Além dos ataques feitos pelo governo norte-americano contra o programa brasileiro, Trump determinou que dois funcionários do Ministro da Saúde, a esposa e a filha do ministro tivessem o visto de entrada àquele país cancelado.
Por Humberto Azevedo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta última quinta-feira, 14 de agosto, o programa “Mais Médicos”, que se tornou alvo de ataques e sanções do governo dos Estados Unidos da América (EUA), que acusa a iniciativa brasileira de ser um “golpe contra profissionais de saúde” e promover o trabalho forçado de médicos cubanos.
Além dos ataques, o presidente norte-americano determinou revogar os vistos de entrada nos EUA de dois funcionários do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, que atuaram na criação do programa. Além disso, a esposa e a filha do ministro da Saúde, também tiveram seus vistos naquele país cancelados. Já o visto do ministro Padilha não foi cancelado por já estar vencido desde 2024.
Em resposta aos ataques e sanções impostas pelos EUA, o ministro Padilha, que também comandava o Ministério da Saúde em 2013, quando da criação do programa “Mais Médicos”, afirmou que o programa do governo brasileiro é um “patrimônio do povo brasileiro” e que os ataques de “quem é inimigo da saúde” não vão “abalar” a iniciativa.
Padilha lembrou que o atual mandato de Trump à frente dos EUA promove uma perseguição a cientistas que desenvolvem vacinas, cancela contratos com empresas que produzem vacinas, corta recursos da Organização Mundial de Saúde (OMS) para fabricação de medicamentos contra a aids, e agora faz ataques a um programa internacionalmente reconhecido como o “Mais Médicos”.
Desde a criação, observa o ministro, o programa “provocou uma transformação em municípios que não contavam com nenhum médico para atender a população”. Segundo ele, desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o número de profissionais atuando nas cidades mais distantes dobrou e 95% dos profissionais são jovens brasileiros que se formaram aqui no país.
Em relação à revogação de vistos, Alexandre Padilha se solidarizou com Mozart Sales e Alberto Kleiman e os parabenizou pelo trabalho realizado na construção do Mais Médicos.
“Quero saudar esses dois servidores que entraram agora na lista de outros perseguidos pelo governo Trump só porque defendem a saúde, a vida e a ciência. O ‘Mais Médicos’, assim como o Pix, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira”, disse Padilha detalhando que durante a elaboração do “Mais Médicos” pelo Ministério da Saúde os dois viajaram por vários países pesquisando como era enfrentada a falta dos profissionais de saúde e identificaram que, naquele momento, quase 80 nações faziam parceria com os médicos cubanos para solucionar a questão.
“Nenhum ataque de quem é inimigo da saúde, como se demonstrou mais de uma vez o presidente Trump e seu governo, vai abalar o Mais Médicos”, disse em entrevista a jornalistas em Goiana (PE), antes de participar da cerimônia de inauguração de uma fábrica da Hemobrás. “Quero deixar bem claro que nenhum ataque, seja no Brasil, muito menos de fora, vai fazer com que a gente abra mão do pix e do mais médicos. São patrimônios já do povo brasileiro”, finalizou o ministro da Saúde do governo brasileiro.
Já Mozart Júlio Tabosa Sales, servidor do Ministério da Saúde que teve o visto de entreada aos EUA cancelado, ressaltou que o programa social foi “bem recebido” pela população brasileira, com aprovação de 87% em 2013, acrescentando que “inúmeras publicações científicas comprovam os impactos positivos”.


























