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Após Trump iniciar guerra tarifária contra China, Mauro Benevides Filho avalia que “o Brasil terá a oportunidade de abrir novos caminhos de comércio”

Responsável pelo programa econômico das campanhas presidenciais de Ciro Gomes, Benevides Filho avalia também que as tarifas impostas por Trump vão desgastá-lo internamente. (Foto: Kayo Magalhães / Agência Câmara)

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De acordo com o ex-secretário de Fazenda do estado do Ceará nos governos de Cid Gomes, “o povo americano vai experimentar um movimento inflacionário muito significativo”.

 

Por Humberto Azevedo

 

Após o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, iniciar e escalar uma guerra tarifária contra a China, o deputado e economista, Mauro Benevides Filho (PDT-CE), avalia que “o Brasil terá a oportunidade de abrir novos caminhos de comércio”. Nesta quarta-feira, 9 de abril, o presidente norte-americano anunciou que ampliaria de 104% para 125% as tarifas oriundas do gigante país asiático.

 

No mesmo anúncio, Trump também afirmou que todas as demais tarifas lineares impostas por seu governo aos demais países superiores a 10% estarão congeladas dentro de um prazo de 90 dias, permanecendo em 10%, que é o percentual imposto aos produtos de países como Argentina, Brasil, Colômbia, entre outros.

 

“Eu acho que o Brasil terá a oportunidade de abrir novos caminhos de comércio, terá a possibilidade de, inclusive com a reforma tributária, tornar a exportação ainda mais competitiva para os novos mercados que vão ser abertos. Portanto, enquanto se fala em muito pessimismo para o Brasil nesse exato momento, eu pelo contrário, eu vejo uma realidade, uma alternativa que o Brasil estava precisando, mesmo que forçadamente, é tentar encontrar outros caminhos pelos países”, analisou Benevides em entrevista a reportagem do grupo RDM.

 

“Para a própria União Europeia, o Brasil vai se tornar um grande parceiro de troca de produtos, exportação e importação”, complementou o pedetista.

 

INFLAÇÃO EUA

 

O ex-secretário de Fazenda do estado do Ceará nos governos de Cid Gomes afirmou ainda que como resultado da guerra tarifária, “o povo americano vai experimentar um movimento inflacionário muito significativo”.

 

“Os Estados Unidos jogam fora tudo o que ele [sic] pregou ao longo dos anos, que é a livre concorrência empresarial, é o que determina a melhor alocação de recursos, é o que faz uma economia crescer, é o que provoca, inclusive, a própria inovação tecnológica. Então, ele está jogando fora todos esses conceitos, inclusive repassados nos livros textos da academia, ou seja, das universidades, mas ele não está medindo. Primeiro, quando ele coloca uma tarifa de importação muito elevada, ele acaba aumentando o custo de produção dentro dos Estados Unidos”, ensina o parlamentar economista que é também professor universitário.

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“Por que isso? Porque boa parte dos produtos industriais, por exemplo, todos eles, seja em qualquer escala de produção, você tem produtos de outros países. E, portanto, quando você fecha a porta da entrada desses países, você acaba, primeiro, paralisando o ritmo de produção, segundo, essa mercadoria que chega, chega mais cara, terceiro, se ele pensa que esses produtos que não são produzidos nos Estados Unidos, que eles possam ser rapidamente substituídos tecnologicamente para poder instrumentalizar a produção interna, isso demora anos. Isso vai desgastar o governo, isso já está desgastando o próprio ‘best friend’, o melhor amigo dele [Trump], que é o Elon Musk, que como ele tem fábrica na China da Tesla, ele já está reclamando da tarifa que foi imposta na China para os Estados Unidos”, completa Benevides.

 

“Então, as bolsas estão altamente voláteis por essa insegurança de para onde vai o comércio internacional. O Brasil, ele vai ter muitas oportunidades de vender para outras economias muito grandes, inclusive para a própria China, porque hoje o mercado, o maior comprador de produtos brasileiros não são os Estados Unidos, o maior comprador é a China, que compra o maior volume”, emenda o pedetista cearense.

 

TAXA DE JUROS

 

Mauro Benevides comentou, ainda, que independentemente da guerra tarifária praticada pelos EUA, o grande problema do Brasil são os altos níveis da taxa de juros, que, segundo ele, impedem a economia crescer. “Ou a gente acorda para essa visão adequada de crescimento econômico ou então nós vamos estar refém eternamente do próprio sistema financeiro”, disse.

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“Por exemplo, se algum industrial for ao banco tomar um empréstimo para ampliar a sua fábrica, para comprar algum equipamento, a rentabilidade do seu negócio não paga o custo financeiro do processo. Em 2024, a dívida pública do governo federal aumentou um trilhão de reais, 980 bilhões de reais. Você vai ter 11 bilhões de déficit primário. Você vai ter 950 bilhões de reais de pagamento de juros. Isso não tem precedente na história brasileira. Não faz sentido o Brasil ter a maior taxa de juros real do mundo. Eu estou tirando a Rússia, porque ela está em guerra, tem a maior taxa de juros real do mundo. Como é que pode a Argentina, que deu um calote na dívida, pode ter uma taxa de juros real menor que o Brasil?”, perguntou Mauro Benevides Filho.

 

“O Brasil que paga sistematicamente sua dívida, o Brasil que tem 340 bilhões de reserva cambial, não há explicação técnica. Ah não, porque a inflação subiu, tem que aumentar a taxa de juros. O Banco Central, os seus modelos, já não conseguem mais definir qual é a taxa de juros efetivamente que faz a convergência para a meta de inflação. Por que é que é 14,75% e não 13,25%? Essa explicação não existe no Brasil. Essa definição está equivocada. Isso está impondo um custo muito elevado e no Brasil, crescer virou problema. O Brasil vai crescer, aumenta a taxa de juros. Ou seja, o Brasil é o único país do mundo que crescer é um problema. Que história é essa? Nós temos que estimular o setor empresarial? Porque quando a demanda aumenta, a inflação só acontece quando a oferta não acompanha. Então, eu tenho que tomar medidas para que o Brasil possa realmente expandir o seu processo de produção. Essa é a grande saída do Brasil”, finalizou.

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