O encontro que reuniu mais de 50 prefeitos do MDB com o governador Jorginho Mello, no Hotel Majestic, em Florianópolis, não foi apenas mais uma agenda política. Foi um sinal claro de que o eixo de decisão dentro do partido começou a se deslocar.
A força que vem de baixo
O dado mais relevante do encontro não é o discurso.
É o número.
Mais de 50 prefeitos, de um universo de cerca de 70, participando de uma reunião com o governador em defesa da reeleição, muda completamente a leitura do cenário.
Prefeito não participa por protocolo. Participa quando vê interesse direto.
E, nesse caso, o movimento indica uma base municipal inclinada a um caminho diferente daquele defendido pela direção partidária.
O MDB dividido deixa de ser teoria
A divisão interna do MDB vinha sendo tratada como bastidor.
Agora, ela é visível.
De um lado, o grupo liderado por Carlos Chiodini mantém alinhamento com o projeto de João Rodrigues.
Do outro, prefeitos, deputados e lideranças que já operam próximos ao governo.
O encontro no Majestic não criou essa divisão.
Mas escancarou.
O governador joga no território do adversário
Ao reunir prefeitos do MDB, Jorginho não apenas dialoga.
Ele entra no território político de um partido que, formalmente, ainda não está com ele.
E faz isso de forma direta, sem intermediários.
Além disso, ao citar publicamente Chiodini e sinalizar novos encontros, o governador mantém a porta aberta na cúpula enquanto avança na base.
É um movimento de pressão e construção ao mesmo tempo.
A presença de Carol de Toni não foi casual
A passagem da pré-candidata ao Senado Carol De Toni pelo encontro reforça que o movimento não é isolado.
Ele está conectado a uma estratégia maior.
A construção de uma base que não envolve apenas o governo, mas também a composição das chapas para 2026.
Quando a base decide antes da convenção
O MDB ainda tem calendário.
Convenção, deliberação, decisão formal.
Mas a política raramente espera esses ritos quando o movimento já começou na prática.
Se a base municipal se consolida em torno de um caminho, a decisão formal tende a seguir esse fluxo.
Ou, no mínimo, entrar em choque com ele.
O risco de um partido que gira sem avançar
O MDB vive hoje o retrato clássico de um partido dividido entre estrutura e prática.
Direção apontando um caminho.
Base operando outro.
Isso gera um efeito conhecido.
O partido não avança.
Gira em torno de si mesmo.
E, nesse movimento, perde capacidade de liderar o processo.
PONTO DE VISTA
O encontro no Majestic muda o patamar da discussão política em Santa Catarina. Ele mostra que a eleição não será definida apenas por acordos entre lideranças, mas pelo comportamento real da base partidária.
Quando prefeitos se movimentam em bloco, eles deixam de ser coadjuvantes e passam a influenciar diretamente o rumo das decisões.
O MDB ainda pode formalizar qualquer posição. Mas, a partir de agora, terá que lidar com um fato concreto.
Parte relevante do partido já começou a escolher seu lado.
E, na política, quando a base anda, dificilmente volta para o ponto de partida.





























