussão climática global. “Não é uma proposta para o Brasil. É o Brasil colocando no mundo uma receita que ele aprendeu a fazer tropicalmente”, declarou.
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De acordo com Roberto Rodrigues, o resultado alcançado pelo agronegócio brasileiro é oriunda de inovações adotadas como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a fixação biológica de nitrogênio. Rodrigues também enfatizou que a “agricultura tropical regenerativa” pode contribuir para a paz mundial. “Não haverá paz onde houver fome, não haverá paz onde houver falta de energia, não haverá paz onde houver desigualdade social”, comentou. Para ele, a COP-30 é uma oportunidade histórica de reposicionar o Brasil como líder em soluções climáticas práticas, especialmente no cinturão tropical, que abrange regiões da África, Ásia e América Latina, usando a experiência brasileira como um modelo inspirador e aplicável a outras regiões tropicais, posicionando o país como protagonista na agenda climática global.
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Ao apresentar o documento intitulado “Agricultura tropical sustentável: cultivando soluções para alimentos, energia e clima”, o enviado especial da COP-30, Roberto Rodrigues, detalhou que o processo de construção do documento, que representará a posição do agronegócio brasileiro na conferência do clima, está dividido em duas partes: uma que narra a trajetória de 50 anos da agricultura tropical brasileira e outra com propostas concretas para replicar o modelo em outros países. Rodrigues contou que, inicialmente, relutou em aceitar o convite para ser enviado especial por acreditar que as COPs eram marcadas por “muito discurso e poucas consequências”. No entanto, aceitou o desafio com a condição de que representaria a voz unificada do setor. “Eu vou falar o que a agricultura quiser falar. Não sou eu que falo, falo pela agricultura”, disse.
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Na mesma reunião realizada pela FPA, o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, alertou para a gravidade dos novos dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que apontam que a temperatura global já atingiu 2,06 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. Diante deste cenário, que ele classificou como “um verdadeiro desastre”, a COP-30 em Belém se torna um evento crucial para o futuro da humanidade no planeta. Lyrio enfatizou que, neste contexto de crise, o Brasil chega à conferência com credenciais únicas. Enquanto a maioria das nações ainda depende pesadamente de combustíveis fósseis – citando o exemplo da Austrália, onde 80% da energia elétrica era proveniente de carvão. O Brasil, que possui uma matriz energética com 90% de fontes renováveis e 49% destas fontes no uso de combustíveis, cairia para cerca de 20% sem a decisiva contribuição do agronegócio com os biocombustíveis.
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Já a presidenta da Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa), Silvia Massruá, apresentou a visão da empresa para a COP-30, defendendo que a agricultura brasileira precisa evoluir de uma postura “reativa” para “preditiva” frente às mudanças climáticas. Ela anunciou que a Embrapa levará para Belém a “Casa das Agriculturas Sustentáveis”, um espaço que, segundo ela, irá materializar a diversidade dos sistemas produtivos brasileiros com vitrines tecnológicas e que contará com o lançamento de mais de 45 cultivares resistentes a estresses climáticos. Massruá destacou que o projeto nasceu de um amplo diálogo com a sociedade, incluindo a realização de sete eventos nos seis biomas brasileiros para capturar as diferentes realidades produtivas do país. “A agricultura é parte da solução das mudanças climáticas”, afirmou, ressaltando que a Embrapa se posiciona como facilitadora de um ecossistema que envolve todos os setores.
Recuperação de áreas degradadas

Durante a COP-30 em Belém, o Brasil apresentará a iniciativa RAIZ (Resilient Agriculture Investment for Net Zero Land Degradation), já adotada em alguns países, para mobilizar recursos e compartilhar tecnologias de recuperação de áreas agrícolas degradadas. Liderada pelo Ministério da Agricultura com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para a alimentação e agricultura (FAO), o mecanismo pretende responder à crise global que atinge dois bilhões de hectares degradados no planeta, afetando 3,2 bilhões de pessoas. Para o ministro da Agricultura, senador licenciado Carlos Fávaro (PSD-MT), a proposta representa a contribuição brasileira à agenda de sustentabilidade global, baseada em políticas concretas já testadas no país. A RAIZ fortalecerá programas nacionais como “Solo Vivo” e “Caminho Verde Brasil”, este último com meta de recuperar 40 milhões de hectares em dez anos.
Brasil-China

Em meio às negociações com o governo dos Estados Unidos (EUA) para a normalização das relações dos dois países, representantes dos governos brasileiro e chinês realizaram nesta terça, 28, um diálogo técnico em Brasília para reforçar a cooperação em defesa comercial e no monitoramento de fluxos bilaterais. O encontro, no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), visou promover transparência e confiança mútua nas relações comerciais, onde as delegações discutiram o alinhamento de estatísticas oficiais e a prevenção de práticas desleais, como desvios de comércio. Um tema sensível abordado foi a investigação de salvaguarda chinesa sobre a carne bovina brasileira, com conclusão prevista para novembro de 2025. Também foram compartilhados métodos de investigação em defesa comercial, reafirmando o compromisso com um comércio justo.
Rota de integração

Em resposta aos desafios comerciais globais, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) – presidente da Comissão de Defesa Nacional e Relações Exteriores (CRE) do Senado – liderou uma audiência pública nesta última segunda-feira, 27 de outubro, em Ponta Porã (MS) para impulsionar a integração com a cidade vizinha paraguaia, Pedro Juan Caballero. O evento, realizado no âmbito do Parlasul, debateu soluções para os gargalos das cidades-gêmeas, focando em quatro eixos principais: infraestrutura logística, serviços binacionais, cidadania fronteiriça e financiamento. O corredor bioceânico foi destacado como projeto estratégico para diversificar mercados, reduzir custos de transporte e escoar produtos de alto valor, como das terras raras. Como resultado, foi aprovada a Declaração de Ponta Porã, que propõe a criação de uma rede de municípios fronteiriços e a implementação de acordos de livre trânsito.
Retomada da diplomacia

Em meio à crise diplomática gerada pelas denúncias de espionagem da Agência brasileira de inteligência (Abin) contra autoridades paraguaias, o senador Nelsinho Trad liderou um apelo pela reconciliação durante audiência pública do Parlasul em Ponta Porã (MS). O parlamentar defendeu a retomada urgente do diálogo entre Brasil e Paraguai, argumentando que o episódio não pode comprometer a parceria histórica e a integração fronteiriça. A crise já impacta as negociações do Anexo C de Itaipu, crucial para as regras tarifárias da energia da usina, e levou o governo paraguaio a retirar seu embaixador do Brasil. Nelsinho Trad pediu publicamente o regresso do embaixador Juan Ángel e enfatizou que as populações de cidades-gêmeas não podem ser penalizadas por dissabores em nível federal. Ele se comprometeu a tratar do assunto com o chanceler Mauro Vieira, reiterando que a solução passa por conversas diretas entre as partes.
Congresso do MP

A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) realiza seu 26º Congresso Nacional do Ministério Público entre os dias 11 a 14 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com o tema “O MP do Futuro: Democrático, Resolutivo e Inovador”. O evento reunirá promotores e procuradores de todo o país para debater o papel da instituição na defesa do Estado Democrático de Direito e os desafios contemporâneos. A programação inclui temas estratégicos como o combate à criminalidade organizada e a governança pública. Questões atuais como a liberdade de expressão e o uso ético da inteligência artificial também estarão em pauta. Serão comemorados os 40 anos da Lei da Ação Civil Pública e os 35 anos do SUS. A proteção de vítimas, grupos vulneráveis e os impactos das mudanças climáticas serão igualmente discutidos.





























