O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos) subiu o tom contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao criticar o Plano Safra 2026/2027, anunciado com R$ 525 bilhões para o agronegócio. Para o parlamentar, o volume de recursos e, principalmente, as taxas de juros oferecidas estão muito distantes da realidade enfrentada pelos produtores rurais, comprometendo o acesso ao crédito e a produção no campo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Barbudo classificou o programa como uma “grande mentira” e afirmou que os juros elevados inviabilizam o financiamento agrícola. Segundo ele, as taxas, que podem chegar a 22% ao ano, descaracterizam o objetivo do plano. “Isso não é Plano Safra, isso é ‘Plano Roubo, Plano Assassinato'”, disparou o deputado.
Integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Barbudo afirmou que pretende criar uma subcomissão na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para ampliar o debate sobre o programa. A proposta é convocar representantes do governo para discutir as regras do plano antes de seu lançamento e ouvir as demandas do setor produtivo.
Segundo o parlamentar, a intenção é impedir que futuras edições do Plano Safra sejam elaboradas sem diálogo com quem atua no campo. Ele voltou a acusar o governo de apresentar números que, na prática, não atenderiam às necessidades do agronegócio e criticou a ausência do presidente Lula no lançamento oficial do programa, apesar da importância do setor para a economia brasileira.
As críticas também encontram eco em Mato Grosso. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Lucas Beber, afirmou que o setor esperava um plano mais robusto, com cerca de R$ 650 bilhões em crédito e juros em patamares de um dígito, considerados mais compatíveis com a realidade dos produtores.
Do total de R$ 525 bilhões anunciados pelo governo, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização da produção. Outros R$ 140 bilhões financiarão investimentos em modernização das propriedades, ampliação da capacidade de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.
Mesmo com o volume recorde de recursos anunciado pelo governo federal, o Plano Safra já nasce cercado de críticas de representantes do agronegócio, que cobram crédito mais barato e maior participação na elaboração das políticas voltadas ao setor. O tema promete acirrar o debate entre governo e bancada ruralista nos próximos meses.




























